Vinícius Brum / Mauro Ferreira / Luiz Carlos Borges
Na sombra de um bolicho à beira estrada, daqueles que do mundo se perdeu
Encontra-se uma gente reunida, a espera de um chamado de seu Deus
Perfumes de bom fumo amarelido, paredes com suas almas penduradas
Paciências de um lugar envelhecido, e uma coragem de quem não tem nada
Apeia um forasteiro: o que é da vida responde o bolicheiro: está cansada
A gente de bombacha anda esquecida desiludida nos beirões da estrada
Buscamos nossa terra prometida um mundo pras crianças e pros velhos
O sul que nós sonhamos onde a vida devolva o que branqueou nossos cabelos
Mas cada ano a seca de janeiro, precede um novo inverno de asperezas
Parece que o destino do campeiro não pode pedir mais que pão na mesa
E aos poucos, o que diz o bolicheiro se multiplica em vozes pelo ar
E volta a se calar o forasteiro, junta o violão no peito pra cantar
Já vi quase de tudo em minha vida, a séculos que ando pela estrada
Vi a morte sobre a terra prometida, e a vida sobre a terra abandonada
Vi um homem pondo fogo na colheita, enquanto outro semeava num deserto
Já vi perto o que ontem era um sonho, e longe vi o que sempre fora certo
Um povo sonha Deus a sua imagem, e Deus devolve a terra a cada povo
Moldada no trabalho e na coragem que o povo usou pra levantar o sonho
Aqui é nosso inferno e paraíso, a vida é uma planta por cuidar
A que morrer por ela se preciso, o sul somente o sul pode salvar
Assim falou pro povo o forasteiro, depois montou e envolto num clarão
Sumiu emoldurado pela tarde, bem como o sol dissipa a serração
Uns dizem que mais altos que os cerros ele segue abençoando este rincão
Mas muitos acreditam que essa gente ouviu a voz do próprio coração
O certo é que um a um se foi às casas, por que havia uma planta por cuidar
Arar a terra a cada madrugada, para a semente que há de germinar
O homem faz seu Deus que faz o sonho, um sonho azul maior que este lugar
Na luz que vem dos olhos dessa gente, o sul um dia se iluminará
Porto Alegre, nova de agosto.
Blogue grosso e taura uma barbaridade. Nele, além de cultura, literatura, música, payadas, vão nossos chasques e peçuelos. Reflexões feitas à beira dum fogo de chão escritas por quatro queras arinconados em Porto Alegre: Maneador, Castrador, Curador e Marcador.
domingo, agosto 27, 2006
quarta-feira, agosto 23, 2006
Eu até deixei as rinhas
Talvez por penalizado,
Ou talvez por espicaçado,
Que o remorso não perdoa,
Por que se a vida é tão boa.
É um banditismo da gente
Fazer de um bicho valente
Matar ou morrer à toa!!
Na rinha os puaços corriam soltos: o galo mais delgado, dono de esporas mui grandes, contava com a cara toda lanhada, enquanto seu adversário, menorzito um pouco, trazia o bico quebrado. Ninguém ousava intervir e o dinheiro corria solto... todos sabiam que, a bem da verdade, quem ganhava era o dono do rinhadeiro, mas, como diziam a maioria, era por diversão que faziam os bicho pelearem, não pelos cobres.
Bombeando de longe o bárbaro espetáculo, Onório sentia uma dor ingrata no peito. Maleva o homem que faz daqueles que consegue serviçais do seu divertimento. Não era diferente na estância, nos galpões, nas cidades... alguém sempre estaria a mercê do divertimento alheio. Será isso destino ingrato dos que não têm com quem contar!? Muitos dos que ali se encontravam serviam tanto, ou mais, a patrões muito mais cruéis, que não os obrigavam a brigar, mas a mendigar o pão, a existência. Via o Ramão aos gritos de ala pucha e pensava que a sina ingrata lhe fizera matar a própria filha, pois esta engravidara do filho do coronel. Largados no lançante, assim, os pensamentos lhe faziam concluir que, talvez, a dura sorte dos galos finos não fosse das mais injustas... O homem é um galo cego e sem puas lutando contra outro bem gordo, armado e empuado...
Nessa hora jazia morto o menorzito, lanhado e ensangüentado, enquanto os vencedores compravam mais canha com os trocos do prêmio.
Porto Alegre, nova de agosto.
Talvez por penalizado,
Ou talvez por espicaçado,
Que o remorso não perdoa,
Por que se a vida é tão boa.
É um banditismo da gente
Fazer de um bicho valente
Matar ou morrer à toa!!
Na rinha os puaços corriam soltos: o galo mais delgado, dono de esporas mui grandes, contava com a cara toda lanhada, enquanto seu adversário, menorzito um pouco, trazia o bico quebrado. Ninguém ousava intervir e o dinheiro corria solto... todos sabiam que, a bem da verdade, quem ganhava era o dono do rinhadeiro, mas, como diziam a maioria, era por diversão que faziam os bicho pelearem, não pelos cobres.
Bombeando de longe o bárbaro espetáculo, Onório sentia uma dor ingrata no peito. Maleva o homem que faz daqueles que consegue serviçais do seu divertimento. Não era diferente na estância, nos galpões, nas cidades... alguém sempre estaria a mercê do divertimento alheio. Será isso destino ingrato dos que não têm com quem contar!? Muitos dos que ali se encontravam serviam tanto, ou mais, a patrões muito mais cruéis, que não os obrigavam a brigar, mas a mendigar o pão, a existência. Via o Ramão aos gritos de ala pucha e pensava que a sina ingrata lhe fizera matar a própria filha, pois esta engravidara do filho do coronel. Largados no lançante, assim, os pensamentos lhe faziam concluir que, talvez, a dura sorte dos galos finos não fosse das mais injustas... O homem é um galo cego e sem puas lutando contra outro bem gordo, armado e empuado...
Nessa hora jazia morto o menorzito, lanhado e ensangüentado, enquanto os vencedores compravam mais canha com os trocos do prêmio.
