quinta-feira, agosto 03, 2006

Depois que encerrou a correria eu achei que ia postar como fazia antes, ledo engano. E não foi por falta de assunto, tampouco por mermarem as tentativas: solo paro na frente deste teclado, começo a digitar e não saí nada que presta. Bueno, o jeito é recobrar o velho ritmo aos pouquitos, contando uma que outra mentira e cosa-e-tal... Ando lendo "Rodeio dos Ventos" do Barbosa Lessa, muito interessante, principalmente, o primeiro capítulo. No mais, tentado encontrar algo que valha apena ser escrito. Estive em Três de Maio, mas isso eu conto melhor outro dia, por enquanto é só...

Porto Alegre, nova de agosto.

P.S. Vai ver que é a influência má do mês do cachorro-loco que tem me tirado o prumo.

quarta-feira, julho 19, 2006

Tche, quem diz que nós não fazemo fandango. Pois é, ontonte reuniu-se extraordinariamente o Capando Touro a Unha, tencionado ir assistir ao Show do César Oliveira e Rogério Mello. Bueno, acabamo se atrasando e decidimos ficar cá pelo rancho do marcador, degustando uma iguaria campeira de fundamento. Discutimos até a politica das meias do Getúlio...foi loco de especial. A foto ao ladoé só para ilustrar a cachorrada no dia dos parabenzo da senhora do marcador. Só para identificar, o gambá de copo na mão é o letrado curador. O japônes de braço cruzado é um indio loco de bueno, é o castrador. O maneador é aquele ao fundo de bege, grudado na Dna. Miriam...é o Maneador. E este indio de barbas e cuia em punho, é este que vos escreve, igual a um analfabeto, o Marcador.
Hasta.

sábado, julho 15, 2006

O Inverno

Segredou-me o vento sul que cabresteia o inverno
Cantando nas casuarinas rompendo folhas e cerne
Lãs que tenho, lenha pouca silêncios de quase um ano
Sabenças que armazenei insuficientes, bem sei
Para enfrentar o tirano

Qual general de campanha vai mandar o minuano
Virá com mil artimanhas intimidar o meu rancho
E eu silente mateando fogo de chão caprichado
No meu pala enrodilhado vou me quedar esperando

Nunca o temi, que o varal de charque era lotado
Cavalo bem amilhado vinho prá cem madrugadas
Erva mansa, quincha buena de Santa Fé, despontada
Violão para as insônias que por amargas e longas
Tinha a alma calejada

Já nem mais canto milongas temendo o embate fatal
Dá pena ver o varal sem a fartura das mantas
Não sei se ri, ou se canta o vento quando ultrapassa
Não estou chorando, senhores é o efeito da fumaça
Não estou chorando, senhores
É o efeito da fumaça

Porto Alegre, cheia de julho.

domingo, julho 09, 2006

Enfim, terminou. Redundante, mas verdadeiro. Depois de seis meses loqueando com semiótica literária e a obra do Jayme Caetano, a monografia foi entregue. Defendo-a na quarta... como diria meu amigo Maneador: "apliques mil". Assim, como prometido, volto a postar com mais assiduidade.
Por cá, ainda hay alguns atropelos por resolver.
Bueno, entonces por hoje é só.

Porto Alegre, cheia de julho.

quarta-feira, julho 05, 2006

Achei este texto no jornal de hoje, muito interessante e, por isso, resolvi compartilhar com os patrícios. No mais ando tocando cavalo... semana próxima, volto a postar com "modos de gente".

Bolinha de gude

Kledir Ramil

Na era paleolítica, quando eu era uma criança caminhando sobre a Terra e ainda não haviam inventado o Play Station, jogava-se bolinha de gude. A palavra gude vem do provençal Gode e quer dizer "pedrinha redonda, lisa". Em geral, as bolinhas de gude eram feitas de vidro transparente, com desenhos variados, uma mais bonita do que a outra.

A Bocha era uma exageradamente grande e proibida nas disputas, pois quebrava as pequenas. Assim como a Esfera de Aço, o terror dos terrenos baldios, onde eram montados os nossos campos de batalha.

