Buena vida, já dizia o Lambari, mas que buena vida...
Pues que indiada, estamos encambichado novamente. Tenemos que pensar enquanto mateamos acolherado nos umbrais da casa. Um gaucho sem a percanta..mas tche, que desgraça! O fato é que o Patrão Velho cuida dos seus, e fez o minuano assobiar nos ouvidos campeiros, e logo nos fazemos auditar pela melodia daquela voz meiga e serena...
A mis amores, já dizia Dom Marenco, o pingo, a china e o pago...
Bueno que existas, Dna.Camila...Que o Patrão Velho providencie o ranchito pra que possamos nos acholherar....
Porto Alegre, Outubro de 2004.
Blogue grosso e taura uma barbaridade. Nele, além de cultura, literatura, música, payadas, vão nossos chasques e peçuelos. Reflexões feitas à beira dum fogo de chão escritas por quatro queras arinconados em Porto Alegre: Maneador, Castrador, Curador e Marcador.
sexta-feira, outubro 22, 2004
quinta-feira, outubro 21, 2004
Saudades
O friosito destes dias me tem feito lembrar do inverno. Das coisas boas que só podemos fazer nesta estação do ano. No entanto, há quem diga que não gosta do frio, pois eu aprecio umas quantas "veiz". A madruga ainda escura, enrigelada, a cerração, a geada, um fogo de chão, o mate recém cevado, puchero... É claro que eu não descarto as dificuldades enfrentadas no inverno, mas, para mim, se comparadas com a dos dias quentes não são nada. Só que, o friosito que aí está se vai de vereda e fica para nosotros as saudades do inverno. E as saudades patrícios são como estações no ano, ora vem quente e suarentas, ora frias e enrigeladas. Só quem não tem saudades não sabe disso e não falo somente da saudade passional. Com o verão a saudade da primavera chega somada a do inverno, e a do outono e todo o ano se repetem as vezes sanadas, outras cultivadas mas sempre há uma saudade. Assim como sempre acabam as estações do ano. e tu patrício podes pensar que melhor seria então que não atentássemos para as estações afim de não sentir saudades. Discordo e explico: se vivemos plenamente cada estação a saudades que sentiremos dela será embalada por boas e singelas lembranças, do contrário a única coisa que teremos será a mais triste das inquietações: Ah! Se tivesse feito tal côsa!
Porto Alegre, crescente de outubro.
terça-feira, outubro 19, 2004
O bolicho do livro...
Indiada macanuda,
tamô abrindo mais um canto do galpão pra charlar sobre das coisas da terra! Lançamo o blog Taipa Livresca que é uma produção do Capando Touro a Unha by Marcador. Se quiseres escever una payada, una cantiga ou até das uns trancaços nos homenageados aparece por lá...
O endereço é http://taipalivresca.blogspot.com
Provincia de São Pedro, Outubro de 2004.
tamô abrindo mais um canto do galpão pra charlar sobre das coisas da terra! Lançamo o blog Taipa Livresca que é uma produção do Capando Touro a Unha by Marcador. Se quiseres escever una payada, una cantiga ou até das uns trancaços nos homenageados aparece por lá...
O endereço é http://taipalivresca.blogspot.com
Provincia de São Pedro, Outubro de 2004.
Pealando tropa...
Buenas cumpadre tamo aí de novo,
Las emociones no grosso da "pel", todo dia enfrenando um mate bagual, enquanto na tábua do pescoço bamô aguentando o trancaço da lida...
Os gritos campeiros do Patrão em meio a gadaria, o criollo troteando como se fosse da cavalaria farroupilha, e chão estremece enquanto as patas do zaino arrebentam a terra, e os patricios Castrador, Curador e Maneador, vão apartando as vacas dos terneiros. Bueno...a lida continua...
o dia recém nasceu no poente, e se bamô de á cavalo que o mango grudado no cabo da faca tá coçando pra arrebentar a pau...
Á carga, indiada, viva a república rio-grandense, viva a liberdade...
Provincia de São Pedro do Rio Grande do Sul, Outubro de 2004.