Porto Alegre, nova de agosto.
sábado, agosto 19, 2006
Fragmento
Se no primeiro tiro de laço não se piala o cupinudo, entonces hay que empeçar nova lida.
Porto Alegre, nova de agosto.
Porto Alegre, nova de agosto.
quarta-feira, agosto 16, 2006
Alas fresca!!!
Será que o colorado ganha!?
Porto Alegre, nova de agosto.
P.S. No mês do cachorro-loco tudo é possível!
Porto Alegre, nova de agosto.
P.S. No mês do cachorro-loco tudo é possível!
segunda-feira, agosto 14, 2006
Ovelha não é pra mato
0 preparo da invasão de Santo Tomé não era segredo em São Borja. Além do pessoal do 14, que deveria cruzar o Uruguai à gaúcha por despiste, o Coronel Beijo andava a aliciar mais gente com promessas de recompensa. Conhecedor das situações individuais, sabia "chegar" em cada um conforme as necessidades. Com tal fim, abordou o comerciante J.A.:
- Escuta, Zequinha, sei que teu negócio não desenvolve. Por isso te proponho que tomes parte na invasão. Tu vais na segunda leva, só para fazer número, que isso impressiona e os castelhanos vão pagar por cabeça. Vai e te forra de mercadoria, que vão dar saque livre.
Zequinha pôs-se em brios. Miudinho e trêmulo, lá estava ele naquele fatídico 29 de dezembro de 1933. Cruzou o rio pensando na "venda" sortida. Porém, ao pôr pé em terra, sentiu que algo se atravessava em seus planos - a resistência dos gendarmes era maior que a esperada. Corria bala a torto e a direito! Um graduado da policia correntina varria a praça de Santo Tomé, encarapitado num telhado. Por pura "gala criolla" até tirava um trecho do "Zé Pereira" na metralhadora!
E agora?!
Zequinha se benzeu para agarrar coragem. Tirando partido de seu tamanho de pouca sombra, esgueirou-se no meio do tiroteio, chegou até a um bolichão e entrou. Atingira seu primeiro objetivo, mas as prateleiras estavam vazias! Só restara, no alto de uma delas, um belo e solitário par de botas... Num pulo, deu de mão, pô-las embaixo do braço e saiu rastejando por vielas desertas, até se por a salvo. Saltando para dentro da balsa, praguejou, fazendo figa para o chão estrangeiro:
- Não volto rico, seus bostas, mas este troféu vai provar a minha coragem!
No meio da noite, bateu em casa. Desvencilhou-se dos trajes guerreiros e acessórios de briga (um Nagant que engasgara com o medo do dono, uma língua-de-ximango com cabo de espiga e um bocozinho com vinte cartuchos), e foi provar as botas na frente da família. Caiu de queixo: havia trazido duas botas para o mesmo pé!...
Porto Alegre, nova de agosto.
- Escuta, Zequinha, sei que teu negócio não desenvolve. Por isso te proponho que tomes parte na invasão. Tu vais na segunda leva, só para fazer número, que isso impressiona e os castelhanos vão pagar por cabeça. Vai e te forra de mercadoria, que vão dar saque livre.
Zequinha pôs-se em brios. Miudinho e trêmulo, lá estava ele naquele fatídico 29 de dezembro de 1933. Cruzou o rio pensando na "venda" sortida. Porém, ao pôr pé em terra, sentiu que algo se atravessava em seus planos - a resistência dos gendarmes era maior que a esperada. Corria bala a torto e a direito! Um graduado da policia correntina varria a praça de Santo Tomé, encarapitado num telhado. Por pura "gala criolla" até tirava um trecho do "Zé Pereira" na metralhadora!
E agora?!
Zequinha se benzeu para agarrar coragem. Tirando partido de seu tamanho de pouca sombra, esgueirou-se no meio do tiroteio, chegou até a um bolichão e entrou. Atingira seu primeiro objetivo, mas as prateleiras estavam vazias! Só restara, no alto de uma delas, um belo e solitário par de botas... Num pulo, deu de mão, pô-las embaixo do braço e saiu rastejando por vielas desertas, até se por a salvo. Saltando para dentro da balsa, praguejou, fazendo figa para o chão estrangeiro:
- Não volto rico, seus bostas, mas este troféu vai provar a minha coragem!
No meio da noite, bateu em casa. Desvencilhou-se dos trajes guerreiros e acessórios de briga (um Nagant que engasgara com o medo do dono, uma língua-de-ximango com cabo de espiga e um bocozinho com vinte cartuchos), e foi provar as botas na frente da família. Caiu de queixo: havia trazido duas botas para o mesmo pé!...
Porto Alegre, nova de agosto.
quinta-feira, agosto 03, 2006
Depois que encerrou a correria eu achei que ia postar como fazia antes, ledo engano. E não foi por falta de assunto, tampouco por mermarem as tentativas: solo paro na frente deste teclado, começo a digitar e não saí nada que presta. Bueno, o jeito é recobrar o velho ritmo aos pouquitos, contando uma que outra mentira e cosa-e-tal... Ando lendo "Rodeio dos Ventos" do Barbosa Lessa, muito interessante, principalmente, o primeiro capítulo. No mais, tentado encontrar algo que valha apena ser escrito. Estive em Três de Maio, mas isso eu conto melhor outro dia, por enquanto é só...
Porto Alegre, nova de agosto.
P.S. Vai ver que é a influência má do mês do cachorro-loco que tem me tirado o prumo.
Porto Alegre, nova de agosto.