Havia também bolinhas de osso, de madeira e até de cobre, mas eram raras. Com o uso, todas elas iam ficando meio lascadas. Perdiam em beleza, mas ganhavam em eficiência.

O jogo, também conhecido como Bulita, consistia basicamente em acertar, com a sua, a bolinha dos outros. A coisa podia ser "às brinca" ou "às ganha". Nesse caso, quem era acertado perdia a bolinha. Por isso, cada guri carregava um saquinho de pano, que ia enchendo ou esvaziando, conforme a destreza pessoal. Ou então o tamanho da mesada. É claro que as bolinhas compradas no armazém da esquina não tinham o mesmo valor daquelas conquistadas em campo. Cada uma dessas era um troféu, com sua história particular, nome do perdedor e algumas mentiras inventadas para valorizar ainda mais o feito.

A técnica usada para jogar era simples. Apoiava-se a bolinha entre os dedos polegar, do meio e indicador. Ou seja, o dedão, o pai de todos e o fura-bolo. Com uma leve pressão do polegar, a bolinha de vidro era arremessada em velocidade na direção do alvo, a coitada da bulita do outro. Quem não tinha muito estilo e elegância no trato do jogo usava uma técnica conhecida como cu-de- galinha. E virava motivo de gozação. Era preciso estar preparado para enfrentar a crueldade das ruas.

Lá em Pelotas, o tipo de jogo mais comum era o Imba. Um buraco cavado na areia, que funcionava como zona neutra, de onde se partia para acertar os concorrentes. O Triângulo era mais sofisticado. Desenhava-se no chão, com um pedaço de pau, um polígono de 3 lados. Em cada vértice era colocada uma bolinha. Quem conseguisse acertar e fazê-la sair para fora dos limites do desenho, levava.

Um dia, eu estava no campinho, jogando com alguns amigos. De repente, surgiu um marmanjo mais velho com cara de marginal e gritou: "Levante!". Roubou todas as bolinhas, botou no bolso e foi embora.

Foi aí que comecei a me dar conta que o mundo era injusto e que viver não ia ser fácil.

Porto Alegre, quarto-crescente de julho.

terça-feira, julho 04, 2006

Jayme Caetano...

"Cruza de um mestre-escola de origem alemã, o Prof. João Aloyzio Braum, e de uma formosa cabocla, crespa e jambo, dos Sete Povos das Missões, Dona Euclides Ramos Caetano, o poeta surgiu na região de Sepé Tiaraju e sugou no leite da infância e no churrasco da juventude, toda essa força telúrica do ancestralismo, com que pode, agora, transmudar em beleza e som e rima os motivos explorados e inexplorados da vida, da luta e do sofrimento do gaúcho.
(...)

Jayme Caetano Braun não é apenas um fazedor de versos. Tem personalidade definida. Encarna, com vigor e determinação a defesa das nossas tradições, seriamente ameaçadas por um processo degenerativo."

Porto Alegre, nova de julho.

quarta-feira, junho 28, 2006

Como eu posso andar tão entreverado com esses benditos estudos!?

Porto Alegre, nova de julho.

segunda-feira, junho 26, 2006

Velha Faca

Um palmo e pico de aço,
rude e glorioso pedaço
da espada de um general.
Cabo de prata estrangeira
- velha faca brigadeira
que nunca me deixou mal.

Nesse tempo eu era moço,
não tinha o sangue tão grosso
nem a memória tão fraca.
Índio gaudério sem marca
era maior que um monarca
quando empunhava essa faca.

Mas não era compra-briga,
desses que enchem a barriga
em bochinchos de galpão.
Mui amigo do sossego
não arriscava o pelego
em "rolos" sem precisão.

Mas quando lá volta e meia
me entreverava em peleia
por honra ou obrigação,
afrontava qualquer risco
e essa faca era um corisco
brigando na minha mão.

Sei que há quem ria disso:
- a faca tinha feitiço,
coisa botada, sei lá!
Se escapava da bainha
e ia brigar sozinha
se eu deixasse ela brigar!

