A busca por uma cantiga de ninar que seja conveniente para o meu guri chega finalmente ao seu fim. Depois de uma repassada pelo cancioneiro nacional, de ver cucas e bois da cara preta, me recordei que em minhas lembranças de infância tinha uma música que era sido de especial significado para mim, me lembrei dessa excelente canção que, antes de mais nada, vai lembrar ao Caleb uma das melhores coisa que Deus, ja ao nascer, lhe presenteou. O privilégio de ter nascido Gaúcho.
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Céu, Sol, Sul, Terra e Cor
Eu quero andar nas coxilhas sentindo as flexilhas das ervas do chão
Ter os pés roseteados de campo ficar mais trigueiro que o sol de verão
Fazer versos cantando as belezas desta natureza sem par
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar
(É o meu Rio Grande do Sul Céu, sol, sul, terra e cor Onde tudo que se planta cresce E o que mais floresce é o amor)
Eu quero me banhar nas fontes e olhar o horizonte com Deus
E sentir que as cantigas nativas continuam vivas para os filhos meus
Ver os campos florindo e crianças sorrindo felizes a cantar
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar
(É o meu Rio Grande do Sul Céu, sol, sul, terra e cor Onde tudo que se planta cresce E o que mais floresce é o amor)
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O Guri aprovou
Blogue grosso e taura uma barbaridade. Nele, além de cultura, literatura, música, payadas, vão nossos chasques e peçuelos. Reflexões feitas à beira dum fogo de chão escritas por quatro queras arinconados em Porto Alegre: Maneador, Castrador, Curador e Marcador.
quarta-feira, março 09, 2005
Dia Internacional da Mulher
Bueno, eu sei que o post está atrasado, mas é que eu não poderia deixar de fazer referência a esta data importante. Nào é para ser politicamente correto e tão pouco para apenas constar, a verdade é que nossas prendas são parte de nossas vidas e por isso, não só por isso, merecem nosso muchas gracias. Deixo para todas as mulheres que visitam o Capando os belos versos do tio Nico Fagunde: "Mulher Gaúcha".
Bendita mulher gaúchaque sabe amar e querer!
Esposa e mãe, noiva e amante que espera o guasca distante
e acaba por compreenderque a vida é um poço de mágoa
onde cada pingo d'águasó faz sofrer e sofrer.
Porto Alegre, nova de março.
Bendita mulher gaúchaque sabe amar e querer!
Esposa e mãe, noiva e amante que espera o guasca distante
e acaba por compreenderque a vida é um poço de mágoa
onde cada pingo d'águasó faz sofrer e sofrer.
Porto Alegre, nova de março.
terça-feira, março 08, 2005
Compadres
Têm coisas que são do meu agrado e creio que também sejam dos meus patrícios. Ontem pude ter uma destas coisas: estar com meus compadres, Maneador e o Castrador. Prosa buena, um baita fejão carregado que o Castrador preparou e uma gelada. Estar com estes amigaços é para lá de especial, é pena que nem sempre nos encontremos. É pena também que o compadre Marcador não esteve presente. Parece-me que nossas reuniões já estão plantando semente, é o pequeno Caleb que esteve conosco, mui atento as figuraças que o cercavam naquela tardezita de Domingo. Aos meus compadre um quebra-costela .
Porto Alegre, nova de março.
Porto Alegre, nova de março.
sábado, março 05, 2005
Gaúcho pelo Mundo
Sexta-feira ouvi na Rural o Luiz Antonio de Assis Brasil falando sobre a literatura gaúcha em terras estrangeira. Esse grande escritor, assim como o Tabajara Ruas e o Luis Fernando Veríssimo têm vendido muito bem na Europa, o curioso é que os dois primeiros escrevem uma literatura extremamente regionalista. Com vocabulário, temas, costumes e cenários bem gaúchos. Não me surpreende o fato de nossa literatura ser apreciada nestes lugares, mas sim, que nossos autores pensem assim. Em um mundo sem fronteira aqueles que preservam sua identidade são sempre admirados, por aqueles que já perderam as suas há tantos anos. S e os patrícios não conhecem, ainda, a obra destes autores recomendo.
Porto Alegre, nova de março.
sexta-feira, março 04, 2005
Saudade Sotreta
Buenas patrícios, tenho que confessar uma coisa: essa semana ando encimesmado. O que passa e que minha Florecita teve que voltar para a cidade do Rio Grande, e eu cá fiquei em Porto Alegre. O pior de tudo é a maldita distância. Ando já vesgo de saudade, loco por um abraço e um cheiro. À minha Florecita que está em Rio Grande meu coração, minha saudade, meu pensamento... Até breve.
Porto Alegre, nova de março
Porto Alegre, nova de março
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
Patrícios, minha vontade era de dar uma de Maneador - saudar a todos, e mandar aquele quebra-costela - também pudera, com as novidades escassiando e o ritmo dos posts mais ainda, sinto que não desenvolvo como antigamente os temas que proponho. Quando disse que não tenho novidades me esqueço de duas coisas: a primeira é que já estou de casa nova, e que indiada uma manhã inteira carregando a mudança, a outra é que a comunidade do Capando no Ingurte já conta com 35 viventes e a cada dia mais patrícios se juntam a essa tão profícua comunidade... Bueno, quando não tem o que se dizer acabasse por dizer nada, ou melhor, acolherar uma monte de letras e não fazer nem cisco. Acho que a seca que assola o estado tem me assolado as idéias, pode ser. Entonces, fico por aqui.
Porto Alegre, crescente de fevereiro.
Porto Alegre, crescente de fevereiro.
domingo, fevereiro 13, 2005
Martin Fierro
Aquí me pongo a cantar
Al compás de la vigüela,
Que el hombre que lo desvela
Una pena estraordinaria
Como la ave solitaria
Con el cantar se consuela.
