quarta-feira, junho 22, 2005

Festivais

Já fazem alguns dias que meu computador empeçou a não querer funcionar, desde então, deixei de postar. Embora tivesse algumas novidades para contar que ahora, nem mais novidades são, talvez história, mas quem gosta de história mesmo é o hermano Maneador deixo passar essa.
Bueno patrícios, durante toda a semana passada corri em função da faculdade e nesta semana as coisas já estão mais tranqüilas. Contudo o que eu queria charlar é sobre o programa que ouvi hoje na Rural: alguns músicos e interpretes dos festivais nativistas estavam discutindo sobre a renovação destes. Bueno, a prosa girou em torno de novas temáticas, de inserir novos contextos e da má qualidade das composições dos últimos tempos, o que é verdade. Sobre isso falávamos outro dia eu e o compadre Marcador, de como as composições, da linha campeira principalmente, eram vazias de conteúdo. Será que o campo é feito apenas de cavalo, estrivo e laço? Creio que não. Foi interessante o debate, ainda que um que outro participante advogasse em causa própria. Penso que o movimento dos festivais é muito importante para nossa cultura musical. E que a partir desse tão belo movimento, muitos acabam por conhecer a alma gaúcha, para então, apaixonarem-se por ela, por esse estilo de vida e jeitão de ser.

Porto Alegre, cheia de junho.

P.S. Finalmente o frio chegou!

domingo, junho 19, 2005

Maldita Maquina

Oigale, indiada. sinto muito informar aos patricios que meu computador não para de incomodar. Entoces, por isso que não estou postando. Gracias por não deixarem de nos visitar. Assim que ele ficar bom eu volto a produzir normalmente. Quebra-costela.
Porto alegre, nova de junho.

terça-feira, junho 07, 2005

Tormenta

"Maria, chama os guris que vem tormenta!" gritou Nicácio da porta do rancho para Maria que estava no pátio recolhendo a roupa. Ela voltou o olhar por cima do ombro e continuou sua tarefa despreocupadamente. O esposo, ao ver que mulher não dera importância para o seu conselho, saiu a procurar a gurizada. "Esses malevas! Devem estar por aí fazendo arte e eu aqui me importando com eles." Enquanto Nicácio campeava pelos filhos, uma barra negra e densa vinha mui ligeira do lado chovedor. "La pucha! Ou eu encotro logo esse piazedo, ou tomo essa chuva no lombo." Pensava contrariado. Preferia estar em casa meteando, onde já se viu ele o homem da casa ter que correr atrás dessa piralhada, o pior é que Maria nem fizera causo do que dissera. "Essa mulher!" "De uns tempos para cá finge que não me ouve. Primeiro aquelas rusguinhas por minhas idas ao comércio de carreira, agora esse silêncio que as vezes me tira do sério. Qualquer dia eu perco a paciência e, aí, ela vai ver o que é bom prá tosse." E o tempo véio fechando, tronando alto, fazendo da meia tarde, tardezinha. "Onde se meteram aquelas pragas!" "Quando é para ir à escola é aquela ladainha, mas pro retouço não tem ruim." Nicácio ia nesse passo, um pouco praguejava, outro pouco bombeava as nuvens gordas sobre sua cabeça. "O pior é que saí sem chapéu, agora essa maldita tormenta empeça e eu quero vê." "Fulano!, Betrano!" "Quem sabe quando eu voltar a mulher esteja mais mansa. Pode ser que até me regale com algum carinho por ter ido atrás dos guris." "Bah! Já faz um tempito que ela nem me olha. Se deita vira pro lado e pronto. E eu loco de brabo. Tenteio ainda algum carinho, mas a bicha faz que tá dormindo e fico chupando o dedo." De repente, um clarão dali a pouco um estrondo. "Esse foi perto!" "Melhor eu achar os piás loguito" Apertou o paço rumo ao capão, gotas pesadas e mornas já lhe batiam no rosto. Parou, chamou e nada dos filhos. "Já devem ter voltado pra casa, numa altura dessas." Vez meia volta e a trotezito garrou o rumo do rancho. "De hoje a Maria não passa, ou ela cumpre com seu papel de esposa, ou me mudo pra zona." Por um instante parou, silente, e reparou na bobagem que pensara. Onde já se viu ele um homem de bem ir morar na zona...
Quando chegou perto da morada, os meninos já estavam coma mãe à porta. Entrou, cabeça baixa, tirou a roupa encharcada tomou um trago e foi se deitar. Enquanto, lá fora a tormenta já tinha cruzado e, agora, uma chuva mansinha caia.