P.S. Vai ver que é a influência má do mês do cachorro-loco que tem me tirado o prumo.
quarta-feira, julho 19, 2006
Tche, quem diz que nós não fazemo fandango. Pois é, ontonte reuniu-se extraordinariamente o Capando Touro a Unha, tencionado ir assistir ao Show do César Oliveira e Rogério Mello. Bueno, acabamo se atrasando e decidimos ficar cá pelo rancho do marcador, degustando uma iguaria campeira de fundamento. Discutimos até a politica das meias do Getúlio...foi loco de especial. A foto ao ladoé só para ilustrar a cachorrada no dia dos parabenzo da senhora do marcador. Só para identificar, o gambá de copo na mão é o letrado curador. O japônes de braço cruzado é um indio loco de bueno, é o castrador. O maneador é aquele ao fundo de bege, grudado na Dna. Miriam...é o Maneador. E este indio de barbas e cuia em punho, é este que vos escreve, igual a um analfabeto, o Marcador.Hasta.
sábado, julho 15, 2006
O Inverno
Segredou-me o vento sul que cabresteia o inverno
Cantando nas casuarinas rompendo folhas e cerne
Lãs que tenho, lenha pouca silêncios de quase um ano
Sabenças que armazenei insuficientes, bem sei
Para enfrentar o tirano
Qual general de campanha vai mandar o minuano
Virá com mil artimanhas intimidar o meu rancho
E eu silente mateando fogo de chão caprichado
No meu pala enrodilhado vou me quedar esperando
Nunca o temi, que o varal de charque era lotado
Cavalo bem amilhado vinho prá cem madrugadas
Erva mansa, quincha buena de Santa Fé, despontada
Violão para as insônias que por amargas e longas
Tinha a alma calejada
Já nem mais canto milongas temendo o embate fatal
Dá pena ver o varal sem a fartura das mantas
Não sei se ri, ou se canta o vento quando ultrapassa
Não estou chorando, senhores é o efeito da fumaça
Não estou chorando, senhores
É o efeito da fumaça
Porto Alegre, cheia de julho.
Cantando nas casuarinas rompendo folhas e cerne
Lãs que tenho, lenha pouca silêncios de quase um ano
Sabenças que armazenei insuficientes, bem sei
Para enfrentar o tirano
Qual general de campanha vai mandar o minuano
Virá com mil artimanhas intimidar o meu rancho
E eu silente mateando fogo de chão caprichado
No meu pala enrodilhado vou me quedar esperando
Nunca o temi, que o varal de charque era lotado
Cavalo bem amilhado vinho prá cem madrugadas
Erva mansa, quincha buena de Santa Fé, despontada
Violão para as insônias que por amargas e longas
Tinha a alma calejada
Já nem mais canto milongas temendo o embate fatal
Dá pena ver o varal sem a fartura das mantas
Não sei se ri, ou se canta o vento quando ultrapassa
Não estou chorando, senhores é o efeito da fumaça
Não estou chorando, senhores
É o efeito da fumaça
Porto Alegre, cheia de julho.
domingo, julho 09, 2006
Enfim, terminou. Redundante, mas verdadeiro. Depois de seis meses loqueando com semiótica literária e a obra do Jayme Caetano, a monografia foi entregue. Defendo-a na quarta... como diria meu amigo Maneador: "apliques mil". Assim, como prometido, volto a postar com mais assiduidade.
Por cá, ainda hay alguns atropelos por resolver.
Bueno, entonces por hoje é só.
Porto Alegre, cheia de julho.
Por cá, ainda hay alguns atropelos por resolver.
Bueno, entonces por hoje é só.
Porto Alegre, cheia de julho.
quarta-feira, julho 05, 2006
Achei este texto no jornal de hoje, muito interessante e, por isso, resolvi compartilhar com os patrícios. No mais ando tocando cavalo... semana próxima, volto a postar com "modos de gente".
Bolinha de gude
Kledir Ramil
Na era paleolítica, quando eu era uma criança caminhando sobre a Terra e ainda não haviam inventado o Play Station, jogava-se bolinha de gude. A palavra gude vem do provençal Gode e quer dizer "pedrinha redonda, lisa". Em geral, as bolinhas de gude eram feitas de vidro transparente, com desenhos variados, uma mais bonita do que a outra.
A Bocha era uma exageradamente grande e proibida nas disputas, pois quebrava as pequenas. Assim como a Esfera de Aço, o terror dos terrenos baldios, onde eram montados os nossos campos de batalha.
Havia também bolinhas de osso, de madeira e até de cobre, mas eram raras. Com o uso, todas elas iam ficando meio lascadas. Perdiam em beleza, mas ganhavam em eficiência.
O jogo, também conhecido como Bulita, consistia basicamente em acertar, com a sua, a bolinha dos outros. A coisa podia ser "às brinca" ou "às ganha". Nesse caso, quem era acertado perdia a bolinha. Por isso, cada guri carregava um saquinho de pano, que ia enchendo ou esvaziando, conforme a destreza pessoal. Ou então o tamanho da mesada. É claro que as bolinhas compradas no armazém da esquina não tinham o mesmo valor daquelas conquistadas em campo. Cada uma dessas era um troféu, com sua história particular, nome do perdedor e algumas mentiras inventadas para valorizar ainda mais o feito.
A técnica usada para jogar era simples. Apoiava-se a bolinha entre os dedos polegar, do meio e indicador. Ou seja, o dedão, o pai de todos e o fura-bolo. Com uma leve pressão do polegar, a bolinha de vidro era arremessada em velocidade na direção do alvo, a coitada da bulita do outro. Quem não tinha muito estilo e elegância no trato do jogo usava uma técnica conhecida como cu-de- galinha. E virava motivo de gozação. Era preciso estar preparado para enfrentar a crueldade das ruas.
Lá em Pelotas, o tipo de jogo mais comum era o Imba. Um buraco cavado na areia, que funcionava como zona neutra, de onde se partia para acertar os concorrentes. O Triângulo era mais sofisticado. Desenhava-se no chão, com um pedaço de pau, um polígono de 3 lados. Em cada vértice era colocada uma bolinha. Quem conseguisse acertar e fazê-la sair para fora dos limites do desenho, levava.
Um dia, eu estava no campinho, jogando com alguns amigos. De repente, surgiu um marmanjo mais velho com cara de marginal e gritou: "Levante!". Roubou todas as bolinhas, botou no bolso e foi embora.
Foi aí que comecei a me dar conta que o mundo era injusto e que viver não ia ser fácil.
