Bueno patrícios, desde que eu cheguei aqui em Porto Alegre não postei ainda. Tudo porque estou a procurar um ranchito novo para morar. É que o infeliz do aluguel do lugar aonde eu moro passou a ser caro demais para meu soldo. Outro motivo, talvez, seja que ando meio enferrujado por não ter me dedicado tanto ao Capando como deveria. Desculpas esfarrapadas à parte, cruzei pra deixar este pequeno chasque e desejar aos patrícios uma semana macanuda.
P.S. Hoje vi um programa, acho que no SBT, com intenções tradicionalistas e penso que ele não passou mesmo das inteções, porque os novos talentos que eles apresentaram de novo só tinham o nome e o apresentador que deve pensar que para ser gaúcho, capeiro e preciso cometer erros de pronúcia e gramatica da nossa língua . É pena que se façam tantas coisas aqui no estado, nas coxas ao invés de produzir algo um pouco mais aleborado. Fica o meu sentimento e protesto.
Porto Alegre, cheia de janeiro.
Blogue grosso e taura uma barbaridade. Nele, além de cultura, literatura, música, payadas, vão nossos chasques e peçuelos. Reflexões feitas à beira dum fogo de chão escritas por quatro queras arinconados em Porto Alegre: Maneador, Castrador, Curador e Marcador.
segunda-feira, janeiro 31, 2005
domingo, janeiro 23, 2005
Final de Férias
Pois é patrícios, as férias terminaram. Duas semanas de carne gorda, sol quente e muita coisa para não fazer. Sentado na sombra tomando mate, prosiando com a minha Florecita os dias passaram num Vu. Agora a correria começa de novo, o pior não é nem a correria é a cidade grande. Fumaça, ambulâncias, assaltos uma beleza. Pra trás hoje vou deixar mais uma vez o meu interior, o que faço grande pesar. A minha família, meus avós e pais e a carne de ovelha a sete reias o quilo, tudo isso vai ficar. Mas e preciso seguir minha sina entonces, ao meu interior eu digo: hasta la vuelta!
Três de Maio, cheia de janeiro.
quinta-feira, janeiro 13, 2005
Bueno patrícios, já é sabido de todos com que ressalva eu encaro esse movimento chamado tchê music. Este que tem tomado conta de nossos salões de fandango e que tem cativado muito patrícios deste rincão. Quanto a mim, enquanto eles tocavam: "pega na colher e vai mexendo o panelão" ou " a gang da vaneira chegou"? eu ainda fazia vistas grossas e pensava que, por ser um modismo, este movimento não duraria e logo a campanha tornaria a ser o que era antes. Mas hoje eu ouvi o cumulo do absurdo! Estes animais transformaram uma das músicas da banda Cidade Negra ? Amor igual ao teu ? em vaneira ou algo da espécie. Pouco me importa se esse pessoal usa bombacha estreita, se usa brinco, guitarra elétrica ou bateria eletrônica, aliás não me importo com esse movimento por ser supérfluo e de pouco fundamento. Agora além de transformarem a música de fandango em um punhado de banalidades querem importar bobagens alheias. Daqui a pouco vamos cantar as letras dos grupos de axé e funk em nossos CTGs tudo com uma "nova roupagem". Alguns dizem que temos que modernizar, ampliar horizontes e estarmos abertos a novas experiências. Isso é coisa de fresco! Cantamos a décadas as coisas aqui do pago e o tema não se extinguiu, existem festivais quase que quinzenais por todo o estado e isso sem falar nas centenas de cds lançados todos os meses onde se vê que o tema não precisa de um "nova roupagem". "Falsos tchês estrangeirismos desprovidos de raiz" me lembrei desses verso que resume bem o que é esse movimento. Termino como já terminei alguns posts aqui, om os versos do D. Jaime: "não vou matar meus avós para ficar de bem com os netos"
Três de Maio, nova de janeiro.
quarta-feira, janeiro 12, 2005
Cheguei hoje em Três de Maio, serão duas semanas respirando os ares do interior. É sempre bom voltar a terra onde se nasceu e passou a maior parte da sua vida. Os prédios e os lugares são cheios de lembranças: naquela esquina jogava-se bolita, naquela outra era onde capeávamos namoro, a escola quantas lembranças e o campo de futebol. Parece que enquanto caminho por essas ruas que minha infância não está tão distante de mim. Que meus amigos - agora espalhados por esse mundo véio - ainda estão na suas casas esperando a hora em que poderemos brincar. Nem todas as memórias daqui são boas, assim como nem todos os reencontros são bem quistos, mas essa são as que moram mais longe de mim e que não visito tão seguidamente. Serão duas semanas andando por ruas que me viram crescer, vendo pessoas que me viram crescer e lembrando de um tempo em que não pensava outra coisa, a não ser, crescer. Hoje bombeio o passado e penso que talvez crescer não fora a melhor opção, mas como essa é inevitável, vivo galopeando rumo ao horizonte certo que depois deste, há outros e mais outro que não me fazem, de maneira alguma, esquecer do primeiro.
Três de Maio, nova de janeiro.
sábado, janeiro 08, 2005
Só para informar...
Hoje me presenteou com sua visita o cumpadre Maneador, estamos churrasquenado, falando da vida alheia e tomando umas que ninguém é de ferro. Para nos puxar as rédeas e não deixar a cosa garra pra borracheira a minha Florecita stay acá. Para todos os patrícios nosso abraço e um buenaço final de semana e para o restante dos cumpadres do Capando uma baita quebra costela'
Hasta.
Porto Alegre, nova de janeiro.
quinta-feira, janeiro 06, 2005
La luna
Patrícios, já faz alguns dias que não posto nada no Capando é que a seca que assola o sul do continente também, ao que parece, bateu nas idéias. As novidades são poucas e não muito boas e talvez por isso não as queira contar para ustedes.