Mas Dom Tempo barbaçudo
que dá sumiço em tudo,
coisa viva e coisa morta,
foi-se chegando ronceiro,
cruzou sem pressa o terreiro,
passou depois pela porta.

Quantas vezes já nem lembro,
vi enfeitar-se setembro
com as flores roxas do ipé.
Do moço de antigamente
resta este trapo de gente
que mal e mal fica em pé...

E a velha faca amigaça
me acompanhou na desgraça,
me aparceirou na miséria.
- Extraviada da bainha,
ainda lá pela cozinha
nas mãos da negra Quitéria.

Porto Alegre, cheia de junho.

E viva o frio!!!

sábado, junho 24, 2006

Mas ah mana véia...

Bueno, hoje além de ser dia de São João, alguém muito especial faz aniversário: minha irmã. Sempre foi pequenina, quando era criança meu pai a chamava de "roda baixa pneu de lambreta", e invocada, mas dona de um grande coração. Quando vim para o povo, ela, em seguida veio de atrás, o que me fez muito bem, pois ela sempe foi companheiraça. Lembro de quando erámos uns piá e faziamos arte a dá que um pau. Hoje, embora não tenha crescido muito, preserva a ingenuidade e a alegria da Didi que eu me lembro. Tem construído de forma responsável e com muito trabalho sua carreira, do que muito me orgulho. Mas acima de tudo, continua sendo a Mana que sempre foi, nunca faltando comigo em nada e, em todo o tempo, cuidando desse velho traste que insiste em ser desleixado consigo mesmo.
Mana, neste dia e em todos os outros, sejas mui feliz. Que o Patrão de nosotros todos continue a te mandar as cosas mais macanudas.

Um quebra costela do tamanho do Rio Grande.

Porto Alegre, cheia de junho.

sexta-feira, junho 23, 2006

Negro, venta rasgada e músculos rijos
Se criou livre
Hoje, encilhas de prata, mora na estância

Vinagre, bueno de boca e companheiraço
Tão livre quanto o outro foi
É divertimento de uma guriazinha ruiva, também

Lobuno, arcado, anca de vaca
Filho bastardo de um matungo
Puxa carroça
Senão já virou salame.

Porto Alegre, cheia de junho.

quarta-feira, junho 21, 2006

Bueno patrícios, tenho cá me atulhado de coisas para fazer: relatórios, monografias e afins, por esse motivo tenho sido relapso com o Capando. Quando a coisa garrar seu rumo normal volto a postar com a mesma assiduidade. O que posso adiantar e que a formatura está encaminhada e os trabalhos idem.
Como não poderia deixar de deixar de ofertar um regalo, já que meus posts andam pior que mondongo de ontonte, transcrevo este.

Desafio

Aparício da Silva Rillo

Há um potro dentro de mim, pedindo cancha.

Sinto-lhe o bater do coração inquieto
como um tambor a rufar em véspera de peleia braba.

No meu olhar o seu olhar de fogo se confunde
na ânsia de devassar a vastidão de todos os caminhos
que os seus cascos de bronze e asas não pisaram.

Potro de sangue ancestral,
telúrico em seu ímpeto selvagem,
maior porque contido no seu lance
como um cartucho que sente o gatilho pronto para o tiro.

Tudo o que fica além de meu passo de nômade prisioneiro,
tudo o que não alcança o meu braço de músculos dormidos,
tudo o que meu olhar não pressente na distância
- isso tudo a chamá-lo,
tudo a chamá-lo
como um toque de cincerro no silêncio da noite.

Seus ouvidos de animal selvagem
são sensíveis ao apelo da distância,
ao apelo da noite,
ao grito dos que rompem cancelas e aramados
para abrir a golpes de audácia o seu caminho de aventuras.

Há um potro dentro de mim, pedindo cancha...

No laço de chegada,
que fica sempre além,
e ainda mais além,
e sol não se põe nunca,
para vestir de ouro os que tiveram pata
para engolir todo o estirão da raia
que é um desafio de léguas pela frente.