Porto Alegre, quarto-crescente de julho.
Bolinha de gude
Kledir Ramil
Na era paleolítica, quando eu era uma criança caminhando sobre a Terra e ainda não haviam inventado o Play Station, jogava-se bolinha de gude. A palavra gude vem do provençal Gode e quer dizer "pedrinha redonda, lisa". Em geral, as bolinhas de gude eram feitas de vidro transparente, com desenhos variados, uma mais bonita do que a outra.
A Bocha era uma exageradamente grande e proibida nas disputas, pois quebrava as pequenas. Assim como a Esfera de Aço, o terror dos terrenos baldios, onde eram montados os nossos campos de batalha.
Havia também bolinhas de osso, de madeira e até de cobre, mas eram raras. Com o uso, todas elas iam ficando meio lascadas. Perdiam em beleza, mas ganhavam em eficiência.
O jogo, também conhecido como Bulita, consistia basicamente em acertar, com a sua, a bolinha dos outros. A coisa podia ser "às brinca" ou "às ganha". Nesse caso, quem era acertado perdia a bolinha. Por isso, cada guri carregava um saquinho de pano, que ia enchendo ou esvaziando, conforme a destreza pessoal. Ou então o tamanho da mesada. É claro que as bolinhas compradas no armazém da esquina não tinham o mesmo valor daquelas conquistadas em campo. Cada uma dessas era um troféu, com sua história particular, nome do perdedor e algumas mentiras inventadas para valorizar ainda mais o feito.
A técnica usada para jogar era simples. Apoiava-se a bolinha entre os dedos polegar, do meio e indicador. Ou seja, o dedão, o pai de todos e o fura-bolo. Com uma leve pressão do polegar, a bolinha de vidro era arremessada em velocidade na direção do alvo, a coitada da bulita do outro. Quem não tinha muito estilo e elegância no trato do jogo usava uma técnica conhecida como cu-de- galinha. E virava motivo de gozação. Era preciso estar preparado para enfrentar a crueldade das ruas.
Lá em Pelotas, o tipo de jogo mais comum era o Imba. Um buraco cavado na areia, que funcionava como zona neutra, de onde se partia para acertar os concorrentes. O Triângulo era mais sofisticado. Desenhava-se no chão, com um pedaço de pau, um polígono de 3 lados. Em cada vértice era colocada uma bolinha. Quem conseguisse acertar e fazê-la sair para fora dos limites do desenho, levava.
Um dia, eu estava no campinho, jogando com alguns amigos. De repente, surgiu um marmanjo mais velho com cara de marginal e gritou: "Levante!". Roubou todas as bolinhas, botou no bolso e foi embora.
Foi aí que comecei a me dar conta que o mundo era injusto e que viver não ia ser fácil.
Porto Alegre, quarto-crescente de julho.
terça-feira, julho 04, 2006
Jayme Caetano...
"Cruza de um mestre-escola de origem alemã, o Prof. João Aloyzio Braum, e de uma formosa cabocla, crespa e jambo, dos Sete Povos das Missões, Dona Euclides Ramos Caetano, o poeta surgiu na região de Sepé Tiaraju e sugou no leite da infância e no churrasco da juventude, toda essa força telúrica do ancestralismo, com que pode, agora, transmudar em beleza e som e rima os motivos explorados e inexplorados da vida, da luta e do sofrimento do gaúcho.
(...)
Jayme Caetano Braun não é apenas um fazedor de versos. Tem personalidade definida. Encarna, com vigor e determinação a defesa das nossas tradições, seriamente ameaçadas por um processo degenerativo."
Porto Alegre, nova de julho.
(...)
Jayme Caetano Braun não é apenas um fazedor de versos. Tem personalidade definida. Encarna, com vigor e determinação a defesa das nossas tradições, seriamente ameaçadas por um processo degenerativo."
Porto Alegre, nova de julho.
quarta-feira, junho 28, 2006
segunda-feira, junho 26, 2006
Velha Faca
Um palmo e pico de aço,
rude e glorioso pedaço
da espada de um general.
Cabo de prata estrangeira
- velha faca brigadeira
que nunca me deixou mal.
Nesse tempo eu era moço,
não tinha o sangue tão grosso
nem a memória tão fraca.
Índio gaudério sem marca
era maior que um monarca
quando empunhava essa faca.
Mas não era compra-briga,
desses que enchem a barriga
em bochinchos de galpão.
Mui amigo do sossego
não arriscava o pelego
em "rolos" sem precisão.
Mas quando lá volta e meia
me entreverava em peleia
por honra ou obrigação,
afrontava qualquer risco
e essa faca era um corisco
brigando na minha mão.
Sei que há quem ria disso:
- a faca tinha feitiço,
coisa botada, sei lá!
Se escapava da bainha
e ia brigar sozinha
se eu deixasse ela brigar!
Mas Dom Tempo barbaçudo
que dá sumiço em tudo,
coisa viva e coisa morta,
foi-se chegando ronceiro,
cruzou sem pressa o terreiro,
passou depois pela porta.
Quantas vezes já nem lembro,
vi enfeitar-se setembro
com as flores roxas do ipé.
Do moço de antigamente
resta este trapo de gente
que mal e mal fica em pé...
E a velha faca amigaça
me acompanhou na desgraça,
me aparceirou na miséria.
- Extraviada da bainha,
ainda lá pela cozinha
nas mãos da negra Quitéria.
Porto Alegre, cheia de junho.
E viva o frio!!!
rude e glorioso pedaço
da espada de um general.
Cabo de prata estrangeira
- velha faca brigadeira
que nunca me deixou mal.
Nesse tempo eu era moço,
não tinha o sangue tão grosso
nem a memória tão fraca.
Índio gaudério sem marca
era maior que um monarca
quando empunhava essa faca.
Mas não era compra-briga,
desses que enchem a barriga
em bochinchos de galpão.
Mui amigo do sossego
não arriscava o pelego
em "rolos" sem precisão.