Pido a los Santos del Cielo
Que ayuden mi pensamiento;
Les pido en este momento
Que voy a cantar mi historia
Me refresquen la memoria
Y aclaren mi entendimiento.
Vengan Santos milagrosos,
Vengan todos en mi ayuda,
Que la lengua se me añuda
Y se me turba la vista;
Pido a Dios que me asista
En una ocasión tan ruda.
Este épico latino americano está disponível no site: wwww.literatura.org. Cuzem lá e regalem-se com este belo livro.
Porto Alegre, nova de fevereiro.
Al compás de la vigüela,
Que el hombre que lo desvela
Una pena estraordinaria
Como la ave solitaria
Con el cantar se consuela.
Pido a los Santos del Cielo
Que ayuden mi pensamiento;
Les pido en este momento
Que voy a cantar mi historia
Me refresquen la memoria
Y aclaren mi entendimiento.
Vengan Santos milagrosos,
Vengan todos en mi ayuda,
Que la lengua se me añuda
Y se me turba la vista;
Pido a Dios que me asista
En una ocasión tan ruda.
Este épico latino americano está disponível no site: wwww.literatura.org. Cuzem lá e regalem-se com este belo livro.
Porto Alegre, nova de fevereiro.
sexta-feira, fevereiro 11, 2005
Mudança
Enfim, hoje, consegui encontrar um novo rancho para morar. Não tão novo porque é no mesmo prédio, na mesma rua... só não é no mesmo andar. Troteei uma barbaridade para vir cair no mesmo lugar. Pareço até uma rês atolada que chafurda no banhadal e nada de sair do lugar. Os problemas serão menores com a mudança, contrato... e nem vou precisar me acostumar com nova vizinhança - aliás este que tenho nem conheço muito bem - sendo assim, nada mudou, embora tenha mudado de rancho. E é isso que mais preocupa. Sabe quando antes de um temporal o vento para e parece que a tormenta não vem, é esse o problema, estou esperando a dias a tormenta e ela não vem. Porque se já tivesse vindo, agora, estaria em bonança. Mas como ela não veio ainda, fico bombeando pras bandas dos castilhanos pra ver se o tempito se enfeia. Además, continuo tocando essa vidinha que é minha e é só pro meu consumo, como já disse o poeta.
Porto Alegre, nova de fevereiro.
Porto Alegre, nova de fevereiro.
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
Aos Amigos
Paisagens Perdidas
Jayme Caetano Braun
A tarde recolhe o manto,
carqueja e caraguatá;
na corticeira um sabiá
floreia o último canto!
Alargando o gargarejo,
da sanga que se desmancha,
há um eco pedindo cancha
no primitivo falquejo!
A lua nasce num beijo,
prateando o lombo do cerro
e um grilo acorda um cincerro,
do meu retiro de andejo!
Paisagens de campo e alma
perdidas no vem e vai,
soluços do Uruguai
que bebe lua e se acalma:
a noite passa à mão salva,
com ela vem a saudade,
olfateando a claridade
das brasas da Estrela D?Alva!
Nascem rugas no semblante,
paisagens da natureza
que a força da correnteza
não pode levar por diante;
então exige que eu cante
quando me encontro desperto,
mas sempre que chego perto
meu sonho está mais distante!
Paisagens de sombra e luz,
como é que pude perdê-las?
Ficaram as 5 estrelas
fazendo o ? sinal da cruz ? !
Esta eu dedico aos amigos Renato, Leda, Camila e Jorge pela excelente acolhida no finl de semana. Quebra-costela patrícios, mil gracias.
Porto Alegre, nova de fevereiro.
Jayme Caetano Braun
A tarde recolhe o manto,
carqueja e caraguatá;
na corticeira um sabiá
floreia o último canto!
Alargando o gargarejo,
da sanga que se desmancha,
há um eco pedindo cancha
no primitivo falquejo!
A lua nasce num beijo,
prateando o lombo do cerro
e um grilo acorda um cincerro,
do meu retiro de andejo!
Paisagens de campo e alma
perdidas no vem e vai,
soluços do Uruguai
que bebe lua e se acalma:
a noite passa à mão salva,
com ela vem a saudade,
olfateando a claridade
das brasas da Estrela D?Alva!
Nascem rugas no semblante,
paisagens da natureza
que a força da correnteza
não pode levar por diante;
então exige que eu cante
quando me encontro desperto,
mas sempre que chego perto
meu sonho está mais distante!
Paisagens de sombra e luz,
como é que pude perdê-las?
Ficaram as 5 estrelas
fazendo o ? sinal da cruz ? !
Esta eu dedico aos amigos Renato, Leda, Camila e Jorge pela excelente acolhida no finl de semana. Quebra-costela patrícios, mil gracias.
Porto Alegre, nova de fevereiro.