Sei que é mais difícil escrever quando se perde o ritmo de produção, principalmente eu que escrevia posts diários, mas para empeçar esta lida basta organizar uma ponchada de idéias e botá-las acolheradas aí no blogue. Quem lê o Capando há mais tempo sabe que as coisas ali variam, mais ou menos, como as estações do ano ou como as fazes da lua. Isso tem lá os seus benefícios, contudo nem sempre se consegue ser constante este cambiar de las lunas. Penso que já faz um tempo que a lua é nova: escura, monótona e triste por estas bandas. E me pego as vezes pensando; porque não mudar!? Ora, se fosse tão fácil alterar as coisas nesta vida, a vida não seria vida, seria - como diz o Maneador - um pacote de quisuco. Mas o lua nova tem de passar, assim como passam as tempestades e as estações das secas, e quando chegar este dia será mui bueno. E enquanto espero preparo as coisas para quando este dia vier. É como se guardasse um par de botas ansiando pelo dia do baile onde iria calça-las, ou aquele baú cheio de bugigangas que não se usa normalmente, mas que se tira o pó e da uma mirada de quando em quando para no momento certo não falharem ou estarem estragadas. Assim então espero que a lua cheia chegue de novo no meu rancho. Trago a guitarra bem afinada e o mate sempre novo, para que quando ela chegar se sinta em casa e queira se aquerenciar. E, quem sabe, de tão faceira convide as estrelas para por aqui também ficar. E sempre haverá lua, e estrelas, e milongas numa noite eterna feita somente para cantar e sonhar.
Porto Alegre, minguante de janeiro de 05.
Sei que é mais difícil escrever quando se perde o ritmo de produção, principalmente eu que escrevia posts diários, mas para empeçar esta lida basta organizar uma ponchada de idéias e botá-las acolheradas aí no blogue. Quem lê o Capando há mais tempo sabe que as coisas ali variam, mais ou menos, como as estações do ano ou como as fazes da lua. Isso tem lá os seus benefícios, contudo nem sempre se consegue ser constante este cambiar de las lunas. Penso que já faz um tempo que a lua é nova: escura, monótona e triste por estas bandas. E me pego as vezes pensando; porque não mudar!? Ora, se fosse tão fácil alterar as coisas nesta vida, a vida não seria vida, seria - como diz o Maneador - um pacote de quisuco. Mas o lua nova tem de passar, assim como passam as tempestades e as estações das secas, e quando chegar este dia será mui bueno. E enquanto espero preparo as coisas para quando este dia vier. É como se guardasse um par de botas ansiando pelo dia do baile onde iria calça-las, ou aquele baú cheio de bugigangas que não se usa normalmente, mas que se tira o pó e da uma mirada de quando em quando para no momento certo não falharem ou estarem estragadas. Assim então espero que a lua cheia chegue de novo no meu rancho. Trago a guitarra bem afinada e o mate sempre novo, para que quando ela chegar se sinta em casa e queira se aquerenciar. E, quem sabe, de tão faceira convide as estrelas para por aqui também ficar. E sempre haverá lua, e estrelas, e milongas numa noite eterna feita somente para cantar e sonhar.
quinta-feira, dezembro 30, 2004
O que tem de Novo no ano?
Tche, as veis fico me perguntando o que tem de novo nesse ano que vai entrar amanhã? Pues que além do 5 nos 2000, o resto não tem nada de novo. Bagé continua sendo a rainha da fronteira, Viamão a capital do Rio Grande, Três de Maio a cidade origem do capando touro a unha e por fim, Ijuí continua dominando o mundo. A percanta tá cada vez mais linda com aquelas crinas avermeiadas, mi hermano curador vai casar, o castrador vai cuida do piá que vai nascer, e o maneador, bueno, o maneador é novo chino, um amante latino...
Mas bueno, feliz troca de numerozinho...
Quebra-costela
Do interior do Rio Grande...
Mas bueno, feliz troca de numerozinho...
Quebra-costela
Do interior do Rio Grande...
terça-feira, dezembro 28, 2004
Já faz um tempito...
Já faz um tempito que o Capando está na Web. O que é mais curioso é que essa iniciativa começou de arreganho, e o pior, é que deu certo. Éramos três, depois quatro qüeras muito interessados na cultura do nosso pago. Cada um com seu estilo acho que fizemos do Capando um mosaico mui capeiro coloriado de pitanga, guabijus, maçanilha... Nossos visitantes, creio que são tão plurais quanto nossotros e isso é bueno uma barbaridade. Se não fossem os chasques dos patrícios, talvez, não postassemos com tanta regularidade. A todos nosso muito obrigado. E aos meus amigos e cumpadres do Capando deixo meu abraço fraterno e a mais sincero sentimento de que esta lida se prolongue por longos anos.
Porto Alegre, cheia de dezembro.
Porto Alegre, cheia de dezembro.
sábado, dezembro 25, 2004
Feliz Natal!
Que neste Natal Jesus possa renascer em nossos galpões trazendo paz, esperança e salvação. Que este menino-Deus nos mostre o sentido da vida verdadeira como somente as crianças podem ensinar. Termino este com alguns versos do D. Jaime. Que Dios os bendiga.
E o Nazareno que vem,
Das bandas de Nazaré,
Chasque divino da fé,
Rastreando a luz de Belém,
Ele que vai morrer também,
Pra cumprir as profecias.
É Natal - nasce o MESSIAS,
Salve o Menino Jesus!
Mas o que fogem da luz,
O matam todos os dias.
Presentes - "Papais Noéis",
Um ano esperando um dia,
Quando a grande maioria,
Sofre destinos cruéis.
O amor pesado a "mil-réis",
E mortos vivos que andam,
Instituições que desandam,
Porque esqueceram JESUS,
O que precisa, é mais luz,
No coração dos que mandam!
Que os anjos digam amém,
Para completar a prece,
Do gaúcho que conhece,
As manhas que o tigre tem.
Não jogo nenhum vintém,
Mesmo sendo carpeteiro,
Mas rezo um Te-Déum campeiro,
Nessa Catedral selvagem,
Pra que faça Boa Viagem,
O enteado do Carpinteiro!
Rio Grande, crescente de dezembro.
E o Nazareno que vem,
Das bandas de Nazaré,
Chasque divino da fé,
Rastreando a luz de Belém,
Ele que vai morrer também,
Pra cumprir as profecias.
É Natal - nasce o MESSIAS,
Salve o Menino Jesus!
Mas o que fogem da luz,
O matam todos os dias.