Mas como custa arrebentar o laço
do andarível de partida desta cancha!

Porto Alegre, cheia de junho.

segunda-feira, junho 19, 2006

Esse excerto faz parte do poema "Canto de Adeus para o Peão de Estância", linda lírica de Aparício da Silva Rillo.

Não vou cantar teu vulto de legenda
perdido no impreciso dos tempos e das lendas.
Nas entrelinhas da História se retraça
à tintas de suor somado a sangue
a gesta que foste herói sem nome,
o bruto lutador temperado a minuano,
a fumos de cartucho e guascaços de sol.

Porto Alegre, cheia de junho.

domingo, junho 18, 2006

Perdi a rima em algum lugar do caminho. As palavras ficaram sem aquela lógica que determina os versos rimados. Embora nunca tenha sido um grande versejador, este fato deu-me uma liberdade que muitas vezes, não obstante minha relutância, causa-me embaraço. Há um universo de sons, imagens e cores por descobrir e a cada novo escrito, sinto que este lugar, onde a palavra habita, é minha libertação e, ao mesmo tempo, minha prisão. Mas não é no dito que encontro abrigo, sossego, mas no indizível. O fato de que as coisas não estão definidas por completo é que possibilita a bendita insegurança que alguns chamam de fé. Não posso concordar com aqueles que precisam de uma norma para se agarrar, pois ela nos impede a descoberta, o desafio. Talvez, por isso, alguém há muito tempo tenha dito que com esperança se pode mover montanhas. Já que esses lugares "sólidos" podem se tornar mais do que um lugar de abrigo, mas um esconderijo e ninguém quer ver o seu ser descoberto, pois isso é sinônimo de vulnerabilidade. Agora, pensando melhor, não perdi a rima, apenas a deixei em algum lugar que durante muito tempo usei para me esconder.

Porto Alegre, cheia de junho.

P.S. Ainda peleando com Dom Jayme Caetano.

sábado, junho 17, 2006

Repost

Tardezita, sabiás e bem-te-vis pulam de galho em galho cantado faceiros. Na porta do rancho, sentado na soleira um gaúcho, bombacha remangada traz numa mão a cuia e na outra um palheiro. É o fim de mais um dia de lida. Sobre a face ainda tem o sal do suor que se mistura, vez por outra, ao amargo do mate. Se estica para alcançar a cambona, serve mais um amargo e num pequeno assobio chama para perto o cusco ovelheiro, amigo e confidente. O cusco se vem manhoso, orelhas baixas e cola erguida, se senta aos pés do qüera e fica a lhe olhar. "É companheiro a vida anda braba" foi só o que disse. Mas o cão conhecia bem aquele jeito de dizer sentido e murchou ainda mais as orelhas. O céu que em matizes colorados dava lugar para a noite, parecia simplesmente ser um reflexo dos olhos daquele que sentado, teima em sentir saudades. E o mate já frio e lavado, deixava na boca um gosto de angústia. Deitou a cuia no pé da cambona, calçou as alpargatas e se foi para o rumo do lajeado. Tencionava que lavando o suor do dia lavaria sua alma e a água que correia entre suas mãos levaria para longe essa angústia matreira. No costado do lajeado tirou as alpargatas, a camisa e remangou as bombachas. Já se ia longe o sol e o último rubor escassiara, ficara ele e o cusco sob a lua clara que vinha repontada pela boieira. Deixou-se ficar por um tempo ouvindo o murmúrio da sanga, que num compasso marcado cantava serena para ele escutar. O cusco sestroso olhou bem no seus olhos e devagarito foi se chegando para junto da sanga querendo a sede matar. Um silêncio infinito embalado pela aguada e os grilos, seguia insistindo que era preciso pensar. Desistiu do seu primeiro plano e despido se atirou na sanga com gana, queria lavar a alma, os pensamentos...
Bem cedo, Nicácio cruzando no passo bombeou um cusco sentadito do lado de um corpo nu, que o mirava sentido como dizendo: "é companheiro a vida anda braba!".