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Ser Potro
Ficou somente um esteio em meio a cinzas e fumaça. O incêndio destruiu todo o rancho e o pobre Juca, parado mirando o triste quadro, sentiu-se muito mais invalido, cocho e velho. Por não poder fazer nada enquanto o fogo crepitava, matando toda as lembranças que o rancho guardava. Quem podia pensar que coronel Belarmino tomaria tal atitude para com ele, posteiro há décadas, pensava num repente. Contudo, o mesmo coronel que muitas vezes pedira-lhe favores, que fora padrinho dos guris, que fizera a desgraça da Marianita... era o mesmo homem que mandara incendiar o rancho desde qüera, que num jeito de velho umbu, trancara o pé no momento em que foi mandado embora. Maldito Belarmino! Maldita justiça, que não cobra do rico e faz com que o pobre viva solito peleiando pra sobreviver. O fumo que levantava do que fora rancho, misturava-se com o vapor que levantava da grama naquela manhã que nascia. E o velho Juca cansado da vida, da sua desgraça sonhava pensando um futuro melhor. Onde ele seria um potro solto num campo sem aramado, sem marca, nem dono, correndo faceiro por plainos e cainhadas livre de verdade. Pensava que somente se nascesse potro poderia viver tal liberdade, pois aos homens foi legado um jugo de obediência servil ao patrão chamado Ganância. Sendo potro não haveria esta herança, esta desgraça. Lembrava-se direitito quando na madrugada seis soros chegaram de madrugada, num galope louco, atearam fogo nos quatro cantos do rancho e se bandearam pros lados do povo tão depressa quanto chegaram. Depois disso só lhe vinha a memória o momento em que o telhado desabou e ele, sem saber como, estava de pé bombeando tudo do lado de fora. Será favor de nosso Senhor!? Ou o destino que lhe dera cancha!? Quem sabe? E a fumaça e o vapor continuam subindo para um céu azul que negaceou para Seu Juca melhor sorte nesta vida e ele que só queria ser potro continua a ter dono, marca e buçal.
Porto Alegre, cheia de fevereiro.
Porto Alegre, cheia de fevereiro.
segunda-feira, janeiro 31, 2005
Bueno patrícios, desde que eu cheguei aqui em Porto Alegre não postei ainda. Tudo porque estou a procurar um ranchito novo para morar. É que o infeliz do aluguel do lugar aonde eu moro passou a ser caro demais para meu soldo. Outro motivo, talvez, seja que ando meio enferrujado por não ter me dedicado tanto ao Capando como deveria. Desculpas esfarrapadas à parte, cruzei pra deixar este pequeno chasque e desejar aos patrícios uma semana macanuda.
P.S. Hoje vi um programa, acho que no SBT, com intenções tradicionalistas e penso que ele não passou mesmo das inteções, porque os novos talentos que eles apresentaram de novo só tinham o nome e o apresentador que deve pensar que para ser gaúcho, capeiro e preciso cometer erros de pronúcia e gramatica da nossa língua . É pena que se façam tantas coisas aqui no estado, nas coxas ao invés de produzir algo um pouco mais aleborado. Fica o meu sentimento e protesto.
Porto Alegre, cheia de janeiro.
P.S. Hoje vi um programa, acho que no SBT, com intenções tradicionalistas e penso que ele não passou mesmo das inteções, porque os novos talentos que eles apresentaram de novo só tinham o nome e o apresentador que deve pensar que para ser gaúcho, capeiro e preciso cometer erros de pronúcia e gramatica da nossa língua . É pena que se façam tantas coisas aqui no estado, nas coxas ao invés de produzir algo um pouco mais aleborado. Fica o meu sentimento e protesto.
Porto Alegre, cheia de janeiro.
domingo, janeiro 23, 2005
Final de Férias
Pois é patrícios, as férias terminaram. Duas semanas de carne gorda, sol quente e muita coisa para não fazer. Sentado na sombra tomando mate, prosiando com a minha Florecita os dias passaram num Vu. Agora a correria começa de novo, o pior não é nem a correria é a cidade grande. Fumaça, ambulâncias, assaltos uma beleza. Pra trás hoje vou deixar mais uma vez o meu interior, o que faço grande pesar. A minha família, meus avós e pais e a carne de ovelha a sete reias o quilo, tudo isso vai ficar. Mas e preciso seguir minha sina entonces, ao meu interior eu digo: hasta la vuelta!
Três de Maio, cheia de janeiro.
quinta-feira, janeiro 13, 2005
Bueno patrícios, já é sabido de todos com que ressalva eu encaro esse movimento chamado tchê music. Este que tem tomado conta de nossos salões de fandango e que tem cativado muito patrícios deste rincão. Quanto a mim, enquanto eles tocavam: "pega na colher e vai mexendo o panelão" ou " a gang da vaneira chegou"? eu ainda fazia vistas grossas e pensava que, por ser um modismo, este movimento não duraria e logo a campanha tornaria a ser o que era antes. Mas hoje eu ouvi o cumulo do absurdo! Estes animais transformaram uma das músicas da banda Cidade Negra ? Amor igual ao teu ? em vaneira ou algo da espécie. Pouco me importa se esse pessoal usa bombacha estreita, se usa brinco, guitarra elétrica ou bateria eletrônica, aliás não me importo com esse movimento por ser supérfluo e de pouco fundamento. Agora além de transformarem a música de fandango em um punhado de banalidades querem importar bobagens alheias. Daqui a pouco vamos cantar as letras dos grupos de axé e funk em nossos CTGs tudo com uma "nova roupagem". Alguns dizem que temos que modernizar, ampliar horizontes e estarmos abertos a novas experiências. Isso é coisa de fresco! Cantamos a décadas as coisas aqui do pago e o tema não se extinguiu, existem festivais quase que quinzenais por todo o estado e isso sem falar nas centenas de cds lançados todos os meses onde se vê que o tema não precisa de um "nova roupagem". "Falsos tchês estrangeirismos desprovidos de raiz" me lembrei desses verso que resume bem o que é esse movimento. Termino como já terminei alguns posts aqui, om os versos do D. Jaime: "não vou matar meus avós para ficar de bem com os netos"
Três de Maio, nova de janeiro.
quarta-feira, janeiro 12, 2005
Cheguei hoje em Três de Maio, serão duas semanas respirando os ares do interior. É sempre bom voltar a terra onde se nasceu e passou a maior parte da sua vida. Os prédios e os lugares são cheios de lembranças: naquela esquina jogava-se bolita, naquela outra era onde capeávamos namoro, a escola quantas lembranças e o campo de futebol. Parece que enquanto caminho por essas ruas que minha infância não está tão distante de mim. Que meus amigos - agora espalhados por esse mundo véio - ainda estão na suas casas esperando a hora em que poderemos brincar. Nem todas as memórias daqui são boas, assim como nem todos os reencontros são bem quistos, mas essa são as que moram mais longe de mim e que não visito tão seguidamente. Serão duas semanas andando por ruas que me viram crescer, vendo pessoas que me viram crescer e lembrando de um tempo em que não pensava outra coisa, a não ser, crescer. Hoje bombeio o passado e penso que talvez crescer não fora a melhor opção, mas como essa é inevitável, vivo galopeando rumo ao horizonte certo que depois deste, há outros e mais outro que não me fazem, de maneira alguma, esquecer do primeiro.