Presentes - "Papais Noéis",
Um ano esperando um dia,
Quando a grande maioria,
Sofre destinos cruéis.
O amor pesado a "mil-réis",
E mortos vivos que andam,
Instituições que desandam,
Porque esqueceram JESUS,
O que precisa, é mais luz,
No coração dos que mandam!
Que os anjos digam amém,
Para completar a prece,
Do gaúcho que conhece,
As manhas que o tigre tem.
Não jogo nenhum vintém,
Mesmo sendo carpeteiro,
Mas rezo um Te-Déum campeiro,
Nessa Catedral selvagem,
Pra que faça Boa Viagem,
O enteado do Carpinteiro!
Rio Grande, crescente de dezembro.
domingo, dezembro 19, 2004
Despedida
Que tristeza lhe encheu os olhos naquela manhã em que bombeou o piazito pela última vez. Sabia que era a derradeira, não por planos ou previsão, mas porque o desgraçado destino o tinha traçado assim. O guri acenava com a mesma certeza no semblante e uma lágrima sestrosa veio molhar-lhe o nariz. O dia nem bem raiava, mas este, parecia tão escuro como noite de lua nova. Montando no mouro, as encilhas puídas e uma queixa mui amarga no peito. Porque tinha que partir? Porque!? O restante da gurizada dormia, se não dormia deixaram-se ficar nas camas para não vê-lo partir. Apenas o piazito tivera a coragem de dar-lhe adeus. Sempre que olhava para este o sabia mui valente e se orgulhava. Segurou firme nas rédeas, apertou o barbicacho e cutucou nas ancas do mouro, este saio num trotezito entonado. O taura já não olhava para traz, talvez porque não quisesse ver o filho chorar, talvez por não querer que lhe visse chorar. Assim partiu, rumo as barras do dia novo que lhe preparavam as mais amargas venturas.
Porto Algre, cheia de dezembro.
quinta-feira, dezembro 16, 2004
ARTIGOS DE FÉ DO GAÚCHO
Diretamente de Contos Gauchescos de Simões Lopes Neto, pra provar pros calavera que nóis também somo uns homê de muita fé!
"Muita gente anda no mundo sem saber pra quê: vivem porque vêem os outros viverem.Alguns aprendem à sua custa, quase sempre já tarde pra um proveito melhor. Eu sou desses.Pra não suceder assim a vancê, eu vou ensinar-lhe o que os doutores nunca hão de ensinar-lhe por mais que queimem as pestanas deletreando nos seus livrões. Vancê note na sua livreta:
1º. Não cries guaxo: mas cria perto do teu olhar o potrilho pro teu andar.
2º. Doma tu mesmo o teu bagual: não enfrenes na lua nova, que fica babão; não arrendes na miguante, que te sai lerdo.
3º. Não guasqueies sem precisão nem grites sem ocasião: e sempre que puderes passa-lhe a mão.
4º. Se és maturrango e chasque de namorado, mancas o teu cavalo, mas chegas; se fores chasque de vida ou morte, matas o teu cavalo e talvez não chegues.
5º. A maior pressa é a que se faz devagar.
6º. Se tens viajada larga não faças pular o teu cavalo; sai ao tranco até o primeiro suor secar; depois ao trote até o segundo; dá-lhe um alce sem terceiro e terás cavalo para o dia inteiro.
7º. Se queres engordar o teu cavalo tira-lhe um pêlo da testa todas as vezes da ração.
8º. Fala ao teu cavalo como se fosse a gente.
9º. Não te fies em tobiano, nem bragado, nem mela-do; pra água, tordilho; pra muito, tapado; mas pra tudo, tostado.
10º. Se topares um andante com os anelos às costas, pergunta-lhe - onde ficou o baio?...
11º. Mulher, arma e cavalo do andar, nada de emprestar.
12º. Mulher, de bom gênio; faca, de bom corte; cavalo de boa boca; onça, de bom peso.
13º. Mulher sardenta e cavalo passarinheiro... alerta, companheiro!...
14º. Se correres eguada xucra, grita; mas com os homens, apresilha a língua.
15º. Quando dois brincam de mão, o diabo cospe vermelho...
16º. Cavalo de olho de porco, cachorro calado e homem de fala fina? sempre de relancina...
17º. Não te apotres, que domadores não faltam...
18º. Na guerra não há esse que nunca ouviu as esporas cantarem de grilo...
19º. Teima, mas não apostes; recebe, e depois assenta; assenta, e depois paga...
20º. Quando 'stiveres pra embrabecer, conta três vezes os botões da tua roupa...
21º. Quando falares com homem, olha-lhe para os olhos, quando falares com mulher, olha-lhe para a boca... e saberás como te haver...
...................................................................................................................................................
Que foi?Ah! quebrou-se a ponta do lápis?Amanhã vancê escreve o resto: olhe que dá para encher um par de tarcas!... "
Dos interior da Provincia, dezembro de 2004
"Muita gente anda no mundo sem saber pra quê: vivem porque vêem os outros viverem.Alguns aprendem à sua custa, quase sempre já tarde pra um proveito melhor. Eu sou desses.Pra não suceder assim a vancê, eu vou ensinar-lhe o que os doutores nunca hão de ensinar-lhe por mais que queimem as pestanas deletreando nos seus livrões. Vancê note na sua livreta:
1º. Não cries guaxo: mas cria perto do teu olhar o potrilho pro teu andar.
2º. Doma tu mesmo o teu bagual: não enfrenes na lua nova, que fica babão; não arrendes na miguante, que te sai lerdo.
3º. Não guasqueies sem precisão nem grites sem ocasião: e sempre que puderes passa-lhe a mão.
4º. Se és maturrango e chasque de namorado, mancas o teu cavalo, mas chegas; se fores chasque de vida ou morte, matas o teu cavalo e talvez não chegues.
5º. A maior pressa é a que se faz devagar.
6º. Se tens viajada larga não faças pular o teu cavalo; sai ao tranco até o primeiro suor secar; depois ao trote até o segundo; dá-lhe um alce sem terceiro e terás cavalo para o dia inteiro.
7º. Se queres engordar o teu cavalo tira-lhe um pêlo da testa todas as vezes da ração.