Porto Alegre, cheia de junho.

terça-feira, junho 13, 2006

Don Jayme, na maioria das vezes, tem razão!

Esse ar de rebeldia
Que nós guascas ostentamos,
É uma tendência que herdamos
Dos índios da tolderia,
Na bárbara teimosia
De ser Brasil - sentimento
Arraigado no pensamento,
Arraigado no coração,
Espécie de certidão
Anterior ao nascimento.


Porto Alegre, cheia de junho.

sexta-feira, junho 09, 2006

Retrato...

Um verso como retrato descolorido
É o que preciso

Deve ter uma casa grande
Velhos de braços dados
E crianças, muitas crianças
As mulheres de vestido acinturado
E os homens de bombachas

Todos sorriem
Porque parecem felizes
Pois, nos retratos

A felicidade pode ser perene.


Porto Alegre, cheia de junho.

quinta-feira, junho 08, 2006

Chacarera del triste

Patrícios, ouvi essa música outro dia e a achei buenaça. Por isso resolvi compartilhar.

Para qué quiero vivir
con el corazón deshecho,
Para qué quiero la vida
después de lo que me haz hecho.
Yo te di mi corazón
el tuyo vos me entregaste,
con engaños hacia el mío, prenda,
lo despedazaste.

Ay, ¿por qué fuiste tan cruel?
si tu franqueza esperaba,
¿por qué jugaste conmigo?, prenda,
si te idolatraba.
Yo del mundo olvidé
desengaños y amarguras
pero lo que vos me hiciste, prenda,
en mi alma perdura.

Cantando me pasaré
muy triste ésta chacarera.
Pueda ser de que me alegre
en el instante en que muera.
Seguí guitarra, seguí,
seguí como yo, llorando,
compañera hasta la muerte
seguí mi alma consolando.

No hay remedio, yo lo sé,
¿para qué voy a buscarlo?
tan deshecha tengo el alma,
que inútil será lograrlo.
Segui, guitarra, seguí,
prenda, por lo que me hiciste
'rabiando' toda la noche
la chacarera del triste.

Porto Alegre, cheia de junho.

quarta-feira, junho 07, 2006

Agora empecei com gana a monografia que há alguns meses tenho enrolado. Bueno, espero que o resultado seja macanudo. Fora isso, aulas nas escolas, disciplinas na pós e por aí vai... o pouco tempo que me sobra serve para postar alguma bobagem. Como eu e o Don Jayme andemô tomando mate diariamente, vou deixar para ustedes uma coisa que ele me disse outro dia.

Meu orgulho de gaúcho
É ser guasca Missioneiro
E o velho Santo Padroeiro
Que levo por onde andar...
Meu Templo é qualquer lugar,
Pois para chiru que se preza
Lombilho é banco de reza
E o peito tábua de altar!

(De fogão em fogão, 1958, p. 28)

Porto Alegre, cheia de junho.

terça-feira, junho 06, 2006

E eu cá...

Bueno, patrícios eu cá ando entertido com uma pesquisa que parce não ter fim... Agora além da bendita estética tive que me "inlhar" com história e sociologia, la pucha! Só espero que o Don Jayme não me mande um raio na minha cabeça, sabem como é, ele deve ser achicado com o Patrão lá de riba.

Porto Algre, cheia de junho.

P.S. Que baita frio hoje, tá de regueá cusco.

quarta-feira, maio 31, 2006

Patrícios, hoje nada de controvérsias, pois estou cheio de coisas para ler e pouco tempo para tanto. Entonces, nada de postar algo de fundamento.

Porto Alegre, crescente de maio.