Mas quando lá volta e meia
me entreverava em peleia
por honra ou obrigação,
afrontava qualquer risco
e essa faca era um corisco
brigando na minha mão.
Sei que há quem ria disso:
- a faca tinha feitiço,
coisa botada, sei lá!
Se escapava da bainha
e ia brigar sozinha
se eu deixasse ela brigar!
Mas Dom Tempo barbaçudo
que dá sumiço em tudo,
coisa viva e coisa morta,
foi-se chegando ronceiro,
cruzou sem pressa o terreiro,
passou depois pela porta.
Quantas vezes já nem lembro,
vi enfeitar-se setembro
com as flores roxas do ipé.
Do moço de antigamente
resta este trapo de gente
que mal e mal fica em pé...
E a velha faca amigaça
me acompanhou na desgraça,
me aparceirou na miséria.
- Extraviada da bainha,
ainda lá pela cozinha
nas mãos da negra Quitéria.
Porto Alegre, cheia de junho.
E viva o frio!!!
sábado, junho 24, 2006
Mas ah mana véia...
Bueno, hoje além de ser dia de São João, alguém muito especial faz aniversário: minha irmã. Sempre foi pequenina, quando era criança meu pai a chamava de "roda baixa pneu de lambreta", e invocada, mas dona de um grande coração. Quando vim para o povo, ela, em seguida veio de atrás, o que me fez muito bem, pois ela sempe foi companheiraça. Lembro de quando erámos uns piá e faziamos arte a dá que um pau. Hoje, embora não tenha crescido muito, preserva a ingenuidade e a alegria da Didi que eu me lembro. Tem construído de forma responsável e com muito trabalho sua carreira, do que muito me orgulho. Mas acima de tudo, continua sendo a Mana que sempre foi, nunca faltando comigo em nada e, em todo o tempo, cuidando desse velho traste que insiste em ser desleixado consigo mesmo.
Mana, neste dia e em todos os outros, sejas mui feliz. Que o Patrão de nosotros todos continue a te mandar as cosas mais macanudas.
Um quebra costela do tamanho do Rio Grande.
Porto Alegre, cheia de junho.
Mana, neste dia e em todos os outros, sejas mui feliz. Que o Patrão de nosotros todos continue a te mandar as cosas mais macanudas.
Um quebra costela do tamanho do Rio Grande.
Porto Alegre, cheia de junho.
sexta-feira, junho 23, 2006
Negro, venta rasgada e músculos rijos
Se criou livre
Hoje, encilhas de prata, mora na estância
Vinagre, bueno de boca e companheiraço
Tão livre quanto o outro foi
É divertimento de uma guriazinha ruiva, também
Lobuno, arcado, anca de vaca
Filho bastardo de um matungo
Puxa carroça
Senão já virou salame.
Porto Alegre, cheia de junho.
Se criou livre
Hoje, encilhas de prata, mora na estância
Vinagre, bueno de boca e companheiraço
Tão livre quanto o outro foi
É divertimento de uma guriazinha ruiva, também
Lobuno, arcado, anca de vaca
Filho bastardo de um matungo
Puxa carroça
Senão já virou salame.
Porto Alegre, cheia de junho.
quarta-feira, junho 21, 2006
Bueno patrícios, tenho cá me atulhado de coisas para fazer: relatórios, monografias e afins, por esse motivo tenho sido relapso com o Capando. Quando a coisa garrar seu rumo normal volto a postar com a mesma assiduidade. O que posso adiantar e que a formatura está encaminhada e os trabalhos idem.
Como não poderia deixar de deixar de ofertar um regalo, já que meus posts andam pior que mondongo de ontonte, transcrevo este.
Desafio
Aparício da Silva Rillo
Há um potro dentro de mim, pedindo cancha.
Sinto-lhe o bater do coração inquieto
como um tambor a rufar em véspera de peleia braba.
No meu olhar o seu olhar de fogo se confunde
na ânsia de devassar a vastidão de todos os caminhos
que os seus cascos de bronze e asas não pisaram.
Potro de sangue ancestral,
telúrico em seu ímpeto selvagem,
maior porque contido no seu lance
como um cartucho que sente o gatilho pronto para o tiro.
Tudo o que fica além de meu passo de nômade prisioneiro,
tudo o que não alcança o meu braço de músculos dormidos,
tudo o que meu olhar não pressente na distância
- isso tudo a chamá-lo,
tudo a chamá-lo
como um toque de cincerro no silêncio da noite.
Seus ouvidos de animal selvagem
são sensíveis ao apelo da distância,
ao apelo da noite,
ao grito dos que rompem cancelas e aramados
para abrir a golpes de audácia o seu caminho de aventuras.
Há um potro dentro de mim, pedindo cancha...
No laço de chegada,
que fica sempre além,
e ainda mais além,
e sol não se põe nunca,
para vestir de ouro os que tiveram pata
para engolir todo o estirão da raia
que é um desafio de léguas pela frente.
Mas como custa arrebentar o laço
do andarível de partida desta cancha!
Porto Alegre, cheia de junho.
Como não poderia deixar de deixar de ofertar um regalo, já que meus posts andam pior que mondongo de ontonte, transcrevo este.
Desafio
Aparício da Silva Rillo
Há um potro dentro de mim, pedindo cancha.
Sinto-lhe o bater do coração inquieto
como um tambor a rufar em véspera de peleia braba.
No meu olhar o seu olhar de fogo se confunde
na ânsia de devassar a vastidão de todos os caminhos
que os seus cascos de bronze e asas não pisaram.
Potro de sangue ancestral,
telúrico em seu ímpeto selvagem,
maior porque contido no seu lance
como um cartucho que sente o gatilho pronto para o tiro.
Tudo o que fica além de meu passo de nômade prisioneiro,
tudo o que não alcança o meu braço de músculos dormidos,
tudo o que meu olhar não pressente na distância
- isso tudo a chamá-lo,
tudo a chamá-lo
como um toque de cincerro no silêncio da noite.