8º. Fala ao teu cavalo como se fosse a gente.
9º. Não te fies em tobiano, nem bragado, nem mela-do; pra água, tordilho; pra muito, tapado; mas pra tudo, tostado.
10º. Se topares um andante com os anelos às costas, pergunta-lhe - onde ficou o baio?...
11º. Mulher, arma e cavalo do andar, nada de emprestar.
12º. Mulher, de bom gênio; faca, de bom corte; cavalo de boa boca; onça, de bom peso.
13º. Mulher sardenta e cavalo passarinheiro... alerta, companheiro!...
14º. Se correres eguada xucra, grita; mas com os homens, apresilha a língua.
15º. Quando dois brincam de mão, o diabo cospe vermelho...
16º. Cavalo de olho de porco, cachorro calado e homem de fala fina? sempre de relancina...
17º. Não te apotres, que domadores não faltam...
18º. Na guerra não há esse que nunca ouviu as esporas cantarem de grilo...
19º. Teima, mas não apostes; recebe, e depois assenta; assenta, e depois paga...
20º. Quando 'stiveres pra embrabecer, conta três vezes os botões da tua roupa...
21º. Quando falares com homem, olha-lhe para os olhos, quando falares com mulher, olha-lhe para a boca... e saberás como te haver...
...................................................................................................................................................
Que foi?Ah! quebrou-se a ponta do lápis?Amanhã vancê escreve o resto: olhe que dá para encher um par de tarcas!... "
Dos interior da Provincia, dezembro de 2004
Uma mandinga das forte...
Andam nos questionando Rio Grande a fora porque que só o maneador não se arregla com nenhuma china, bueno, depois de muito matuta chegamo a conclusão no último churrasco, o homem tá com olho grande. Entonces, resorvemô "bosteá" uma mandinga das forte pra espantar mal olhado:
MANDINGA CONTRA OLHO-GRANDE
Banhos De Ervas:
- arruda macho (a arruda fêmea tem folhas negativas);- alfavaca-levante.
Pode-se comprar as folhas secas e botar em infusão na água quente. Deixar esfriar para tomar o banho de manhã cedo - da cabeça aos pés.Outro modo de preparar o banho é macerar as folhas com as mãos dentro d'água até a água ficar escura. Deixa-se descansar e toma-se o banho - sempre frio - dá cabeça aos pés - pela manhã.
No caso do Maneador, o negócio é toma banho com água escaldando...quebra-costela, hermano!
Dos interior da Provincia, dezembro de 2004.
MANDINGA CONTRA OLHO-GRANDE
Banhos De Ervas:
- arruda macho (a arruda fêmea tem folhas negativas);- alfavaca-levante.
Pode-se comprar as folhas secas e botar em infusão na água quente. Deixar esfriar para tomar o banho de manhã cedo - da cabeça aos pés.Outro modo de preparar o banho é macerar as folhas com as mãos dentro d'água até a água ficar escura. Deixa-se descansar e toma-se o banho - sempre frio - dá cabeça aos pés - pela manhã.
No caso do Maneador, o negócio é toma banho com água escaldando...quebra-costela, hermano!
Dos interior da Provincia, dezembro de 2004.
Retovando as porvadeiras....
Buenas indiada,
Depois de uns atrasos graças a um capão que se desgarrou, tamo aí de novo pra "bosteá" um chasque de fundamento. Queremo dizer que temo a crença de que o tal de mundo é uma porção de terra ao redor do Rio Grande, mas também arreglamo a idéia de que nasceram alguns gaúchos fora do Rio Grande. Em especial, aquela turma buena lá de Lages..um retovado quebra-costela...pra indiada, em especial pra Dna.Cláudia "Tirana", que aprecia a cachorrada aqui do Capando...
Dos interior da Provincia, Dezembro de 2004.
Depois de uns atrasos graças a um capão que se desgarrou, tamo aí de novo pra "bosteá" um chasque de fundamento. Queremo dizer que temo a crença de que o tal de mundo é uma porção de terra ao redor do Rio Grande, mas também arreglamo a idéia de que nasceram alguns gaúchos fora do Rio Grande. Em especial, aquela turma buena lá de Lages..um retovado quebra-costela...pra indiada, em especial pra Dna.Cláudia "Tirana", que aprecia a cachorrada aqui do Capando...
Dos interior da Provincia, Dezembro de 2004.