Porto Alegre, minguante de junho.

domingo, junho 05, 2005

RANCHO QUE A ÁGUA LEVOU

No rastro da boieira
Fiz estradas pro coração
Ergui despassito o rancho
De "santa fé" e ilusão
Fui juntando a gadaria
Lombilhado no gateado
De erva buena cevei mate
Pra tomar bem sossegado
De manhã o quero-quero
Clarinando a alvorada
À noite o chiar da cambona
Pra aquecer a madrugada
Vida buenacha de campo
De rotinas tão serenas
E o meu sorriso estampado
No lustre das minhas chilenas
Tempestade deu no campo
Quando eu menos esperava
Água sem pedir licença
Levou tudo que eu prezava
E eu que me tinha por taura
Me vi berrando feito guacho
Implorei, realidade nova,
Ali dobrou-se o meu penacho
Foi um grito dado ao vento
Retumbando na imensidão
Como que pedindo vaza
No rodeio da solidão
Tentei domar as lágrimas
Envidei mas perdi de mão
O choro desembretou-se
Por não ver mais solução
E o rastro daquela boieira
Há muito em mim se apagou
Hay quem fale de esperança
Mas a mim, ninguém falou
Eu sou mais um desgarrado
Campeando a tal felicidade
Por favor, alguém me diga
Se ela existe de verdade!

Porto Alegre, minguante de junho.

P.S. Se alguém souber onde se escondeu frio por favor me avisa.

quinta-feira, junho 02, 2005

Herança

De que o gaúcho é nostálgico ninguém tem dúvida alguma, mas não se trata de um sentimento ruim que nos fixa no passado fazendo-nos esquecidos do presente e deleixados do futuro. Antes é saudade e fundamento de quem somos e, portanto, não se trata apenas de nostalgia, mas herança, saudosa e feliz herança. Creio que Silva Rillo em seu poema Herança retrata, melhor do que eu, esse sentimento. Por isso transcrevo abaixo um fragmento seu para deleite dos patrícios:

Por isso um berro de boi nos toca tanto
e tão profundamente.
Por isso somos guardiões de casas velhas,
almas de sesmarias e de estâncias,
paredes que suportam seus retratos.

O músculo do boi na força que nos leva.
A barba dos avós como um selo no queixo.
O doce das avós na memória da boca
e nela este responso:

- Naqueles tempos, sim, naqueles tempos...

Porto Alegre, minguante de junho.

terça-feira, maio 31, 2005

Entono de Taita

Patrícios, o tempo por cá anda escasseando, a escapar por entre os dedos, como areia a fugir por seus vãos. É o trabalho daqui, estágio de lá e a vida acaba se transformando numa corrida para um destino que ainda não sei o final. Digo isso porque nesse muito fazer, acabo por tornar o lida irrefletida. Ando quase embuçalado tocado para um lado e outro pelo patrão chamado ativismo. Cuê pucha! Que saudade da campanha, dos tempos onde entre as tarefas sempre tinha um mate, uma prosa. Agora o que faço é botar o buçal, sentar em frente a máquina e tocar ficha. O pior patrícios é que esse estado gera insensibilidade fazendo do mundo, da vida, teclas, programas e labor sem serventia. Ando ensimesmado com isso. Até do Capando, meu local de reflexão, ando desleixado. Contudo, não frouxo o garão e sigo tocando cavalo e quando me percebo embuçalar, redomoneio num entono de taita querendo ser livre, pelo menos para sonhar.

Porto Alegre, minguante de maio.