Las emociones no grosso da "pel", todo dia enfrenando um mate bagual, enquanto na tábua do pescoço bamô aguentando o trancaço da lida...
Os gritos campeiros do Patrão em meio a gadaria, o criollo troteando como se fosse da cavalaria farroupilha, e chão estremece enquanto as patas do zaino arrebentam a terra, e os patricios Castrador, Curador e Maneador, vão apartando as vacas dos terneiros. Bueno...a lida continua...
o dia recém nasceu no poente, e se bamô de á cavalo que o mango grudado no cabo da faca tá coçando pra arrebentar a pau...
Á carga, indiada, viva a república rio-grandense, viva a liberdade...
Provincia de São Pedro do Rio Grande do Sul, Outubro de 2004.
E o gaúcho...
"O que eu vinha enxergando desde tempito largo (...) era que nós todos, os pobres da campanha, ia acabá emangueirados, como capão pra consumo. E sabem onde? Aqui mesmo, na aldeia, neste cisco."
(Cyro Martins, Porteira Fechada p. 40)
O trecho foi extraído de um romance, mas a realidade não é diferente do relatado. O campo transformou-se, e muito. Hoje tratores, motos e colhedeiras fazem o que faziam homens, cavalos e peães. Contudo, o que mudou no campo não foram realmente as tecnologias e técnicas de produção. Na verdade a mudança aconteceu há muito tempo. Não foram as máquinas que tiraram o homem do campo, foi a ganância de uns em detrimento a liberdade de outros. Durante longos anos o gaúcho sentiu-se livre e senhor de si mesmo. Quando o patrão botou cerca e casa grande na campanha e a sua liberdade se tornou ainda mais virtual. E quando se precisou de mais espaço para o gado quem saiu não foi o patrão, é claro. Apinharam-se no povo, embretados nas vilas e changueando alguns trocados. Assim foi, assim é e assim será. E a liberdade!? Esta é cada vez menor, cada vez mais distante e cada vez mais virtual. E o gaúcho!? Bem, o gaúcho...
(Cyro Martins, Porteira Fechada p. 40)
O trecho foi extraído de um romance, mas a realidade não é diferente do relatado. O campo transformou-se, e muito. Hoje tratores, motos e colhedeiras fazem o que faziam homens, cavalos e peães. Contudo, o que mudou no campo não foram realmente as tecnologias e técnicas de produção. Na verdade a mudança aconteceu há muito tempo. Não foram as máquinas que tiraram o homem do campo, foi a ganância de uns em detrimento a liberdade de outros. Durante longos anos o gaúcho sentiu-se livre e senhor de si mesmo. Quando o patrão botou cerca e casa grande na campanha e a sua liberdade se tornou ainda mais virtual. E quando se precisou de mais espaço para o gado quem saiu não foi o patrão, é claro. Apinharam-se no povo, embretados nas vilas e changueando alguns trocados. Assim foi, assim é e assim será. E a liberdade!? Esta é cada vez menor, cada vez mais distante e cada vez mais virtual. E o gaúcho!? Bem, o gaúcho...
Porto Alegre, nova de outubro.
sábado, outubro 16, 2004
Amigos
Amigos, amigos, amigos cada amigos a mais é uma saudade a menos.
Eu ouvi isso em algum lugar não me lembro bem onde foi, sei somente que é uma grande verdade. Tenho provado com os meus patrícios grandes gauchadas que são meu orgulho nesta existência. Não é só a prosa amiga, mas os momentos de silêncio em que, o que sabemos um do outro valem mais que mil palavras. E nessa convivência mateaça seguimos, um amadrinhando o outros na ventura e nas desventuras, certos de que nunca seremos deixados de lado por esses que temos um grande apreço. Estender a mão e prosiar é nossa filosofia, não julgando, apenas fazendo nossas as dores do amigo, as paixões dos amigos e as amarguras dos amigos. Retribuindo cada elogio e chorando junto em qualquer mágoa. E se empeça alguma peleia somos os primeiros a terceiar o ferro por causa de nossos patrícios.