Peçuelos Entesourados
O Sonho do Carreteiro
Luiz Menezes
Carreteou anos a fio.Conhecia palmo a palmoas estradas da querência;Sabia onde dava passo- no tempo das enxurradas -aquele arroio sotretacemitério de carretadisfarçado em água mansaVira nascer muitos ranchosnesse corredor sem fim.Sabia que na picadalogo depois do lagoão,o umbu do enforcadodera lenda prás estóriasdos bolichos, das ramadas.Sabia bem todo o causoda tapera do repecho:A maula traíra o guascae este sem dó nem piedade,cortara junta por juntao belo corpo morenodaquela indiazinha loucaque se engraçara num piá ...Mas além, no Passo-feiovira morrer um tal Juca.Eram três contra o rapaz.E como morrerra lindoaquele guasca sem medo ...A estória ficou em segredopois diz que o tal de mandanteera mui relacionado,e até contraparentede um graudaço do povo.Conhecia palmo a palmoas estradas da querência,sempre fora carreteiro.Envelhecera na lidasem conhecer outra vidasem ter outra ocupação.Tinha por seu ganha-pãoa velha carreta amigacompanheira de cantigadaquele piazinho vivoque era, alegria e motivode seu final de existência.Pois ficaram bem solitosmais amigos do que antesdes?que a finada se fora ...Por isso sempre de noitea meia luz do candieiroficava horas inteirasmostrando prá seu piazinhoas letras do ABC.E o piá com muita memóriadecorava uma por umaas letras que galopeava,ou por outra, engarupavanas palavras do jornal.Como era esperto o guri:Foi duas, três paletadasjá sabia mais que o pai ...E foi numa dessas noitesque o velho e bom carreteiroteve um sonho de repente.E quasi num gesto loucogritou prás quatro paredesenfumaçadas do rancho:Meu filho há de ser doutor!Não há de ser carreteiro,pois estas mãos calejadasdo peso-bruto, da enxada,hão de sangrar no trabalhoprá que este piazinho feioviva melhor do que eu ...Pura e santa ingenuidade!O arroio-sociedadeprá o pobre nunca dá vau!!No outro dia cedinhoenveredou para o povo ...Voltava a velha carretaA resmungar nas estradasna viajada da esperançacarregadinha de sonhos.E o pobre e bom carreteiroia falando de tudocom seu piazinho faceirodentro da bombacha nova.Não esquecia de nadanos seus conselhos de pai:Se lá no povo à tardinhao piá sentisse saudade,bombeasse prá o horizonte,que alguém solito decertomeio tristonho é verdade,mateando assim com saudadeestaria a lhe esperar ...Que importa se demorasse,pois nunca ouvira dizerque a tal saudade matasse.Mas nesse dia por certoQuando voltasse doutortudo havia de mudar.Até o céu com certezamorada das almas purasouviria com ternurauma indiazinha chorar.E as estradas da querênciaque conhecia demais,lhe viram passar felizcom novo brilho no olhar.Mas lá no povo - cuê-puxa! -Bateu em todas as portasclamou por todos os santosrecorreu todos os amigos- muitos dos quais ajudara -andou quase mendigando,Prá dar escola pra o filhomas ninguém quis lhe escutar... E a esperança foi mermandofoi mermando ... e se apagou.Botou a carreta na estradao Piazinho dentro delatocou de volta outra vez.A noite então já chegara.Naquela enrugada carade gigante das estradasuma lágrima teimosaveio molhar-lhe o nariz ...Olhou o filho com carinho,mas com muito mais carinhoCom mais amor do que antese uma queixa derramou:Quem nasce lutando buscaa morte por liberdade!Mentira! A tal de igualdadenão existe por aqui... Que adianta se amar aos outrosse os outros não dão amor?Pega a picana, piazinhoe acorda esse boi manheiro,pois filho de carreteironunca pode ser doutor!!
Porto Alegre, minguante de dezembro.
terça-feira, dezembro 14, 2004
Ginete
"Cutuca na picanha!", gritava junto ao alambrado o patrão. Homem mui sério, dono de um vasto bigode, um corpanzil que apesar da idade inda se mostrava forte e um vozeirão, que num rompante, fazia a peonada tremer. "Dá-lhe rédea.", "esporeia" bradava eufórico o patrão. E o pobre ginete se via apertado. O vermelho corcoveava, escarciava e mudava de direção abruptamente e o homem, como que feito de mola, ia de um lado ao outro sem cair do lombo do maula. Que polvadeira levantou. Parecia até que eram dezenas de cavalos e não apenas um que corcoveava. Eram dois tauras peleando. Cada qual com seus objetivos: um pela liberdade; outro pelo soldo, pelo nome, pelo patrão. Quando estava no alto, no ápice do corcovo, o índio bombeava e via lá longe a estância e perdia-se num pensamento: Maria Rita. A filha linda daquele patrão que ralhava e gritava com ele. Estaria agora com o terço na mão, desfiando lentamente numa lamúria, pedindo a Virgem que protegesse aquele peão. Ah, Maria Rita, quanto desvelo, quanto afeto para te dedicar! E o ventena não desiste em seu entono de redomão. O ginete que por mirar a estância se perdera num sonho, volta a grudar-se nas rédeas e trata de fincar as esporar neste infame.
Com a cara vermelha, lambuzada pela terra que os corcovos levantavam e que no rosto se misturaram ao suor, parece até um índio ancestral. Desses que habitavam estes rincões antes de qualquer outro. Parecia que as gotas de suor que escorriam da testa e desprendiam-se do corpo na ponta do queixo eram sangue da terra, do homem e do cavalo. Foi quando num repente, o maula atracou-se na cerca da mangueira. Cuê Pucha! E o ginete olhos esbugalhados, veias saltadas pela força que empreendia, vira o malino atracar-se na cerca em desespero vira, também, o chão, a terra... e quando tentava levantar vira duas patas erguidas no ar, olhos como de um demônio e uma estocada na fronte. O céu tingiu-se de rubro e em meio a este rubror pode ver Maria Rita, na frente do oratório terço na mão, mãos mui brancas e delicadas, que virava para ele e lhe estendia os braços em abraço.
Desfaleceu sorrindo, os olhos abertos enquanto o patrão e a peonada se benziam.
Porto Alegre, nova de dezembro.
Com a cara vermelha, lambuzada pela terra que os corcovos levantavam e que no rosto se misturaram ao suor, parece até um índio ancestral. Desses que habitavam estes rincões antes de qualquer outro. Parecia que as gotas de suor que escorriam da testa e desprendiam-se do corpo na ponta do queixo eram sangue da terra, do homem e do cavalo. Foi quando num repente, o maula atracou-se na cerca da mangueira. Cuê Pucha! E o ginete olhos esbugalhados, veias saltadas pela força que empreendia, vira o malino atracar-se na cerca em desespero vira, também, o chão, a terra... e quando tentava levantar vira duas patas erguidas no ar, olhos como de um demônio e uma estocada na fronte. O céu tingiu-se de rubro e em meio a este rubror pode ver Maria Rita, na frente do oratório terço na mão, mãos mui brancas e delicadas, que virava para ele e lhe estendia os braços em abraço.
Desfaleceu sorrindo, os olhos abertos enquanto o patrão e a peonada se benziam.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
Bonito umas quantas veis...
Tche, agora sim tá bueno, o chinaredo tá alvoraçado de agarra nosotros pelas ruas a fora...Bendita hora que "bostearam" esta foto no blog. Tamo facero, unas quantas veis, também uns tauras destes...mas bah...
Se preparem que para o ano de 2005 teremos unas novidades...e entonces, hasta la vuelta, hermanos....
Se preparem que para o ano de 2005 teremos unas novidades...e entonces, hasta la vuelta, hermanos....
quinta-feira, dezembro 09, 2004
Retrato dos Bunitos
Suspiro de muié é um som lindo por demás, para incentivar tal ato, coloco essa foto dos quatro macanudos que escrevem nesse blog campeiro pra mais de metro.