P.S. Abraço para os cumpadres Maneador, Castrador e Marcador què Dios os bendiga hermanos.

sábado, maio 21, 2005

Já sinto saudade

Hoje um dos comodos aqui de casa ficou vazio. Hoje uma voz calou-se dentro do meu rancho. Meu companheiro Quincas partiu, deixando um silêncio que não sei se vou acustumar. Não sei o que vou fazer nas manhãs quando cevo o mate e não mais ouvirei sua alegria manheira. Se foi, não porque quisesse, mas partiu. A mim ficou o sentimento de tristeza de pelo menos poder ter dito adeus, ou um hasta luego hermano. Imagino que esteja em um lugar mui lindo com campo, aguada farta e lindas manhãs de sol. Quem conheceu o Quincas sabe do que falo. Até um dia amigo em que nos escontraremos e, de novo, vou oyir tuyo cantar. Hasta luego.

Porto Alegre, nova de maio.

domingo, maio 15, 2005

Buenas Muchachos



Sou que nem um desses parentes que moram nalgum rincão distante. Quase nunca aparecem, mas quando dão as caras, sempre trazem algum agrado, uma lembrança, um mimo, como chamavam antigamente, como que para compensar a desfeita de não estar sempre presente, ou mesmo para se fazer sempre presente através do objeto.
Nesse aniversário do Capando, presenteio tanto os amigos e patrícios que nos visitam assim como aos compadres e hermanos desse blog.

Aqui está, entonce, para todos que se apetecem, mais um papel de parede do blog mais campeiro desse universo e de todos os outros.
Basta clicar na imagem acima, baixar a imagem grandota que aparecer, e usá-la para enfeitar o fundo de tela do seu PC ou Macintosh (fica mais bonita no Mac, mas é a vida). Pronto, teu computador está prá lá de macanudo! Pode chamar seus amigos para ficarem admirando juntos a tela do seu PC. Se não baixasse o Wallpaper da faca ainda, entonces aproveita agora, clique na imagem ao lado e complete a sua coleção!

Nessa época de desarmamento, casamento homoafetivo e outras frescuralhadas más, sempre é bom homenagear a velha amiga do gaúcho, que junto da adaga e da faca, foi a ferramenta com que se desenharam as fronteiras desse nosso chão. Esse singelo trabuco, fotografado em uma estância perto da divisa com o Uruguai, foi o sinal de alerta que avisava para muitos "hermanos orientales" que: "Daqui tu não passa vivente!" E assim foi sendo desenhando as tais fronteiras, que na prática impediram que se falasse espalhol nessa terra de Deus.

Que esse governo tome então vergonha na cara e deixe de querer assento na ONU em troca de objetos tão queridos e importantes para a soberania nacional.
Que reine a pistola na cintura, a faca na guaiaca, e o gaúcho no pampa!

Feliz um ano de vida, Capando Touro a Unha

sábado, maio 14, 2005

Um dia, dois sentimentos

Hoje é um dia de muita alegria para nós do Capando, há um ano que estamos no ar. Isso não é coisa pouca, julgando que os blogs na internet têm dois ou três meses de vida em média. São três mil e pico de visitas, muitos chasques, muitos amigos, que só não nomeio por que ia ser um post por demais de cumprido.
Patrícios ao mesmo tempo que estamos pra lá de faceiros, doe-nos o peito, pois hoje é aniversário de falecimento de nosso saldoso César Passarinho.
São, portanto, dois os sentimento que nos tomam neste dia e acho que ele bem ilustrou o que senti. Começou ensolarado quente e agradável; para findar nublado, mormacento e triste.
Felizes e nostálcos nos despedimos.
Até o próximo se Deus quiser.

Porto Alegre, nova de maio.