P.S. Espero que as coisas se acalmem, se não for assim... bueno, aí não sei o que vai se hacer.

segunda-feira, maio 29, 2006

Bueno, eu não sou muito de ficar falando sobre os acontecimentos da nossa ilustre entidade tradicionalista, o MTG, mas, hoje, me chamou a atenção uma notícia que li no jornal. Digo, o que prendeu mesmo foi a afirmação do nosso Papa, quero dizer, patrão, Manoelito Savaris que, poupando os ortodoxos da afronta, ou não, foi a mais genuína expressão do fundamentalismo que tomou conta da instituição. "O que importava era a capacidade de argumentação e expressão, não a opinião da prenda" - diz o presidente do MTG, Manoelito Savaris. O contexto dessa pérola é o concurso de prendas do MTG. Em resumo, para ele pouco importa se as prendas sabem pensar, desde que, elas repitam o discurso correto. Em mim isso causa ojeriza. E é por isso que o movimento continua falando de algo que não existe mais, ou nunca existiu. Por isso, continua-se cantando as mesmas ladainhas sem significado, salvo as escassas expressões que podemos chamar de artísticas. Patrícios, será que o MTG ainda não percebeu o seu lugar na sociedade? As últimas notícias dizem que não, já que não se cansam de olhar para o próprio umbigo e o achar extremamente atraente...
Bueno, sei que estas palavras vão desagradar muitos leitores do Capando e, já que o blog não tem um editor chefe, eu mesmo coloco a nota.
As afirmações acima contidas são de responsabilidade única e exclusiva do autor.P

P.S. Rezo todos os dias para que o Capando não entre na lista dos blogorum proibitorum do MTG.

Porto Alegre, nova de maio.

domingo, maio 28, 2006

Xucro Espetáculo

Se um maneia
O outro castra
Vem aquele e marca
E por último alguém
Para curar
Que sobra para os outros
Senão assistir
Esse xucro espetáculo

Porto Alegre, nova de maio.

Marvada Pinga

Com a marvada pinga
É que eu me atrapaio
Eu pego no copo e já dou meu taio
Eu chego na venda e dali não saio
Ali memo eu bebo
Ali memo eu caio
Só pra carregar nunca dei trabaio
Oi lá
Sempre bebo a pinga
Porque gosto dela
Bebo da branquinha,
Bebo da amarela
Eu bebo no copo, bebo na tigela
Bebo temperada com cravo e canela
Seja em qualquer tempo vai
Pinga na goela
Oi lá
Venho da cidade
Já venho cantando
Trago um garrafão
Que venho chupando
Venho pro caminho,
Venho trupicando
Chutando o barranco
Venho cambetiando
No lugar que eu caio
Já fico roncando
Oi lá
Não largo da pinga
Nem que eu tome pito
Que é de inclinação eu acho bonito
O cheiro da pinga fico meio aflito
Bebo uma garrafa e já quero um litro
Já fico babando crio dois espírito
Oi lá
Pinga temperada eu não modifico
Quem manda no bule
Eu chupo no bico
Vou rolar na pueira
Que nem tico-tico
Vou de quatro pé destripando o bico
Junta a mosquiteira
Mas eu não implico
Oi lá
A muié me disse
Ela me falou
Largue dessa pinga
Peço por favor
Prosa de muié
Nunca dei valor
Bebo no sol quente
Pra esfriar o calor
E bebo de noite pra fazer suador
Oi lá
A muié me disse
Largue de beber
Pois eu com essa pinga
Hei de combatê
Você fique quieto largue
De tremer
Depois que se embriaga
Não levanto ocê
Vô deixá das pinga só quando eu morrer.

Porto Alegre, nova de maio.

quinta-feira, maio 25, 2006

Num sonho...

Num sonho
Um tropel
Entre todos os fletes
Uma égua moura
Crinas negras
Olhos negros
Profundos
Cruzam
Fica a poeira vemelha
Grudada no suor
Do rosto

Porto Alegre, nova de maio.

quarta-feira, maio 24, 2006

Essa é a minha segunda semana como docente/estagiário numa turma do EJA. Meus alunos são de vários lugares, muitas vivências e histórias de vida. A maioria trabalha o dia todo e à noite vem para a escola. Bueno, muitos universitários fazem isso também, então onde está o mérito!? Acredito que esteja no fato de grande parte deles ter mais de 25 anos e estar na 8ª série do ensino fundamental. Eu espero, sinceramente, que consiga passar-lhes algo que seja de serventia, pois a mim eles já deram grandes lições.