quarta-feira, dezembro 08, 2004
Envaretado
Tchê, hoje é um daqueles dias que o índio acorda de guampa torcida e, Deus o livre, de alguém se atravessar na frente. Isso é potencializado quando se é um qüera mui tranqüilo, como yo. Bueno, depois de uma manhã de calmaria, a tarde foi de descogatar qualquer um e da noite nem se fala: um filmezinho holywodiano desses com uma moral puritana e pra arrematar, avaliação. Fico pensando que a faculdade me faz, as vezes, perder ulgumas faculdades importantes, principalmente a calma. Mas, o que fazer!? O jeito é agüentar, já que, o ano está terminando. Patrícios, peço escusas pelo envaretamento é que de vez em quando o saco é pequeno para tanta baboseira. Faço votos que amanhã seja um pouquito melhor.
Porto Alegre, minguante de dezembro.
quinta-feira, dezembro 02, 2004
quarta-feira, dezembro 01, 2004
Letraiada Redonona
Hoje as letras estão redomonas. Não hay quem as embuçale. Se largaram a la cria, e eu cá neste petiço cansado já não as trago no laço como antes. Como o campo idéia é mui largo se bandearam pro rumo do capão e não tem vivente que tire essa tropilha de letras daí de dentro. O petiço é sestroso e já vem esgualepado de um dia de lida. Que fazer? Desencilho na beirada do capão e espero que saiam. Enquanto não vêm, cevo um mate faço um foguito e pito para espantar a musquitama que se alvorota. Que lida bem braba seu! Ficar embretado por causa de umas letrinhas. Como não hay solução o jeito é esperar, quem sabe a sorte mude e depois da sesteada essa tropa marvada pra mangueira consiga levar. Me lembro certito de cada uma delas: as malhadas são "us", as salinas "as" e assim por diante todo o "abc". Mas de que adianta lembrar se esse praguedo se toco no mato e não há quem tire. Como não ideio nada, é melhor encilhar tocar pro rumo das casa e amanhã madrugadita volto pra, de novo, tentar engarupar uma a uma essa tropilha de letras
.
Porto Alegre, cheia de dezembro.
terça-feira, novembro 30, 2004
Carancho
T... tinha a incerteza na alma daqueles que plantam e espera mui larga daqueles que colhem. Mirava a ressolana que castigava a lavoura. Um campito detrás do rancho meia dúzia de pés de milho, mas que eram muito importantes. Havia galinhas no pátio cacarejando pedindo bóia, um matungo judiado que também ganhava milho, filho e a mulher. Nem imaginava ter que pedir de novo uns cobres pro coronel. Por causa dessa sandice perdera o campo do fundo no começo do mês. O que mais lhe sangrava no peito eram os piazitos mui magros que tenteavam de bodoque as perdizes no capoeral. Essa safra o Patrão do céu vai ser bueno comigo, deve mandar a chuva para a lavoura vingar. Pura e santa ingenuidade. A chuva não veio, o campo se fez morte e não vida e um dos piazitos, por fraqueza, não cruzou o inverno brabo. Uma mágoa queixosa bateu-lhe nos alhos e a chuva que não veio nas lágrimas se mostrou. E o sal que lhe molhava o rosto, deixando a boca em fel lhe fez erguer os olhos e clamar para o céu. Que Deus olhasse para sua desgraça e mandasse ventura ou olhe dizimasse a raça.
Na madrugada campeira não foi T... que chorou mas o céu - morada das almas puras - que mandou água e esperança para este rancho de um carancho que cismava em acreditar e sonhar.
Na madrugada campeira não foi T... que chorou mas o céu - morada das almas puras - que mandou água e esperança para este rancho de um carancho que cismava em acreditar e sonhar.
Porto Alegre, cheia de novembro.
sábado, novembro 27, 2004
A Lua que posso tocar
Quando mirei a lua redonda, não no céu, mas seu reflexo no lagoão, senti que o mundo era bueno uma barbaridade. E eu que vinha a trote, do povo para a estância, parei num repente e fique ali bobeando aquela lua mui linda que vez por outra se mexia, pelas maretiadas dos biguás. Compreendi, então, porque muitos a transformaram em deusa. Grande, redonda com aquelas manchas escuras cheias de segredos. Além do mais, és Lua, nome bonito de china que enfeitiça tanto quanto aquela do Jarau. Mas teu encanto é diferente, não é a plata que consome o índio por dentro, é o teu segredo a melodia do teu nome. Quem sabe um dia tu foste mulher, de carne e osso, que pucha! A mais bela entre as outras devias ser. Terias cabelos negros de noite, olhos mui negros, também, estes, doces e escuros como a guabijú e de pele morena... sim morena, porque a deusa dos meus sonho tem a pele morena como cuia, como terra. Eras tão bela que nosso Patrão te quis junto dele e mais, te quis como deusa, como mistérios, como um querer que não se alcança. Apeio, levo a mão para tocar o teu reflexo e o que encontro é a água fria, morta do lagoão. Que pealo, pensar que as deusas poderiam habitar entre paisanos tão rudes e tão simples. Lavo a cara e as lembranças, pé no estrivo dou uma última mirada como que num adeus e a trote largo me bandeio para a estância onde a Lua também é morena e nessa sim, posso tocar.
Porto Alegre, cheia de novembro.
quarta-feira, novembro 24, 2004
Temô de Volta
Enfim a tranqüilidade! Pois é patrícios, hoje desatei a soga do gateado, lavei o lombo suado e o soltei no pasto. Quanto a mim, estendi o baxero os peleguitos e me atirei debaixo da figueira para uma buena sesteada. Foi-se a lida empeçada, ficou o cansaço e a esperança de que ela não fora em vão. No mais ando tocando cavalo. Fim de ano é sempre uma galopeada em disparada, mas já estou contando os dias pras féria, e daí, me toco pro meu interior. Gado, campo, minha Florecita pra matear nas manhãnitas do pago, isso que é vidão. De agora em diante o velho Curador volta ativa, e os que já estavam pensando em deixar de visitar o Capando por falta de peçuelo, podem ir desistindo. Bueno, patrícios por hoje é isso, to bem esgualepado e a cabeça anda pedindo traveseiro, entoces, hasta la vuelta.