quarta-feira, maio 11, 2005

O gaúcho, ao SUL

Neste ano que passou por diversas vezes tentei perscrutar a alma do gaúcho, tentando saber dos seus sonhos, suas angústias e outros temas que pensava serem relevantes. Embora muitos na academia tentem dizer que o gaúcho como tal é concebido não passa de um conceito mítico. Citam, por exemplo, Cyro Martins e sua "triologia do gaúcho a pé" Érico Veríssimo e o seu conhecido romance "O tempo e o vento" como expressões dessa demitologização. O fato é que existem idealizações do gaúcho, de seus valores e da sua identidade, mas esse não é padrão que adotei durante o decurso deste ano. Intentei examinar minha identidade, primeiramente, para depois traçar um paralelo com as dos meus patrícios. Como não me concebo sendo um ser mítico, nem tão pouco um ideal percebo que a tarefa foi um tanto histórica, quanto real. Dizer que o gaúcho se descaracterizou por morar nas cidades é uma falácia, argumentar que as tradições e a cultura são produtos dela, também é uma inverdade. O fato é que nossa personalidade foi formada por fatores externos e internos: a situação de fronteira, a economia voltada para o modelo agropastoril, a imigração de livre (alemães, italianos, polacos entre outros) e a cativa (africanos principalmente), nosso forte vínculo com a América Latina, todos esses fatores foram formadores importantes dos fundamentos gaúchos. Daí dizer que o gaúcho perdeu sua identidade não pode ser possível. Mesmo aqueles que não tiveram suas vidas ligadas ao campo foram influenciados por ele, ainda que não sejam descendentes de imigrantes tiveram marcas da imigração. Por isso é que são nossos fundamentos. Não estou de forma alguma fazendo nenhum tipo de apologia a uma raça superior, apenas destacando nossas singularidades. Desses fatos expostos de forma bastante sintética concluo que o gaúcho existe, é real. Cabe ainda refletir sobre as idealizações do gaúcho, mas isso é matéria para outro post.

Porto Alegre, nova de maio.

sábado, maio 07, 2005

Daqui uma semana, um ano

Buenas patrícios, parece que foi ontem que num domingo, de borracheira bárbara, três índios tacos resolveram empeçar um blog mui vaqueano. Assim nasceu o Capando. Esse não é o post que comemora essa data mui importante é apenas para preparar os patrícios.

Mudando de saco para mala, intentei de colocar na nossa comunidade no yogurte de fazer uma festança dos amigos do Capando. Sabe como é tudo é motivo para carne gorda e bailanta. Entonces, se agradar dos patrícios, que vivem em POA, de fazer tal bochincho que mandem um chasque.

No mais, ando tocando cavalo e a dê-lhe xote e dê-lhe trago a moda antiga até o dia clarear.

Porto Alegre, nova de maio.

Mas tche!

Bueno, despues de muito tempo sem bostea..tamos ai de novo.
Muito água correu debaixo da ponte...muito peleia se originou, cagamo muito indio a bala...mas é aquela história não tá morto quem peleia. Viva o Rio Grande do Sul, Viva a Revolução Farroupilha e pela ´Glória do Deus altissimo.
Quebra-costela a todos, repito tamos aí de novo, isto é vortemô!
Marcador

quinta-feira, abril 21, 2005

Num repente

Bueno, se foi a semana, o mês e o inverno vem assobiando a trotezito.
E quando se vive na cidade não se consegue perceber muito bem esse cambiar das estações e até do tempo. Esse é sempre urgente e imediato todo mundo correndo atrás dele e ele, por cabuloso, é quem corre deatrás dessa gentarama. Das estações nem se fala, o frio nunca é frio o suficiente e o calor sempre é demais, o porquê disso deixo para os meteorologistas explicarem. Mas, o que me impressiona é que num repente, no cair da folha do calendário se fez outono, já faz uns dias, nem pude contemplar as folhas amarelidas do cinamomo, as laranjas e bergamotas madurando... Cuê pucha! Tem coisas que a cidade me tirou e eu não consigo esquecer.
Porto Alegre, nova de abril.

sexta-feira, abril 08, 2005

Horas Silentes

Buenas patrícios. Ando meio relaxado com o Capando nos últimos tempos. Não é por falta de assunto, tampouco, porque este tenha deixado de ser uma das minhas alegrias. Ao certo não sei explicar exatamente o que está acontecendo, talvez esteja passando pelo mesmo problema que assolou o Érico, comparações à parte, eu acho que este tempo de silêncio possa ser um estado do espírito. É como quando no rancho ficamos bombeando de um lado para o outro para tentar encontrar o que fazer. Ou, quando, no alto de uma coxilha, numa mirada para o poente paramos sestrosos, tamanha a beleza da criação. Há ainda aqueles momentos de solitude e silêncio, na hora do mate, quando a única prosa que empeçamos é conosco mesmos. Hermanos, hay que endurecer, mas perder a ternura jamais. Esses espaços silentes são quando paro e sovo o lombilho recém comprado. No começo incomoda, contudo depois fica de mi flor e as idéias são assim: quando nascem dentro do peito demoram para tomar cancha. Penso que seja isso, tenho muitas delas querendo romper o alambrado. Por enquanto, fico madurando as que tenho comigo, para um dia talvez as escrever.