Três de Maio, nova de janeiro.
sábado, janeiro 08, 2005
Só para informar...
Hoje me presenteou com sua visita o cumpadre Maneador, estamos churrasquenado, falando da vida alheia e tomando umas que ninguém é de ferro. Para nos puxar as rédeas e não deixar a cosa garra pra borracheira a minha Florecita stay acá. Para todos os patrícios nosso abraço e um buenaço final de semana e para o restante dos cumpadres do Capando uma baita quebra costela'
Hasta.
Porto Alegre, nova de janeiro.
quinta-feira, janeiro 06, 2005
La luna
Patrícios, já faz alguns dias que não posto nada no Capando é que a seca que assola o sul do continente também, ao que parece, bateu nas idéias. As novidades são poucas e não muito boas e talvez por isso não as queira contar para ustedes.
Sei que é mais difícil escrever quando se perde o ritmo de produção, principalmente eu que escrevia posts diários, mas para empeçar esta lida basta organizar uma ponchada de idéias e botá-las acolheradas aí no blogue. Quem lê o Capando há mais tempo sabe que as coisas ali variam, mais ou menos, como as estações do ano ou como as fazes da lua. Isso tem lá os seus benefícios, contudo nem sempre se consegue ser constante este cambiar de las lunas. Penso que já faz um tempo que a lua é nova: escura, monótona e triste por estas bandas. E me pego as vezes pensando; porque não mudar!? Ora, se fosse tão fácil alterar as coisas nesta vida, a vida não seria vida, seria - como diz o Maneador - um pacote de quisuco. Mas o lua nova tem de passar, assim como passam as tempestades e as estações das secas, e quando chegar este dia será mui bueno. E enquanto espero preparo as coisas para quando este dia vier. É como se guardasse um par de botas ansiando pelo dia do baile onde iria calça-las, ou aquele baú cheio de bugigangas que não se usa normalmente, mas que se tira o pó e da uma mirada de quando em quando para no momento certo não falharem ou estarem estragadas. Assim então espero que a lua cheia chegue de novo no meu rancho. Trago a guitarra bem afinada e o mate sempre novo, para que quando ela chegar se sinta em casa e queira se aquerenciar. E, quem sabe, de tão faceira convide as estrelas para por aqui também ficar. E sempre haverá lua, e estrelas, e milongas numa noite eterna feita somente para cantar e sonhar.
Porto Alegre, minguante de janeiro de 05.
Sei que é mais difícil escrever quando se perde o ritmo de produção, principalmente eu que escrevia posts diários, mas para empeçar esta lida basta organizar uma ponchada de idéias e botá-las acolheradas aí no blogue. Quem lê o Capando há mais tempo sabe que as coisas ali variam, mais ou menos, como as estações do ano ou como as fazes da lua. Isso tem lá os seus benefícios, contudo nem sempre se consegue ser constante este cambiar de las lunas. Penso que já faz um tempo que a lua é nova: escura, monótona e triste por estas bandas. E me pego as vezes pensando; porque não mudar!? Ora, se fosse tão fácil alterar as coisas nesta vida, a vida não seria vida, seria - como diz o Maneador - um pacote de quisuco. Mas o lua nova tem de passar, assim como passam as tempestades e as estações das secas, e quando chegar este dia será mui bueno. E enquanto espero preparo as coisas para quando este dia vier. É como se guardasse um par de botas ansiando pelo dia do baile onde iria calça-las, ou aquele baú cheio de bugigangas que não se usa normalmente, mas que se tira o pó e da uma mirada de quando em quando para no momento certo não falharem ou estarem estragadas. Assim então espero que a lua cheia chegue de novo no meu rancho. Trago a guitarra bem afinada e o mate sempre novo, para que quando ela chegar se sinta em casa e queira se aquerenciar. E, quem sabe, de tão faceira convide as estrelas para por aqui também ficar. E sempre haverá lua, e estrelas, e milongas numa noite eterna feita somente para cantar e sonhar.
quinta-feira, dezembro 30, 2004
O que tem de Novo no ano?
Tche, as veis fico me perguntando o que tem de novo nesse ano que vai entrar amanhã? Pues que além do 5 nos 2000, o resto não tem nada de novo. Bagé continua sendo a rainha da fronteira, Viamão a capital do Rio Grande, Três de Maio a cidade origem do capando touro a unha e por fim, Ijuí continua dominando o mundo. A percanta tá cada vez mais linda com aquelas crinas avermeiadas, mi hermano curador vai casar, o castrador vai cuida do piá que vai nascer, e o maneador, bueno, o maneador é novo chino, um amante latino...
Mas bueno, feliz troca de numerozinho...
Quebra-costela
Do interior do Rio Grande...
Mas bueno, feliz troca de numerozinho...
Quebra-costela
Do interior do Rio Grande...
terça-feira, dezembro 28, 2004
Já faz um tempito...