Seus ouvidos de animal selvagem
são sensíveis ao apelo da distância,
ao apelo da noite,
ao grito dos que rompem cancelas e aramados
para abrir a golpes de audácia o seu caminho de aventuras.
Há um potro dentro de mim, pedindo cancha...
No laço de chegada,
que fica sempre além,
e ainda mais além,
e sol não se põe nunca,
para vestir de ouro os que tiveram pata
para engolir todo o estirão da raia
que é um desafio de léguas pela frente.
Mas como custa arrebentar o laço
do andarível de partida desta cancha!
Porto Alegre, cheia de junho.
segunda-feira, junho 19, 2006
Esse excerto faz parte do poema "Canto de Adeus para o Peão de Estância", linda lírica de Aparício da Silva Rillo.
Não vou cantar teu vulto de legenda
perdido no impreciso dos tempos e das lendas.
Nas entrelinhas da História se retraça
à tintas de suor somado a sangue
a gesta que foste herói sem nome,
o bruto lutador temperado a minuano,
a fumos de cartucho e guascaços de sol.
Porto Alegre, cheia de junho.
Não vou cantar teu vulto de legenda
perdido no impreciso dos tempos e das lendas.
Nas entrelinhas da História se retraça
à tintas de suor somado a sangue
a gesta que foste herói sem nome,
o bruto lutador temperado a minuano,
a fumos de cartucho e guascaços de sol.
Porto Alegre, cheia de junho.
domingo, junho 18, 2006
Perdi a rima em algum lugar do caminho. As palavras ficaram sem aquela lógica que determina os versos rimados. Embora nunca tenha sido um grande versejador, este fato deu-me uma liberdade que muitas vezes, não obstante minha relutância, causa-me embaraço. Há um universo de sons, imagens e cores por descobrir e a cada novo escrito, sinto que este lugar, onde a palavra habita, é minha libertação e, ao mesmo tempo, minha prisão. Mas não é no dito que encontro abrigo, sossego, mas no indizível. O fato de que as coisas não estão definidas por completo é que possibilita a bendita insegurança que alguns chamam de fé. Não posso concordar com aqueles que precisam de uma norma para se agarrar, pois ela nos impede a descoberta, o desafio. Talvez, por isso, alguém há muito tempo tenha dito que com esperança se pode mover montanhas. Já que esses lugares "sólidos" podem se tornar mais do que um lugar de abrigo, mas um esconderijo e ninguém quer ver o seu ser descoberto, pois isso é sinônimo de vulnerabilidade. Agora, pensando melhor, não perdi a rima, apenas a deixei em algum lugar que durante muito tempo usei para me esconder.
Porto Alegre, cheia de junho.
P.S. Ainda peleando com Dom Jayme Caetano.
Porto Alegre, cheia de junho.
P.S. Ainda peleando com Dom Jayme Caetano.
sábado, junho 17, 2006
Repost
Tardezita, sabiás e bem-te-vis pulam de galho em galho cantado faceiros. Na porta do rancho, sentado na soleira um gaúcho, bombacha remangada traz numa mão a cuia e na outra um palheiro. É o fim de mais um dia de lida. Sobre a face ainda tem o sal do suor que se mistura, vez por outra, ao amargo do mate. Se estica para alcançar a cambona, serve mais um amargo e num pequeno assobio chama para perto o cusco ovelheiro, amigo e confidente. O cusco se vem manhoso, orelhas baixas e cola erguida, se senta aos pés do qüera e fica a lhe olhar. "É companheiro a vida anda braba" foi só o que disse. Mas o cão conhecia bem aquele jeito de dizer sentido e murchou ainda mais as orelhas. O céu que em matizes colorados dava lugar para a noite, parecia simplesmente ser um reflexo dos olhos daquele que sentado, teima em sentir saudades. E o mate já frio e lavado, deixava na boca um gosto de angústia. Deitou a cuia no pé da cambona, calçou as alpargatas e se foi para o rumo do lajeado. Tencionava que lavando o suor do dia lavaria sua alma e a água que correia entre suas mãos levaria para longe essa angústia matreira. No costado do lajeado tirou as alpargatas, a camisa e remangou as bombachas. Já se ia longe o sol e o último rubor escassiara, ficara ele e o cusco sob a lua clara que vinha repontada pela boieira. Deixou-se ficar por um tempo ouvindo o murmúrio da sanga, que num compasso marcado cantava serena para ele escutar. O cusco sestroso olhou bem no seus olhos e devagarito foi se chegando para junto da sanga querendo a sede matar. Um silêncio infinito embalado pela aguada e os grilos, seguia insistindo que era preciso pensar. Desistiu do seu primeiro plano e despido se atirou na sanga com gana, queria lavar a alma, os pensamentos...
Bem cedo, Nicácio cruzando no passo bombeou um cusco sentadito do lado de um corpo nu, que o mirava sentido como dizendo: "é companheiro a vida anda braba!".
Porto Alegre, cheia de junho.
Bem cedo, Nicácio cruzando no passo bombeou um cusco sentadito do lado de um corpo nu, que o mirava sentido como dizendo: "é companheiro a vida anda braba!".
Porto Alegre, cheia de junho.
terça-feira, junho 13, 2006
Don Jayme, na maioria das vezes, tem razão!
Esse ar de rebeldia
Que nós guascas ostentamos,
É uma tendência que herdamos
Dos índios da tolderia,
Na bárbara teimosia
De ser Brasil - sentimento
Arraigado no pensamento,
Arraigado no coração,
Espécie de certidão
Anterior ao nascimento.
Porto Alegre, cheia de junho.
Esse ar de rebeldia
Que nós guascas ostentamos,
É uma tendência que herdamos
Dos índios da tolderia,
Na bárbara teimosia
De ser Brasil - sentimento
Arraigado no pensamento,
Arraigado no coração,
Espécie de certidão
Anterior ao nascimento.
Porto Alegre, cheia de junho.
sexta-feira, junho 09, 2006
Retrato...