Porto Alegre, nova de abril

domingo, abril 03, 2005

Hasta Luego!

Ontem se foi rumo a estância do Céu, onde provavelmente o Patrão de nosotros todos estava a espera com um mate cevado, João Paulo II. Sentimos muito e nossa prece a Deus é de que ele console a todos os nossos irmãos e irmãs no mundo todo. Um grande líder, embora imperfeito, que soube unir a sabedoria à devoção, só pode ser admirado. Em nome do Capando fica esta singela homenagem a este homem. Hasta luego hermano!

Porto Alegre, minguante de abril.

quinta-feira, março 24, 2005

Rancho

A luz da lua que entrava pelas frestas das paredes do rancho fazia enxergar o escasso mobiliário: uma mesa, dois mochinhos, algumas panelas de ferro e um chaleira enegrecida pela fuligem. Tudo era silêncio e calma, e a noite a desfiar sua cantilena. O teto de zinco com remendos aqui e ali que se tornavam goteiras nos dias de enxurrada. Porta e janelas rudes, sem pinturas e uma pequena varanda onde se viam estendidos sobre o cavalete as encilhas. Aquela morada simples abrigava seus segredos revelados em coplas embaladas ao assobiar do Minuano. Quando o frio era intenso seus esteios de curunilha pareciam tiritar acompanhando os de que nela viviam e, em tempo de ressolana, suavam sob o calor agreste. O ranchinho vira gerações inteiras nascerem e morrem como se o tempo, que castigava suas juntas e caibros, não era o mesmo daqueles. Amores, discórdias, guerras e revoluções todas as histórias contadas nas paredes furadas de bala. Embora as intempéries sobrevivera sereno, mas firme. A paisagem a sua volta cambiou, antes o que era apenas campo, ovelhas, gado e viventes; agora tomado por roncos, buzinas... Foi numa manhã de março que chegou-se junto dele a maior carroça que já vira, sem cavalos, mas fazendo um barulhão infernal. Dela apearam quatro qüeras, armados de pés de cabra e maretas. Não pode entender, de primeiro, no entanto quando lhe arrancaram uma das tábuas soube a que passava. Enquanto era consumido pela fúria de quatro covardes, mirava, pela derradeira vez, a pampa não esta que se fazia agora, mas aquela outra que sempre nas noites de lua lembrava a suspirar.

Porto Alegre, nova de março.

domingo, março 20, 2005

Feliz Cumpleaños!!!

"Pra conhecer gente buena,
Sempre fui muito sortudo
E dentre os amigos que tenho
Tem um flor de macanudo
E o grande Castrador
Índio véio muy taluto
A quem dou meu coração
com tripa, mondongo e tudo"

Què Dios te bendiga, què tujos años sejam muchos nesta pampa que é nuestra.

Quebra-costela.

Euclides da Cunha


"O gaúcho do sul, ao encontrá-lo nesse instante, sobreolhá-lo-ia comiserado." É assim que Euclides da Cunha começa seu relato sobre este habitante do Sul no seu livros Os Sertões.
"As suas vestes são um traje de festa, ante a vestimenta rústica do vaqueiro. As bombachas , adrede talhadas para a movimentação fácil sobre os baguais, no galope fechado ou no corcovear raivoso, (...) O seu poncho vistoso jamais fica perdido, embaraçado nos esgalhos das árvores garrachentas. E, rompendo pelas coxilhas, arrebatadamente na ,archa do redomão desensodrido, calçando as largas botas russilhonas, em que retinem as rosetas das esporas de prata; lenço de seda , encarnado, ao pescoço; coberto pelo sombreiro de enormes abas flexíveis e tendo à cinta, rebrilhando, presas pela guaiaca, a pistola e a faca ? é um vitorioso jovial e forte. O cavalo, sócio inseparável desta existência algo romanesca, é quase objeto de luxo. Demonstra-o arreamento complicado e espetaculoso. O gaúcho andrajoso sobre um pingo bem aperado, está decente, está corretíssimo. Pode atravessar sem vexames os vilarejos em festa."
Bueno, o texto deixa algumas coisas em suspenso, mas é belo apesar disso.