Já faz um tempito que o Capando está na Web. O que é mais curioso é que essa iniciativa começou de arreganho, e o pior, é que deu certo. Éramos três, depois quatro qüeras muito interessados na cultura do nosso pago. Cada um com seu estilo acho que fizemos do Capando um mosaico mui capeiro coloriado de pitanga, guabijus, maçanilha... Nossos visitantes, creio que são tão plurais quanto nossotros e isso é bueno uma barbaridade. Se não fossem os chasques dos patrícios, talvez, não postassemos com tanta regularidade. A todos nosso muito obrigado. E aos meus amigos e cumpadres do Capando deixo meu abraço fraterno e a mais sincero sentimento de que esta lida se prolongue por longos anos.
Porto Alegre, cheia de dezembro.
Porto Alegre, cheia de dezembro.
sábado, dezembro 25, 2004
Feliz Natal!
Que neste Natal Jesus possa renascer em nossos galpões trazendo paz, esperança e salvação. Que este menino-Deus nos mostre o sentido da vida verdadeira como somente as crianças podem ensinar. Termino este com alguns versos do D. Jaime. Que Dios os bendiga.
E o Nazareno que vem,
Das bandas de Nazaré,
Chasque divino da fé,
Rastreando a luz de Belém,
Ele que vai morrer também,
Pra cumprir as profecias.
É Natal - nasce o MESSIAS,
Salve o Menino Jesus!
Mas o que fogem da luz,
O matam todos os dias.
Presentes - "Papais Noéis",
Um ano esperando um dia,
Quando a grande maioria,
Sofre destinos cruéis.
O amor pesado a "mil-réis",
E mortos vivos que andam,
Instituições que desandam,
Porque esqueceram JESUS,
O que precisa, é mais luz,
No coração dos que mandam!
Que os anjos digam amém,
Para completar a prece,
Do gaúcho que conhece,
As manhas que o tigre tem.
Não jogo nenhum vintém,
Mesmo sendo carpeteiro,
Mas rezo um Te-Déum campeiro,
Nessa Catedral selvagem,
Pra que faça Boa Viagem,
O enteado do Carpinteiro!
Rio Grande, crescente de dezembro.
E o Nazareno que vem,
Das bandas de Nazaré,
Chasque divino da fé,
Rastreando a luz de Belém,
Ele que vai morrer também,
Pra cumprir as profecias.
É Natal - nasce o MESSIAS,
Salve o Menino Jesus!
Mas o que fogem da luz,
O matam todos os dias.
Presentes - "Papais Noéis",
Um ano esperando um dia,
Quando a grande maioria,
Sofre destinos cruéis.
O amor pesado a "mil-réis",
E mortos vivos que andam,
Instituições que desandam,
Porque esqueceram JESUS,
O que precisa, é mais luz,
No coração dos que mandam!
Que os anjos digam amém,
Para completar a prece,
Do gaúcho que conhece,
As manhas que o tigre tem.
Não jogo nenhum vintém,
Mesmo sendo carpeteiro,
Mas rezo um Te-Déum campeiro,
Nessa Catedral selvagem,
Pra que faça Boa Viagem,
O enteado do Carpinteiro!
Rio Grande, crescente de dezembro.
domingo, dezembro 19, 2004
Despedida
Que tristeza lhe encheu os olhos naquela manhã em que bombeou o piazito pela última vez. Sabia que era a derradeira, não por planos ou previsão, mas porque o desgraçado destino o tinha traçado assim. O guri acenava com a mesma certeza no semblante e uma lágrima sestrosa veio molhar-lhe o nariz. O dia nem bem raiava, mas este, parecia tão escuro como noite de lua nova. Montando no mouro, as encilhas puídas e uma queixa mui amarga no peito. Porque tinha que partir? Porque!? O restante da gurizada dormia, se não dormia deixaram-se ficar nas camas para não vê-lo partir. Apenas o piazito tivera a coragem de dar-lhe adeus. Sempre que olhava para este o sabia mui valente e se orgulhava. Segurou firme nas rédeas, apertou o barbicacho e cutucou nas ancas do mouro, este saio num trotezito entonado. O taura já não olhava para traz, talvez porque não quisesse ver o filho chorar, talvez por não querer que lhe visse chorar. Assim partiu, rumo as barras do dia novo que lhe preparavam as mais amargas venturas.
Porto Algre, cheia de dezembro.
quinta-feira, dezembro 16, 2004
ARTIGOS DE FÉ DO GAÚCHO
Diretamente de Contos Gauchescos de Simões Lopes Neto, pra provar pros calavera que nóis também somo uns homê de muita fé!
"Muita gente anda no mundo sem saber pra quê: vivem porque vêem os outros viverem.Alguns aprendem à sua custa, quase sempre já tarde pra um proveito melhor. Eu sou desses.Pra não suceder assim a vancê, eu vou ensinar-lhe o que os doutores nunca hão de ensinar-lhe por mais que queimem as pestanas deletreando nos seus livrões. Vancê note na sua livreta:
1º. Não cries guaxo: mas cria perto do teu olhar o potrilho pro teu andar.
2º. Doma tu mesmo o teu bagual: não enfrenes na lua nova, que fica babão; não arrendes na miguante, que te sai lerdo.
3º. Não guasqueies sem precisão nem grites sem ocasião: e sempre que puderes passa-lhe a mão.
4º. Se és maturrango e chasque de namorado, mancas o teu cavalo, mas chegas; se fores chasque de vida ou morte, matas o teu cavalo e talvez não chegues.
5º. A maior pressa é a que se faz devagar.
6º. Se tens viajada larga não faças pular o teu cavalo; sai ao tranco até o primeiro suor secar; depois ao trote até o segundo; dá-lhe um alce sem terceiro e terás cavalo para o dia inteiro.
7º. Se queres engordar o teu cavalo tira-lhe um pêlo da testa todas as vezes da ração.
8º. Fala ao teu cavalo como se fosse a gente.