Como é lindo colar grau
num salão de faculdade,
embora essa qualidade
não transforme o bom em mau,
o Jayme Caetano Braun,
dessa linha não se afasta,
a inspiração não se gasta
nem me torna mais cruel,
eu conquistei um anel
o de gaúcho - e me basta!

Porto Alegre, nova de maio.

terça-feira, maio 23, 2006

Fugindo da ortodoxia

Sei que as vezes, para muitos, tenho fugido da ortodoxia gaudéria e proposto temas para os pots que podem soar heréticos. Felizmente, ou infelizmente, tenho uma tendência a descumprir regras. Bueno, e como nunca fui desacatado aqui no Capando, continuo minha tarefa, ora mais ao sul, ora bem longe daqui.

"No entanto, do fundo do coração te agradeço o desespero que me causas, e detesto a tranqülidade em que vivi antes de te conhecer"
Sóror M. Alcoforado

Porto Alegre, cheia de maio.

domingo, maio 21, 2006

Carancho

Que dia bem atrapaiado esse de hoje... cuê pucha! Bueno, largo mais um tento antigo, de novembro/04, espero que gostem...

T... tinha a incerteza na alma daqueles que plantam e espera mui larga daqueles que colhem. Mirava a ressolana que castigava a lavoura. Um campito detrás do rancho meia dúzia de pés de milho, mas que eram muito importantes. Havia galinhas no pátio cacarejando pedindo bóia, um matungo judiado que também ganhava milho, filho e a mulher. Nem imaginava ter que pedir de novo uns cobres pro coronel. Por causa dessa sandice perdera o campo do fundo no começo do mês. O que mais lhe sangrava no peito eram os piazitos mui magros que tenteavam de bodoque as perdizes no capoeral. Essa safra o Patrão do céu vai ser bueno comigo, deve mandar a chuva para a lavoura vingar. Pura e santa ingenuidade. A chuva não veio, o campo se fez morte e não vida e um dos piazitos, por fraqueza, não cruzou o inverno brabo. Uma mágoa queixosa bateu-lhe nos olhos e a chuva que não veio, nas lágrimas se mostrou. E o sal que lhe molhava o rosto, deixando a boca em fel lhe fez erguer os olhos e clamar para o céu. Que Deus olhasse para sua desgraça e mandasse ventura, ou lhe dizimasse a raça.
Na madrugada campeira não foi T... que chorou mas o céu - morada das almas puras - que mandou água e esperança para este rancho de um carancho que cismava em acreditar e sonhar.

Porto Alegre, cheia de maio.

P.S. Que bueno esse invernito.

quinta-feira, maio 18, 2006

Copie esse do blog so cumpadre Castrador, lindos versos, espero que gostem.
No mais... ando tocando cavalo.
Hasta siempre.

Quando Sopra o Minuano
Barbosa Lessa

Minuano tá soprando, assobiando nesta noite
tropeando seus fantasmas, tropeando
e as almas vão passando galopando redomões
fantasmas do passado no tropel das tradições.
Levanta gaucho, todos precisam andar
Minuano tá chorando e o Rio Grande precisa cantar

Venham comigo voar com o minuano
na galopada destas almas pelo-duro
neste tropel em que se unem gerações
e as velhas tradições dão o rumo do futuro
e o minuano vai correndo doidamente
e o próprio frio aquece o coração da gente
e o coração todo abre e se expande
pra que entre em nosso sangue
o próprio sangue do Rio Grande.