Porto Alegre, nova de março.

quarta-feira, março 16, 2005

Bueno, hoje o dia foi bastante atípico. Não por causa do tempo que alternou períodos de sol e chuvisqueiro. Tampouco pelas notícias que os periódicos trouxeram nas suas páginas. Foi diferentes por minha causa, somente. Empecei o dia sestroso e desesperançado e ao seu final já estava como em dia claro, como o clima.

Na semana passada fiz uma entrevista de estágio em uma editora aqui de Porto Alegre. A resposta, desta, deveria vir na segunda e não veio, então, já pensava que o negócio ia gorar. Mas apesar do meu pessimismo hoje recebi a resposta positiva e amanhã a lida começa. Para mim o trabalho vai ser bastante proveitoso por que é uma área que eu tencionava conhecer, a revisão de textos. Então patrícios, a partir de amanhã sou assistente de revisão.
No mais, ando tocando cavalo.

Porto Alegre, nova de março.

quinta-feira, março 10, 2005

Lua Nova

Se os patrícios ainda não perceberam mesmo não sendo lua nova eu insisto que seja. Como assim!? É que embora as fases da lua tenham seu ciclo normal continuo a camperiar na nova. No breu da noite escura, onde não se vê um palmo diante dos olhos, tenteando encontrar algum ponto onde me guiar no rumo pras casa. Meu lubuno vai sestroso pisando que nem passarinho, orelha erguidas e olhar atento. Desde que a lua se foi a noite é sempre assim e parece que nunca irei chegar ao meu destino. Vez por outra cerro os olhos e vejo a lua clara, redonda no céu como que num aceno, então encho o peito de esperança e me ponho a trotear. Quando vem a alvorada percebo que não sai do lugar, que estive a noite toda a vagar sem chegar a lugar algum. Então é hora de parar desencilhar e descansar. Para outra noite que vai chegar, quando quem sabe a lua não esteja nova, mas cheia e bela como eu a conheci.

Porto Alegre, nova de março.

quarta-feira, março 09, 2005

Cantiga

A busca por uma cantiga de ninar que seja conveniente para o meu guri chega finalmente ao seu fim. Depois de uma repassada pelo cancioneiro nacional, de ver cucas e bois da cara preta, me recordei que em minhas lembranças de infância tinha uma música que era sido de especial significado para mim, me lembrei dessa excelente canção que, antes de mais nada, vai lembrar ao Caleb uma das melhores coisa que Deus, ja ao nascer, lhe presenteou. O privilégio de ter nascido Gaúcho.

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Céu, Sol, Sul, Terra e Cor

Eu quero andar nas coxilhas sentindo as flexilhas das ervas do chão
Ter os pés roseteados de campo ficar mais trigueiro que o sol de verão
Fazer versos cantando as belezas desta natureza sem par
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar

(É o meu Rio Grande do Sul Céu, sol, sul, terra e cor Onde tudo que se planta cresce E o que mais floresce é o amor)

Eu quero me banhar nas fontes e olhar o horizonte com Deus
E sentir que as cantigas nativas continuam vivas para os filhos meus
Ver os campos florindo e crianças sorrindo felizes a cantar
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar

(É o meu Rio Grande do Sul Céu, sol, sul, terra e cor Onde tudo que se planta cresce E o que mais floresce é o amor)
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O Guri aprovou

Dia Internacional da Mulher

Bueno, eu sei que o post está atrasado, mas é que eu não poderia deixar de fazer referência a esta data importante. Nào é para ser politicamente correto e tão pouco para apenas constar, a verdade é que nossas prendas são parte de nossas vidas e por isso, não só por isso, merecem nosso muchas gracias. Deixo para todas as mulheres que visitam o Capando os belos versos do tio Nico Fagunde: "Mulher Gaúcha".