9º. Não te fies em tobiano, nem bragado, nem mela-do; pra água, tordilho; pra muito, tapado; mas pra tudo, tostado.
10º. Se topares um andante com os anelos às costas, pergunta-lhe - onde ficou o baio?...
11º. Mulher, arma e cavalo do andar, nada de emprestar.
12º. Mulher, de bom gênio; faca, de bom corte; cavalo de boa boca; onça, de bom peso.
13º. Mulher sardenta e cavalo passarinheiro... alerta, companheiro!...
14º. Se correres eguada xucra, grita; mas com os homens, apresilha a língua.
15º. Quando dois brincam de mão, o diabo cospe vermelho...
16º. Cavalo de olho de porco, cachorro calado e homem de fala fina? sempre de relancina...
17º. Não te apotres, que domadores não faltam...
18º. Na guerra não há esse que nunca ouviu as esporas cantarem de grilo...
19º. Teima, mas não apostes; recebe, e depois assenta; assenta, e depois paga...
20º. Quando 'stiveres pra embrabecer, conta três vezes os botões da tua roupa...
21º. Quando falares com homem, olha-lhe para os olhos, quando falares com mulher, olha-lhe para a boca... e saberás como te haver...
...................................................................................................................................................
Que foi?Ah! quebrou-se a ponta do lápis?Amanhã vancê escreve o resto: olhe que dá para encher um par de tarcas!... "
Dos interior da Provincia, dezembro de 2004
"Muita gente anda no mundo sem saber pra quê: vivem porque vêem os outros viverem.Alguns aprendem à sua custa, quase sempre já tarde pra um proveito melhor. Eu sou desses.Pra não suceder assim a vancê, eu vou ensinar-lhe o que os doutores nunca hão de ensinar-lhe por mais que queimem as pestanas deletreando nos seus livrões. Vancê note na sua livreta:
1º. Não cries guaxo: mas cria perto do teu olhar o potrilho pro teu andar.
2º. Doma tu mesmo o teu bagual: não enfrenes na lua nova, que fica babão; não arrendes na miguante, que te sai lerdo.
3º. Não guasqueies sem precisão nem grites sem ocasião: e sempre que puderes passa-lhe a mão.
4º. Se és maturrango e chasque de namorado, mancas o teu cavalo, mas chegas; se fores chasque de vida ou morte, matas o teu cavalo e talvez não chegues.
5º. A maior pressa é a que se faz devagar.
6º. Se tens viajada larga não faças pular o teu cavalo; sai ao tranco até o primeiro suor secar; depois ao trote até o segundo; dá-lhe um alce sem terceiro e terás cavalo para o dia inteiro.
7º. Se queres engordar o teu cavalo tira-lhe um pêlo da testa todas as vezes da ração.
8º. Fala ao teu cavalo como se fosse a gente.
9º. Não te fies em tobiano, nem bragado, nem mela-do; pra água, tordilho; pra muito, tapado; mas pra tudo, tostado.
10º. Se topares um andante com os anelos às costas, pergunta-lhe - onde ficou o baio?...
11º. Mulher, arma e cavalo do andar, nada de emprestar.
12º. Mulher, de bom gênio; faca, de bom corte; cavalo de boa boca; onça, de bom peso.
13º. Mulher sardenta e cavalo passarinheiro... alerta, companheiro!...
14º. Se correres eguada xucra, grita; mas com os homens, apresilha a língua.
15º. Quando dois brincam de mão, o diabo cospe vermelho...
16º. Cavalo de olho de porco, cachorro calado e homem de fala fina? sempre de relancina...
17º. Não te apotres, que domadores não faltam...
18º. Na guerra não há esse que nunca ouviu as esporas cantarem de grilo...
19º. Teima, mas não apostes; recebe, e depois assenta; assenta, e depois paga...
20º. Quando 'stiveres pra embrabecer, conta três vezes os botões da tua roupa...
21º. Quando falares com homem, olha-lhe para os olhos, quando falares com mulher, olha-lhe para a boca... e saberás como te haver...
...................................................................................................................................................
Que foi?Ah! quebrou-se a ponta do lápis?Amanhã vancê escreve o resto: olhe que dá para encher um par de tarcas!... "
Dos interior da Provincia, dezembro de 2004
Uma mandinga das forte...
Andam nos questionando Rio Grande a fora porque que só o maneador não se arregla com nenhuma china, bueno, depois de muito matuta chegamo a conclusão no último churrasco, o homem tá com olho grande. Entonces, resorvemô "bosteá" uma mandinga das forte pra espantar mal olhado:
MANDINGA CONTRA OLHO-GRANDE
Banhos De Ervas:
- arruda macho (a arruda fêmea tem folhas negativas);- alfavaca-levante.
Pode-se comprar as folhas secas e botar em infusão na água quente. Deixar esfriar para tomar o banho de manhã cedo - da cabeça aos pés.Outro modo de preparar o banho é macerar as folhas com as mãos dentro d'água até a água ficar escura. Deixa-se descansar e toma-se o banho - sempre frio - dá cabeça aos pés - pela manhã.
No caso do Maneador, o negócio é toma banho com água escaldando...quebra-costela, hermano!
Dos interior da Provincia, dezembro de 2004.
MANDINGA CONTRA OLHO-GRANDE
Banhos De Ervas:
- arruda macho (a arruda fêmea tem folhas negativas);- alfavaca-levante.
Pode-se comprar as folhas secas e botar em infusão na água quente. Deixar esfriar para tomar o banho de manhã cedo - da cabeça aos pés.Outro modo de preparar o banho é macerar as folhas com as mãos dentro d'água até a água ficar escura. Deixa-se descansar e toma-se o banho - sempre frio - dá cabeça aos pés - pela manhã.