Um verso como retrato descolorido
É o que preciso
Deve ter uma casa grande
Velhos de braços dados
E crianças, muitas crianças
As mulheres de vestido acinturado
E os homens de bombachas
Todos sorriem
Porque parecem felizes
Pois, nos retratos
A felicidade pode ser perene.
Porto Alegre, cheia de junho.
É o que preciso
Deve ter uma casa grande
Velhos de braços dados
E crianças, muitas crianças
As mulheres de vestido acinturado
E os homens de bombachas
Todos sorriem
Porque parecem felizes
Pois, nos retratos
A felicidade pode ser perene.
Porto Alegre, cheia de junho.
quinta-feira, junho 08, 2006
Chacarera del triste
Patrícios, ouvi essa música outro dia e a achei buenaça. Por isso resolvi compartilhar.
Para qué quiero vivir
con el corazón deshecho,
Para qué quiero la vida
después de lo que me haz hecho.
Yo te di mi corazón
el tuyo vos me entregaste,
con engaños hacia el mío, prenda,
lo despedazaste.
Ay, ¿por qué fuiste tan cruel?
si tu franqueza esperaba,
¿por qué jugaste conmigo?, prenda,
si te idolatraba.
Yo del mundo olvidé
desengaños y amarguras
pero lo que vos me hiciste, prenda,
en mi alma perdura.
Cantando me pasaré
muy triste ésta chacarera.
Pueda ser de que me alegre
en el instante en que muera.
Seguí guitarra, seguí,
seguí como yo, llorando,
compañera hasta la muerte
seguí mi alma consolando.
No hay remedio, yo lo sé,
¿para qué voy a buscarlo?
tan deshecha tengo el alma,
que inútil será lograrlo.
Segui, guitarra, seguí,
prenda, por lo que me hiciste
'rabiando' toda la noche
la chacarera del triste.
Porto Alegre, cheia de junho.
Para qué quiero vivir
con el corazón deshecho,
Para qué quiero la vida
después de lo que me haz hecho.
Yo te di mi corazón
el tuyo vos me entregaste,
con engaños hacia el mío, prenda,
lo despedazaste.
Ay, ¿por qué fuiste tan cruel?
si tu franqueza esperaba,
¿por qué jugaste conmigo?, prenda,
si te idolatraba.
Yo del mundo olvidé
desengaños y amarguras
pero lo que vos me hiciste, prenda,
en mi alma perdura.
Cantando me pasaré
muy triste ésta chacarera.
Pueda ser de que me alegre
en el instante en que muera.
Seguí guitarra, seguí,
seguí como yo, llorando,
compañera hasta la muerte
seguí mi alma consolando.
No hay remedio, yo lo sé,
¿para qué voy a buscarlo?
tan deshecha tengo el alma,
que inútil será lograrlo.
Segui, guitarra, seguí,
prenda, por lo que me hiciste
'rabiando' toda la noche
la chacarera del triste.
Porto Alegre, cheia de junho.
quarta-feira, junho 07, 2006
Agora empecei com gana a monografia que há alguns meses tenho enrolado. Bueno, espero que o resultado seja macanudo. Fora isso, aulas nas escolas, disciplinas na pós e por aí vai... o pouco tempo que me sobra serve para postar alguma bobagem. Como eu e o Don Jayme andemô tomando mate diariamente, vou deixar para ustedes uma coisa que ele me disse outro dia.
Meu orgulho de gaúcho
É ser guasca Missioneiro
E o velho Santo Padroeiro
Que levo por onde andar...
Meu Templo é qualquer lugar,
Pois para chiru que se preza
Lombilho é banco de reza
E o peito tábua de altar!
(De fogão em fogão, 1958, p. 28)
Porto Alegre, cheia de junho.
Meu orgulho de gaúcho
É ser guasca Missioneiro
E o velho Santo Padroeiro
Que levo por onde andar...
Meu Templo é qualquer lugar,
Pois para chiru que se preza
Lombilho é banco de reza
E o peito tábua de altar!
(De fogão em fogão, 1958, p. 28)
Porto Alegre, cheia de junho.
terça-feira, junho 06, 2006
E eu cá...
Bueno, patrícios eu cá ando entertido com uma pesquisa que parce não ter fim... Agora além da bendita estética tive que me "inlhar" com história e sociologia, la pucha! Só espero que o Don Jayme não me mande um raio na minha cabeça, sabem como é, ele deve ser achicado com o Patrão lá de riba.
Porto Algre, cheia de junho.
P.S. Que baita frio hoje, tá de regueá cusco.
Porto Algre, cheia de junho.
P.S. Que baita frio hoje, tá de regueá cusco.
quarta-feira, maio 31, 2006
segunda-feira, maio 29, 2006
Bueno, eu não sou muito de ficar falando sobre os acontecimentos da nossa ilustre entidade tradicionalista, o MTG, mas, hoje, me chamou a atenção uma notícia que li no jornal. Digo, o que prendeu mesmo foi a afirmação do nosso Papa, quero dizer, patrão, Manoelito Savaris que, poupando os ortodoxos da afronta, ou não, foi a mais genuína expressão do fundamentalismo que tomou conta da instituição. "O que importava era a capacidade de argumentação e expressão, não a opinião da prenda" - diz o presidente do MTG, Manoelito Savaris. O contexto dessa pérola é o concurso de prendas do MTG. Em resumo, para ele pouco importa se as prendas sabem pensar, desde que, elas repitam o discurso correto. Em mim isso causa ojeriza. E é por isso que o movimento continua falando de algo que não existe mais, ou nunca existiu. Por isso, continua-se cantando as mesmas ladainhas sem significado, salvo as escassas expressões que podemos chamar de artísticas. Patrícios, será que o MTG ainda não percebeu o seu lugar na sociedade? As últimas notícias dizem que não, já que não se cansam de olhar para o próprio umbigo e o achar extremamente atraente...
Bueno, sei que estas palavras vão desagradar muitos leitores do Capando e, já que o blog não tem um editor chefe, eu mesmo coloco a nota.
As afirmações acima contidas são de responsabilidade única e exclusiva do autor.P
P.S. Rezo todos os dias para que o Capando não entre na lista dos blogorum proibitorum do MTG.