Bendita mulher gaúchaque sabe amar e querer!
Esposa e mãe, noiva e amante que espera o guasca distante
e acaba por compreenderque a vida é um poço de mágoa
onde cada pingo d'águasó faz sofrer e sofrer.

Porto Alegre, nova de março.

terça-feira, março 08, 2005

Compadres

Têm coisas que são do meu agrado e creio que também sejam dos meus patrícios. Ontem pude ter uma destas coisas: estar com meus compadres, Maneador e o Castrador. Prosa buena, um baita fejão carregado que o Castrador preparou e uma gelada. Estar com estes amigaços é para lá de especial, é pena que nem sempre nos encontremos. É pena também que o compadre Marcador não esteve presente. Parece-me que nossas reuniões já estão plantando semente, é o pequeno Caleb que esteve conosco, mui atento as figuraças que o cercavam naquela tardezita de Domingo. Aos meus compadre um quebra-costela .

Porto Alegre, nova de março.

sábado, março 05, 2005

Gaúcho pelo Mundo


Sexta-feira ouvi na Rural o Luiz Antonio de Assis Brasil falando sobre a literatura gaúcha em terras estrangeira. Esse grande escritor, assim como o Tabajara Ruas e o Luis Fernando Veríssimo têm vendido muito bem na Europa, o curioso é que os dois primeiros escrevem uma literatura extremamente regionalista. Com vocabulário, temas, costumes e cenários bem gaúchos. Não me surpreende o fato de nossa literatura ser apreciada nestes lugares, mas sim, que nossos autores pensem assim. Em um mundo sem fronteira aqueles que preservam sua identidade são sempre admirados, por aqueles que já perderam as suas há tantos anos. S e os patrícios não conhecem, ainda, a obra destes autores recomendo.

Porto Alegre, nova de março.

sexta-feira, março 04, 2005

Saudade Sotreta

Buenas patrícios, tenho que confessar uma coisa: essa semana ando encimesmado. O que passa e que minha Florecita teve que voltar para a cidade do Rio Grande, e eu cá fiquei em Porto Alegre. O pior de tudo é a maldita distância. Ando já vesgo de saudade, loco por um abraço e um cheiro. À minha Florecita que está em Rio Grande meu coração, minha saudade, meu pensamento... Até breve.

Porto Alegre, nova de março

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Patrícios, minha vontade era de dar uma de Maneador - saudar a todos, e mandar aquele quebra-costela - também pudera, com as novidades escassiando e o ritmo dos posts mais ainda, sinto que não desenvolvo como antigamente os temas que proponho. Quando disse que não tenho novidades me esqueço de duas coisas: a primeira é que já estou de casa nova, e que indiada uma manhã inteira carregando a mudança, a outra é que a comunidade do Capando no Ingurte já conta com 35 viventes e a cada dia mais patrícios se juntam a essa tão profícua comunidade... Bueno, quando não tem o que se dizer acabasse por dizer nada, ou melhor, acolherar uma monte de letras e não fazer nem cisco. Acho que a seca que assola o estado tem me assolado as idéias, pode ser. Entonces, fico por aqui.

Porto Alegre, crescente de fevereiro.

domingo, fevereiro 13, 2005

Martin Fierro

Aquí me pongo a cantar
Al compás de la vigüela,
Que el hombre que lo desvela
Una pena estraordinaria
Como la ave solitaria
Con el cantar se consuela.
Pido a los Santos del Cielo
Que ayuden mi pensamiento;
Les pido en este momento
Que voy a cantar mi historia
Me refresquen la memoria
Y aclaren mi entendimiento.

Vengan Santos milagrosos,
Vengan todos en mi ayuda,
Que la lengua se me añuda
Y se me turba la vista;
Pido a Dios que me asista
En una ocasión tan ruda.


Este épico latino americano está disponível no site: wwww.literatura.org. Cuzem lá e regalem-se com este belo livro.