No caso do Maneador, o negócio é toma banho com água escaldando...quebra-costela, hermano!
Dos interior da Provincia, dezembro de 2004.
Retovando as porvadeiras....
Buenas indiada,
Depois de uns atrasos graças a um capão que se desgarrou, tamo aí de novo pra "bosteá" um chasque de fundamento. Queremo dizer que temo a crença de que o tal de mundo é uma porção de terra ao redor do Rio Grande, mas também arreglamo a idéia de que nasceram alguns gaúchos fora do Rio Grande. Em especial, aquela turma buena lá de Lages..um retovado quebra-costela...pra indiada, em especial pra Dna.Cláudia "Tirana", que aprecia a cachorrada aqui do Capando...
Dos interior da Provincia, Dezembro de 2004.
Depois de uns atrasos graças a um capão que se desgarrou, tamo aí de novo pra "bosteá" um chasque de fundamento. Queremo dizer que temo a crença de que o tal de mundo é uma porção de terra ao redor do Rio Grande, mas também arreglamo a idéia de que nasceram alguns gaúchos fora do Rio Grande. Em especial, aquela turma buena lá de Lages..um retovado quebra-costela...pra indiada, em especial pra Dna.Cláudia "Tirana", que aprecia a cachorrada aqui do Capando...
Dos interior da Provincia, Dezembro de 2004.
Peçuelos Entesourados
O Sonho do Carreteiro
Luiz Menezes
Carreteou anos a fio.Conhecia palmo a palmoas estradas da querência;Sabia onde dava passo- no tempo das enxurradas -aquele arroio sotretacemitério de carretadisfarçado em água mansaVira nascer muitos ranchosnesse corredor sem fim.Sabia que na picadalogo depois do lagoão,o umbu do enforcadodera lenda prás estóriasdos bolichos, das ramadas.Sabia bem todo o causoda tapera do repecho:A maula traíra o guascae este sem dó nem piedade,cortara junta por juntao belo corpo morenodaquela indiazinha loucaque se engraçara num piá ...Mas além, no Passo-feiovira morrer um tal Juca.Eram três contra o rapaz.E como morrerra lindoaquele guasca sem medo ...A estória ficou em segredopois diz que o tal de mandanteera mui relacionado,e até contraparentede um graudaço do povo.Conhecia palmo a palmoas estradas da querência,sempre fora carreteiro.Envelhecera na lidasem conhecer outra vidasem ter outra ocupação.Tinha por seu ganha-pãoa velha carreta amigacompanheira de cantigadaquele piazinho vivoque era, alegria e motivode seu final de existência.Pois ficaram bem solitosmais amigos do que antesdes?que a finada se fora ...Por isso sempre de noitea meia luz do candieiroficava horas inteirasmostrando prá seu piazinhoas letras do ABC.E o piá com muita memóriadecorava uma por umaas letras que galopeava,ou por outra, engarupavanas palavras do jornal.Como era esperto o guri:Foi duas, três paletadasjá sabia mais que o pai ...E foi numa dessas noitesque o velho e bom carreteiroteve um sonho de repente.E quasi num gesto loucogritou prás quatro paredesenfumaçadas do rancho:Meu filho há de ser doutor!Não há de ser carreteiro,pois estas mãos calejadasdo peso-bruto, da enxada,hão de sangrar no trabalhoprá que este piazinho feioviva melhor do que eu ...Pura e santa ingenuidade!O arroio-sociedadeprá o pobre nunca dá vau!!No outro dia cedinhoenveredou para o povo ...Voltava a velha carretaA resmungar nas estradasna viajada da esperançacarregadinha de sonhos.E o pobre e bom carreteiroia falando de tudocom seu piazinho faceirodentro da bombacha nova.Não esquecia de nadanos seus conselhos de pai:Se lá no povo à tardinhao piá sentisse saudade,bombeasse prá o horizonte,que alguém solito decertomeio tristonho é verdade,mateando assim com saudadeestaria a lhe esperar ...Que importa se demorasse,pois nunca ouvira dizerque a tal saudade matasse.Mas nesse dia por certoQuando voltasse doutortudo havia de mudar.Até o céu com certezamorada das almas purasouviria com ternurauma indiazinha chorar.E as estradas da querênciaque conhecia demais,lhe viram passar felizcom novo brilho no olhar.Mas lá no povo - cuê-puxa! -Bateu em todas as portasclamou por todos os santosrecorreu todos os amigos- muitos dos quais ajudara -andou quase mendigando,Prá dar escola pra o filhomas ninguém quis lhe escutar... E a esperança foi mermandofoi mermando ... e se apagou.Botou a carreta na estradao Piazinho dentro delatocou de volta outra vez.A noite então já chegara.Naquela enrugada carade gigante das estradasuma lágrima teimosaveio molhar-lhe o nariz ...Olhou o filho com carinho,mas com muito mais carinhoCom mais amor do que antese uma queixa derramou:Quem nasce lutando buscaa morte por liberdade!Mentira! A tal de igualdadenão existe por aqui... Que adianta se amar aos outrosse os outros não dão amor?Pega a picana, piazinhoe acorda esse boi manheiro,pois filho de carreteironunca pode ser doutor!!