Porto Alegre, crescente de novembro.
sexta-feira, novembro 19, 2004
Hemanos, loco de especial...
Como lhes disse hoje eu meu cumpadre Marcador estivemos em Viamão charlando com um pessoal loco de especial. Gente simples, mas de alma nobre. Foi por demais poder passar o pouco que sabemos para eles. Pessoas interessadas em compreender o porquê das coisas, rever valores e conceitos. Podemos tocar, conversar e aprender muito com estes hermanos. Não éramos melhores nem, tão pouco, superiores mas aprendizes. Vivências trocadas nas experiências mais singelas daqueles que muito viveram. E que têm muito para ensinar. São nestas coisas simples da gente que percebo o quanto o Patrão tem nos abençoado. Da convivência sobraram buenos regalos que, de fato, não merecemos, mas que vêm com chuva boa em meio ao estio. A estes patrícios fica o meu mais sincero muito obrigado.
Porto Alegre, crescente de novembro.
quinta-feira, novembro 18, 2004
Ainda não foi desta vez...
Bueno patrícios, ustedes devem estar sentindo falta dos posts, ainda ando abichornado por causa da prova que vou fazer na semana que vem. Contudo, dei uma cruzada pra avisá que tô vivo e intero. Amanhã eu e meu patrício Marcador vamos até Viamão dar uma palestra sobre "O Negro na Fundação Étnica do Gaúcho" além de prosiá com os índios vamos tocar alguma côsa. No mas, todo de mi flor. Aos que têm entrado na comunidade do ingurte um bienvenido e aos que ainda não entraram fica o convite.
Termino com um regalo: "Quando o pai que foi gaiteiro, desta vida se ausentou. O negro piá solitário, tal como pedra rolou. E se fez homem prosiando, com a gaita que o pai deixou.
Porto Algre, nova de novembro.
sábado, novembro 13, 2004
Explicações aos patrícios
Bueno patrícios, como ustedes já devem ter percebido número de postes do Capando tiveram uma séria queda nas últimas duas semanas. Embora, o Maneador já tenha se desculpado, este é sempre muito preocupado com nossos patrícios, resolvi também explicar o quê está acontecendo.
Empecei uma lida das mais vaqueanas e que tem exigido de mim muito esforço e tempo e por causa disto não tenho postado. Isso ainda vai durar mais umas duas semanas, se o Patrão de nossotros todos permitir, e daí a lida toma o seu rumo normal.
Mais uma coisa, agora o Capando possui uma comunidade no Orgurte querendo podem se filiar.
Porto Alegre, minguante de novembro.
Empecei uma lida das mais vaqueanas e que tem exigido de mim muito esforço e tempo e por causa disto não tenho postado. Isso ainda vai durar mais umas duas semanas, se o Patrão de nossotros todos permitir, e daí a lida toma o seu rumo normal.
Mais uma coisa, agora o Capando possui uma comunidade no Orgurte querendo podem se filiar.
Porto Alegre, minguante de novembro.
quinta-feira, novembro 11, 2004
Na época em que os bichos falavam...
Quem se criou na campanha conhece os mais diferentes tipos de habitantes dos nossos capões de mato e do campo. Pois bem, vai que a muito tempo atrás esses bichos falavam e é nesta época que se situa o que quero contar.
Num grande capão de mato bem próximo a um lagoão vivia uma família de bugios. Uma família não, uma comunidade de bugios. Todos eles viviam faceiros da vida com aguada e comida farta, poucas eram as preocupações e os desentendimentos. Quem comandava essa bugiozada toda era o mais velhos dentre eles chamado: Antenor "o inflexível". Era conhecido por este epíteto por causa de suas decisões sempre firmes e arbitrárias, as quais, todos acatavam com uma confiança infantil.
A vida ia as passo tranqüilo: Antenor mandava e os outros obedeciam. Um dia depois de uma forte tormenta de inverno, os bugios responsáveis por coletar a comida encontraram algo diferente no setor norte do capão. Eram bugios, também, só que de pelagem e cara negra. Voltaram a trote largo para a comunidade e foram relatar a notícia para o inflexível Antenor, este ficou mais do que preocupado e em uma reunião de emergência com o serviço de inteligência - que de inteligência não tinha nada, pois eram um bando de paus mandandos - resolveu-se que deveriam espionar o tal grupo.
Mais do que depressa montou-se a força tarefa e rumaram para o setor norte. Ficaram muito impressionados com o que viram: a comunidade dos bugios negros já estava muito adiantada em suas construções, viam-se escolas, igreja, uma espécie de estádio sem o campo no meio e menor, as famílias pareciam muito felizes e todos conversavam entre si amigavelmente. Como não eram bons espiões foram logo descobertos e ao invés de serem atacados, foram chamados para uma charla. De primeiro estes estavam sestrosos, mas entre um mate e outro, acabaram se tornando menos arredios. E entre uma conversa e outra descobriram que estes não possuíam chefe, tampouco um líder e que a comunidade era direcionada por um conselho e as propostas aprovadas em assembléia.
Voltaram para a sua comunidade abismados com tamanhas novidade e bem no fundo sentiram uma pontinha de inveja. Ao relatarem o visto para seu líder este baixou um decreto na mesma hora: "Todos estão proibidos de ir até o setor norte e de ter qualquer contato com os bugios daquele setor". A maioria acatou sem questionar, alguns dos que haviam estado entre os bugios da outra comunidade fugiram e passaram a morar com eles. Quando soube disso Antenor promulgou leis ainda mais severas e cerceando a liberdade de seus "súditos". Uma missão de paz, neste ínterim, foi enviada pelos bugios do norte, mas nem sequer foram recebidos. Diante de tal situação o povo acabou se dividindo em duas alas: os que eram pró diálogo e os que eram partidários do Antenor. Como eram a minoria os liberais - assim foram chamados mais tarde - foram facilmente calados ou apagados.
O setor norte acabou por se tornar para alguns sinônimo do inferno e para outros uma realidade inatingível. Como um sonho bom, ou uma daquelas velhas histórias que se contam em tardes de chuva onde há felicidade e liberdade para todos.