Porto Alegre, cheia de maio.

terça-feira, maio 16, 2006

Sob o telhado desse galpão


"Que culto estranho, que pampeano rito,
vivem em tais vultos que divergem tanto
é a liberdade que fundiu num grito
todas as vozes do Rio Grande santo"

Tem coisas que só o nativismo faz, unir os quatro qüeras que formam esse blog é uma delas. E já faz dois anos que estamos juntos, não dividindo quase nada além dessa paixão que bombeia o coração e circula por debaixo de cada palmo da pele que nos cobre. A paixão pelas coisas do Rio Grande, pelo povo que compõe essa nação dentro de uma nação, pela natureza rude e crua na qual o gaúcho brotou e cresceu imponente.
Paixão pelo assovio do minuano, que soa triste entre as árvores, pelo grito do quero quero, ecoando pelas coxilhas em busca de resposta, pelo barulho do capincho, sisudo, mergulhando na sanga, e a visão do pampa que se desenrola no horizonte despertando no gaúcho ao mesmo tempo a pequenez de sua própria existência, assim como a grandeza inegável de tem por fazer parte daquela paisagem.

O Rio Grande nos uniu, e nos mantêm unidos apesar de todas as outras cousas que nos mantêm diferentes, visões políticas, teológicas, metodológicas, étnicas e etárias, são logo postas de lado quando a cuia passa de mão em mão, quando a carne gorda assa na brasa e se assunta os últimos "causos" na beira do fogo.

Me lembro do primeiro templo dessa estranha religião, foi num galpão montado, imagine só, no coração da grande Porto Alegre. Um oásis bagual no meio da selva de pedra, onde nos reuníamos fugindo dos rostos frios e sem expressão, das regras sem significado nem calor humano que regem as relações dos gaúchos urbanos. Não apenas fugíamos, mas nas nossas idas ao galpão voltávamos para o lugar de onde saímos sem nunca o ter de fato deixado para trás. Voltávamos para a simplicidade nas relações, para o sorriso largo e generoso, para o cheiro de carne meio crua pingando no chão batido, para as conversas sem compromisso, para alegria de encontrar no outro, a mesma paixão que pulsa dentro do nosso peito.

O galpão, já não existe mais, mas até hoje permanece como um símbolo daquele outro, igualmente rústico, que carrego dentro desse meu coração velho.

domingo, maio 14, 2006

Mais um ano...

Amanhã o Capando faz dois anos. Queria, entonces, fazer uma pequena retrospectiva, pena que não a possa o fazer juntamente com meus cumpadres que cá escrevem comigo. Bueno, são 273 posts: muitos causos, música e poesia, alguns desabafos e uma que outra rusguinha. Também figuraram por aqui declarações de afeto as prendas, aos amigos e parentes mais chegados. E pensar que tudo começou num domingo à tarde em meio a uma borracheira bárbara... Lembro o início quando cada visita era contada com alegria de piá que recebeu bombacha nova, depois veio a comunidade no orkut e algumas reuniões, tencionando planos empreendedores que nunca deram em nada, digo, nada não, pois rederam algumas fotos que ainda nos fazem rir largo. Quando iniciamos éramos três, como no livro e na novela, depois se juntou a nosotros o Marcador, índio da pura cepa que dispensa apresentações. Engraçado, três ontonte parei e reli alguns posts... quanta coisa já passou, quanta carne gorda mal-assada, tantos mates e prosa boa... mas o que me impressiona em tudo isso é o quanto mudamos: filhos, ideais, inquietações... dois anos não é muito tempo podem os patrícios pensar, concordo, no entanto, as datas do calendário nem sempre nos dão uma noção exata do que se passa. Mas não posso deixar de salientar algo que não cambiou e, assim espero, nunca irá mudar - a amizade. Embora o maleva do ofício de cada um, impeça nossos encontros que já foram semanais, abraço a cumadre Camila sei que ela sente saudades do carreteiro, continuamos a cada camperiada que travamos juntos, sentindo a mesma faceirice de antanho. Digo sem pestanejar que o Capando se tornou uma família, unida por laços indeléveis que nem o tempo, tampouco a distância poderão romper.
Agradeço muito a Patrão de todos os que vivem cá em baixo, por essa bendição esse lenitivo, utilizando uma palavra que D. Jayme gosta muito, que são os meus fiéis e buenaços amigos do Capando - Castrador, Maneador e Marcador, muy gracias meus amigos, muy gracias meus irmãos e feliz cumpleaños Capando Touro a Unha.

Porto Alegre, cheia de maio.