Porto Alegre, minguante de dezembro.
terça-feira, dezembro 14, 2004
Ginete
"Cutuca na picanha!", gritava junto ao alambrado o patrão. Homem mui sério, dono de um vasto bigode, um corpanzil que apesar da idade inda se mostrava forte e um vozeirão, que num rompante, fazia a peonada tremer. "Dá-lhe rédea.", "esporeia" bradava eufórico o patrão. E o pobre ginete se via apertado. O vermelho corcoveava, escarciava e mudava de direção abruptamente e o homem, como que feito de mola, ia de um lado ao outro sem cair do lombo do maula. Que polvadeira levantou. Parecia até que eram dezenas de cavalos e não apenas um que corcoveava. Eram dois tauras peleando. Cada qual com seus objetivos: um pela liberdade; outro pelo soldo, pelo nome, pelo patrão. Quando estava no alto, no ápice do corcovo, o índio bombeava e via lá longe a estância e perdia-se num pensamento: Maria Rita. A filha linda daquele patrão que ralhava e gritava com ele. Estaria agora com o terço na mão, desfiando lentamente numa lamúria, pedindo a Virgem que protegesse aquele peão. Ah, Maria Rita, quanto desvelo, quanto afeto para te dedicar! E o ventena não desiste em seu entono de redomão. O ginete que por mirar a estância se perdera num sonho, volta a grudar-se nas rédeas e trata de fincar as esporar neste infame.
Com a cara vermelha, lambuzada pela terra que os corcovos levantavam e que no rosto se misturaram ao suor, parece até um índio ancestral. Desses que habitavam estes rincões antes de qualquer outro. Parecia que as gotas de suor que escorriam da testa e desprendiam-se do corpo na ponta do queixo eram sangue da terra, do homem e do cavalo. Foi quando num repente, o maula atracou-se na cerca da mangueira. Cuê Pucha! E o ginete olhos esbugalhados, veias saltadas pela força que empreendia, vira o malino atracar-se na cerca em desespero vira, também, o chão, a terra... e quando tentava levantar vira duas patas erguidas no ar, olhos como de um demônio e uma estocada na fronte. O céu tingiu-se de rubro e em meio a este rubror pode ver Maria Rita, na frente do oratório terço na mão, mãos mui brancas e delicadas, que virava para ele e lhe estendia os braços em abraço.
Desfaleceu sorrindo, os olhos abertos enquanto o patrão e a peonada se benziam.
Porto Alegre, nova de dezembro.
Com a cara vermelha, lambuzada pela terra que os corcovos levantavam e que no rosto se misturaram ao suor, parece até um índio ancestral. Desses que habitavam estes rincões antes de qualquer outro. Parecia que as gotas de suor que escorriam da testa e desprendiam-se do corpo na ponta do queixo eram sangue da terra, do homem e do cavalo. Foi quando num repente, o maula atracou-se na cerca da mangueira. Cuê Pucha! E o ginete olhos esbugalhados, veias saltadas pela força que empreendia, vira o malino atracar-se na cerca em desespero vira, também, o chão, a terra... e quando tentava levantar vira duas patas erguidas no ar, olhos como de um demônio e uma estocada na fronte. O céu tingiu-se de rubro e em meio a este rubror pode ver Maria Rita, na frente do oratório terço na mão, mãos mui brancas e delicadas, que virava para ele e lhe estendia os braços em abraço.
Desfaleceu sorrindo, os olhos abertos enquanto o patrão e a peonada se benziam.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
Bonito umas quantas veis...
Tche, agora sim tá bueno, o chinaredo tá alvoraçado de agarra nosotros pelas ruas a fora...Bendita hora que "bostearam" esta foto no blog. Tamo facero, unas quantas veis, também uns tauras destes...mas bah...
Se preparem que para o ano de 2005 teremos unas novidades...e entonces, hasta la vuelta, hermanos....
Se preparem que para o ano de 2005 teremos unas novidades...e entonces, hasta la vuelta, hermanos....
quinta-feira, dezembro 09, 2004
Retrato dos Bunitos
Suspiro de muié é um som lindo por demás, para incentivar tal ato, coloco essa foto dos quatro macanudos que escrevem nesse blog campeiro pra mais de metro.

quarta-feira, dezembro 08, 2004
Envaretado
Tchê, hoje é um daqueles dias que o índio acorda de guampa torcida e, Deus o livre, de alguém se atravessar na frente. Isso é potencializado quando se é um qüera mui tranqüilo, como yo. Bueno, depois de uma manhã de calmaria, a tarde foi de descogatar qualquer um e da noite nem se fala: um filmezinho holywodiano desses com uma moral puritana e pra arrematar, avaliação. Fico pensando que a faculdade me faz, as vezes, perder ulgumas faculdades importantes, principalmente a calma. Mas, o que fazer!? O jeito é agüentar, já que, o ano está terminando. Patrícios, peço escusas pelo envaretamento é que de vez em quando o saco é pequeno para tanta baboseira. Faço votos que amanhã seja um pouquito melhor.
Porto Alegre, minguante de dezembro.
quinta-feira, dezembro 02, 2004
quarta-feira, dezembro 01, 2004
Letraiada Redonona
Hoje as letras estão redomonas. Não hay quem as embuçale. Se largaram a la cria, e eu cá neste petiço cansado já não as trago no laço como antes. Como o campo idéia é mui largo se bandearam pro rumo do capão e não tem vivente que tire essa tropilha de letras daí de dentro. O petiço é sestroso e já vem esgualepado de um dia de lida. Que fazer? Desencilho na beirada do capão e espero que saiam. Enquanto não vêm, cevo um mate faço um foguito e pito para espantar a musquitama que se alvorota. Que lida bem braba seu! Ficar embretado por causa de umas letrinhas. Como não hay solução o jeito é esperar, quem sabe a sorte mude e depois da sesteada essa tropa marvada pra mangueira consiga levar. Me lembro certito de cada uma delas: as malhadas são "us", as salinas "as" e assim por diante todo o "abc". Mas de que adianta lembrar se esse praguedo se toco no mato e não há quem tire. Como não ideio nada, é melhor encilhar tocar pro rumo das casa e amanhã madrugadita volto pra, de novo, tentar engarupar uma a uma essa tropilha de letras
.
Porto Alegre, cheia de dezembro.
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