Num grande capão de mato bem próximo a um lagoão vivia uma família de bugios. Uma família não, uma comunidade de bugios. Todos eles viviam faceiros da vida com aguada e comida farta, poucas eram as preocupações e os desentendimentos. Quem comandava essa bugiozada toda era o mais velhos dentre eles chamado: Antenor "o inflexível". Era conhecido por este epíteto por causa de suas decisões sempre firmes e arbitrárias, as quais, todos acatavam com uma confiança infantil.
A vida ia as passo tranqüilo: Antenor mandava e os outros obedeciam. Um dia depois de uma forte tormenta de inverno, os bugios responsáveis por coletar a comida encontraram algo diferente no setor norte do capão. Eram bugios, também, só que de pelagem e cara negra. Voltaram a trote largo para a comunidade e foram relatar a notícia para o inflexível Antenor, este ficou mais do que preocupado e em uma reunião de emergência com o serviço de inteligência - que de inteligência não tinha nada, pois eram um bando de paus mandandos - resolveu-se que deveriam espionar o tal grupo.
Mais do que depressa montou-se a força tarefa e rumaram para o setor norte. Ficaram muito impressionados com o que viram: a comunidade dos bugios negros já estava muito adiantada em suas construções, viam-se escolas, igreja, uma espécie de estádio sem o campo no meio e menor, as famílias pareciam muito felizes e todos conversavam entre si amigavelmente. Como não eram bons espiões foram logo descobertos e ao invés de serem atacados, foram chamados para uma charla. De primeiro estes estavam sestrosos, mas entre um mate e outro, acabaram se tornando menos arredios. E entre uma conversa e outra descobriram que estes não possuíam chefe, tampouco um líder e que a comunidade era direcionada por um conselho e as propostas aprovadas em assembléia.
Voltaram para a sua comunidade abismados com tamanhas novidade e bem no fundo sentiram uma pontinha de inveja. Ao relatarem o visto para seu líder este baixou um decreto na mesma hora: "Todos estão proibidos de ir até o setor norte e de ter qualquer contato com os bugios daquele setor". A maioria acatou sem questionar, alguns dos que haviam estado entre os bugios da outra comunidade fugiram e passaram a morar com eles. Quando soube disso Antenor promulgou leis ainda mais severas e cerceando a liberdade de seus "súditos". Uma missão de paz, neste ínterim, foi enviada pelos bugios do norte, mas nem sequer foram recebidos. Diante de tal situação o povo acabou se dividindo em duas alas: os que eram pró diálogo e os que eram partidários do Antenor. Como eram a minoria os liberais - assim foram chamados mais tarde - foram facilmente calados ou apagados.
O setor norte acabou por se tornar para alguns sinônimo do inferno e para outros uma realidade inatingível. Como um sonho bom, ou uma daquelas velhas histórias que se contam em tardes de chuva onde há felicidade e liberdade para todos.
Porto Alegre, minguante de novembro.
sábado, novembro 06, 2004
Que bicho...
A chuva mansa que molha o campo refazendo esperança. O berro do terneiro de lombo molhado ao lado da rês. E o quero-quero que se esconde sestroso n'alguma tronqueira esperando que a chuva matreira vá mermando até se acabar. Num clarão de algum relâmpago uma perdiz assustada bate asas na direção da ramada. Encostado no oitão o cusco também mira a chuva, não só mira como sente na pele seus respingos que insistem em fazê-lo passar frio. Não vê luzes no rancho e nos ouvidos atentos só o tilintar das gotas batendo no chão. Vez por outra um berro de touro ou um estrondo de relâmpago corta a quietude. A colita entre as pernas, os tremores que o assaltavam e uma queixa no olhar. Que bicho é esse chamado homem que deixa seu amigo na chuva morrendo de frio? Que bicho é esse chamado homem que faz dos amigos mais chegados distantes na hora do aperto? Que bicho que é esse chamado homem? Que bicho...
Porto Alegre, minguante de novembro.
quinta-feira, novembro 04, 2004
Chasquito
Buenas patrícios. A coisa anda braba mais vai se levando, é que por esses dias ando me ocupando com um mundo de coisas e o tempo para postar está escassiando. Mas como sei que existem leitores assíduos do Capando não poderia deixar de dar-lhes um buenas ao menos. Sobre o que tem acontecido nos últimos dias não há muitas novidades, o feriado dos mortos foi festejado por nossostros com um churrasco mui bagual no rancho do Capando. Ilustres presenças de amigos antigos e outros novos que estão se aquerenciando. O Maneador, o Marcador e eu até demos uma canjinha para os presentes tocando alguns clássicos embalados a uma ponchada de sapucais.
Patrícios faço compromisso de esta semana postar algo de serventia. No mas como diz meu patrício Maneador: "hasta la vuelta!"
Porto Alegre, cheia de novembro.
Patrícios faço compromisso de esta semana postar algo de serventia. No mas como diz meu patrício Maneador: "hasta la vuelta!"
Porto Alegre, cheia de novembro.
quarta-feira, novembro 03, 2004
Desbocado e sem costeio...
Não sei quanto a ustedes, mas tem mañana que yo acordado com o diabo no corpo. Dá vontade de tomar um talagaço de canha, virar o cano da bota e me sair pra escaramuça da lida pampeana. Arreglar um bueno "criollo", tracejar una cruz na estampa e me enforquilhar campo afora...
Mas tche daí, repenso em tudo o que me vem aos braços pelo Patrão Velho: esta buena vida no sagrado chão do Continente de São Pedro, o mate na roda lá do galpão com os patricios, parceiros pra toda a lida, os carinhos da percanta, mas ah...
Bueno, e bamo tocando la vida...
Porto Alegre, Dia dos Vivos e desbocados....Novembro/2004.
Mas tche daí, repenso em tudo o que me vem aos braços pelo Patrão Velho: esta buena vida no sagrado chão do Continente de São Pedro, o mate na roda lá do galpão com os patricios, parceiros pra toda a lida, os carinhos da percanta, mas ah...
Bueno, e bamo tocando la vida...
Porto Alegre, Dia dos Vivos e desbocados....Novembro/2004.
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