Porto Alegre, nova de maio.
Bueno, sei que estas palavras vão desagradar muitos leitores do Capando e, já que o blog não tem um editor chefe, eu mesmo coloco a nota.
As afirmações acima contidas são de responsabilidade única e exclusiva do autor.P
P.S. Rezo todos os dias para que o Capando não entre na lista dos blogorum proibitorum do MTG.
Porto Alegre, nova de maio.
domingo, maio 28, 2006
Xucro Espetáculo
Se um maneia
O outro castra
Vem aquele e marca
E por último alguém
Para curar
Que sobra para os outros
Senão assistir
Esse xucro espetáculo
Porto Alegre, nova de maio.
O outro castra
Vem aquele e marca
E por último alguém
Para curar
Que sobra para os outros
Senão assistir
Esse xucro espetáculo
Porto Alegre, nova de maio.
Marvada Pinga
Com a marvada pinga
É que eu me atrapaio
Eu pego no copo e já dou meu taio
Eu chego na venda e dali não saio
Ali memo eu bebo
Ali memo eu caio
Só pra carregar nunca dei trabaio
Oi lá
Sempre bebo a pinga
Porque gosto dela
Bebo da branquinha,
Bebo da amarela
Eu bebo no copo, bebo na tigela
Bebo temperada com cravo e canela
Seja em qualquer tempo vai
Pinga na goela
Oi lá
Venho da cidade
Já venho cantando
Trago um garrafão
Que venho chupando
Venho pro caminho,
Venho trupicando
Chutando o barranco
Venho cambetiando
No lugar que eu caio
Já fico roncando
Oi lá
Não largo da pinga
Nem que eu tome pito
Que é de inclinação eu acho bonito
O cheiro da pinga fico meio aflito
Bebo uma garrafa e já quero um litro
Já fico babando crio dois espírito
Oi lá
Pinga temperada eu não modifico
Quem manda no bule
Eu chupo no bico
Vou rolar na pueira
Que nem tico-tico
Vou de quatro pé destripando o bico
Junta a mosquiteira
Mas eu não implico
Oi lá
A muié me disse
Ela me falou
Largue dessa pinga
Peço por favor
Prosa de muié
Nunca dei valor
Bebo no sol quente
Pra esfriar o calor
E bebo de noite pra fazer suador
Oi lá
A muié me disse
Largue de beber
Pois eu com essa pinga
Hei de combatê
Você fique quieto largue
De tremer
Depois que se embriaga
Não levanto ocê
Vô deixá das pinga só quando eu morrer.
Porto Alegre, nova de maio.
É que eu me atrapaio
Eu pego no copo e já dou meu taio
Eu chego na venda e dali não saio
Ali memo eu bebo
Ali memo eu caio
Só pra carregar nunca dei trabaio
Oi lá
Sempre bebo a pinga
Porque gosto dela
Bebo da branquinha,
Bebo da amarela
Eu bebo no copo, bebo na tigela
Bebo temperada com cravo e canela
Seja em qualquer tempo vai
Pinga na goela
Oi lá
Venho da cidade
Já venho cantando
Trago um garrafão
Que venho chupando
Venho pro caminho,
Venho trupicando
Chutando o barranco
Venho cambetiando
No lugar que eu caio
Já fico roncando
Oi lá
Não largo da pinga
Nem que eu tome pito
Que é de inclinação eu acho bonito
O cheiro da pinga fico meio aflito
Bebo uma garrafa e já quero um litro
Já fico babando crio dois espírito
Oi lá
Pinga temperada eu não modifico
Quem manda no bule
Eu chupo no bico
Vou rolar na pueira
Que nem tico-tico
Vou de quatro pé destripando o bico
Junta a mosquiteira
Mas eu não implico
Oi lá
A muié me disse
Ela me falou
Largue dessa pinga
Peço por favor
Prosa de muié
Nunca dei valor
Bebo no sol quente
Pra esfriar o calor
E bebo de noite pra fazer suador
Oi lá
A muié me disse
Largue de beber
Pois eu com essa pinga
Hei de combatê
Você fique quieto largue
De tremer
Depois que se embriaga
Não levanto ocê
Vô deixá das pinga só quando eu morrer.
Porto Alegre, nova de maio.
quinta-feira, maio 25, 2006
Num sonho...
Num sonho
Um tropel
Entre todos os fletes
Uma égua moura
Crinas negras
Olhos negros
Profundos
Cruzam
Fica a poeira vemelha
Grudada no suor
Do rosto
Porto Alegre, nova de maio.
Um tropel
Entre todos os fletes
Uma égua moura
Crinas negras
Olhos negros
Profundos
Cruzam
Fica a poeira vemelha
Grudada no suor
Do rosto
Porto Alegre, nova de maio.
quarta-feira, maio 24, 2006
Essa é a minha segunda semana como docente/estagiário numa turma do EJA. Meus alunos são de vários lugares, muitas vivências e histórias de vida. A maioria trabalha o dia todo e à noite vem para a escola. Bueno, muitos universitários fazem isso também, então onde está o mérito!? Acredito que esteja no fato de grande parte deles ter mais de 25 anos e estar na 8ª série do ensino fundamental. Eu espero, sinceramente, que consiga passar-lhes algo que seja de serventia, pois a mim eles já deram grandes lições.
Como é lindo colar grau
num salão de faculdade,
embora essa qualidade
não transforme o bom em mau,
o Jayme Caetano Braun,
dessa linha não se afasta,
a inspiração não se gasta
nem me torna mais cruel,
eu conquistei um anel
o de gaúcho - e me basta!
Porto Alegre, nova de maio.
Como é lindo colar grau
num salão de faculdade,
embora essa qualidade
não transforme o bom em mau,
o Jayme Caetano Braun,
dessa linha não se afasta,
a inspiração não se gasta
nem me torna mais cruel,
eu conquistei um anel
o de gaúcho - e me basta!
Porto Alegre, nova de maio.
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