Porto Alegre, nova de fevereiro.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Mudança

Enfim, hoje, consegui encontrar um novo rancho para morar. Não tão novo porque é no mesmo prédio, na mesma rua... só não é no mesmo andar. Troteei uma barbaridade para vir cair no mesmo lugar. Pareço até uma rês atolada que chafurda no banhadal e nada de sair do lugar. Os problemas serão menores com a mudança, contrato... e nem vou precisar me acostumar com nova vizinhança - aliás este que tenho nem conheço muito bem - sendo assim, nada mudou, embora tenha mudado de rancho. E é isso que mais preocupa. Sabe quando antes de um temporal o vento para e parece que a tormenta não vem, é esse o problema, estou esperando a dias a tormenta e ela não vem. Porque se já tivesse vindo, agora, estaria em bonança. Mas como ela não veio ainda, fico bombeando pras bandas dos castilhanos pra ver se o tempito se enfeia. Además, continuo tocando essa vidinha que é minha e é só pro meu consumo, como já disse o poeta.

Porto Alegre, nova de fevereiro.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Aos Amigos

Paisagens Perdidas

Jayme Caetano Braun

A tarde recolhe o manto,
carqueja e caraguatá;
na corticeira um sabiá
floreia o último canto!
Alargando o gargarejo,
da sanga que se desmancha,
há um eco pedindo cancha
no primitivo falquejo!

A lua nasce num beijo,
prateando o lombo do cerro
e um grilo acorda um cincerro,
do meu retiro de andejo!

Paisagens de campo e alma
perdidas no vem e vai,
soluços do Uruguai
que bebe lua e se acalma:
a noite passa à mão salva,
com ela vem a saudade,
olfateando a claridade
das brasas da Estrela D?Alva!

Nascem rugas no semblante,
paisagens da natureza
que a força da correnteza
não pode levar por diante;
então exige que eu cante
quando me encontro desperto,
mas sempre que chego perto
meu sonho está mais distante!

Paisagens de sombra e luz,
como é que pude perdê-las?
Ficaram as 5 estrelas
fazendo o ? sinal da cruz ? !

Esta eu dedico aos amigos Renato, Leda, Camila e Jorge pela excelente acolhida no finl de semana. Quebra-costela patrícios, mil gracias.


Porto Alegre, nova de fevereiro.


quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Ser Potro

Ficou somente um esteio em meio a cinzas e fumaça. O incêndio destruiu todo o rancho e o pobre Juca, parado mirando o triste quadro, sentiu-se muito mais invalido, cocho e velho. Por não poder fazer nada enquanto o fogo crepitava, matando toda as lembranças que o rancho guardava. Quem podia pensar que coronel Belarmino tomaria tal atitude para com ele, posteiro há décadas, pensava num repente. Contudo, o mesmo coronel que muitas vezes pedira-lhe favores, que fora padrinho dos guris, que fizera a desgraça da Marianita... era o mesmo homem que mandara incendiar o rancho desde qüera, que num jeito de velho umbu, trancara o pé no momento em que foi mandado embora. Maldito Belarmino! Maldita justiça, que não cobra do rico e faz com que o pobre viva solito peleiando pra sobreviver. O fumo que levantava do que fora rancho, misturava-se com o vapor que levantava da grama naquela manhã que nascia. E o velho Juca cansado da vida, da sua desgraça sonhava pensando um futuro melhor. Onde ele seria um potro solto num campo sem aramado, sem marca, nem dono, correndo faceiro por plainos e cainhadas livre de verdade. Pensava que somente se nascesse potro poderia viver tal liberdade, pois aos homens foi legado um jugo de obediência servil ao patrão chamado Ganância. Sendo potro não haveria esta herança, esta desgraça. Lembrava-se direitito quando na madrugada seis soros chegaram de madrugada, num galope louco, atearam fogo nos quatro cantos do rancho e se bandearam pros lados do povo tão depressa quanto chegaram. Depois disso só lhe vinha a memória o momento em que o telhado desabou e ele, sem saber como, estava de pé bombeando tudo do lado de fora. Será favor de nosso Senhor!? Ou o destino que lhe dera cancha!? Quem sabe? E a fumaça e o vapor continuam subindo para um céu azul que negaceou para Seu Juca melhor sorte nesta vida e ele que só queria ser potro continua a ter dono, marca e buçal.


Porto Alegre, cheia de fevereiro.