Ao Patrão de nossotros todos agradeço pelos meus patrícios e pela vida que me é mui buena.
Porto Alegre, nova de outubro.
Eu ouvi isso em algum lugar não me lembro bem onde foi, sei somente que é uma grande verdade. Tenho provado com os meus patrícios grandes gauchadas que são meu orgulho nesta existência. Não é só a prosa amiga, mas os momentos de silêncio em que, o que sabemos um do outro valem mais que mil palavras. E nessa convivência mateaça seguimos, um amadrinhando o outros na ventura e nas desventuras, certos de que nunca seremos deixados de lado por esses que temos um grande apreço. Estender a mão e prosiar é nossa filosofia, não julgando, apenas fazendo nossas as dores do amigo, as paixões dos amigos e as amarguras dos amigos. Retribuindo cada elogio e chorando junto em qualquer mágoa. E se empeça alguma peleia somos os primeiros a terceiar o ferro por causa de nossos patrícios.
Ao Patrão de nossotros todos agradeço pelos meus patrícios e pela vida que me é mui buena.
Porto Alegre, nova de outubro.
quinta-feira, outubro 14, 2004
A Estância, o Piá e a Percanta...
Ontem ao chegar descogonado da lida, me atirei nos pelegos e adormeci com as idéias mergulhadas em preocupações. De vereda, passei ao sonho que creio ser coisa do Patrão Velho. Estava na estância, atirado na varanda da casa, quando vinha a trotezito bem compassado um guri, de pés descalços, bombachas remangadas e sem camisa, com uma tez branca e olhos verdes, loiro como o sol que refulge e com um sorriso matreiro, ao tapear com graça e carinho, as fuças do cusco que vinha pealando e acoando nos seus garrões. Vinha se aproximando de mim e gritando: "Pai, pai, olha como pula o gavião".... De certo era este o nome do cusco. Mas o sonho só fez completo, depois que ouvi a melodia daquela voz meiga e serena aos meus ouvidos, chegando como uma cantilena por detrás dos umbrais das casa: "Oi, cheguei"... Era ela, minha D.Caetana, a Sra. da estância que estava lá pras bandas de Pelotas, pois afinal ela é uma percanta douta e tem o hábito de ensiná os outros índios a pensar, e por isso tem que muito viajar. "Senta aqui pertinho, minha prenda, o amargo já tá vindo e logo, logo o almoço tá na mesa. - Josefa, põe mais um prato que a Dona da Casa chegou.." Saltou a negrinha, loca de facera, dizendo:"Tá bueno patrão, é pra já" Minha prenda, cabelos ruivos e tez branca como a do piá, sentou-se ao meu lado e se atracamo a charla das novidades de sua viagem e estada em Pelotas....Depois disso acordei, com uma sede de camelo e botei um milongão, pra iniciar a lida...
Porto Alegre, 14 de Outubro de 2004
Porto Alegre, 14 de Outubro de 2004
Esperança
Bueno, depois de um jejum de alguns dias sem escrever, confesso que senti falta. Escrever é um exercício muito interessante para aqueles que têm o hábito. Mas para hoje nada de conto, onde a personagem principal sempre acaba em desgraça - aliás se eu fosse inventava até de fazê analise - vou voltar ao meu velho estilo, aquele que olha para dentro.
Tenho nos últimos dias pensado bastante sobre o futuro, principalmente o meu futuro e o de minha Florecita. E mesmo sendo translúcido o horizonte que miro conservo a esperança, não aquela sega que torna os homens visionários, mas a sadia que consegue, mesmo sem ter os pés no chão, sentir segurança. É como o guri que pela vez primeira arruma os avios de pesca e sai faceiro já pensando na volta, nos peixes, nos causos para os amigos. Ou que tateia no horizonte estrelas sonhando com um mundo encantado. A esperança é de muitas formas, de muitas cores e sentidos contudo, é uma em intensidade de espera: cautelosa e sorridente. Aos que desesperançados vivem sugiro um esforço, principalmente agora quando a pampa renasce, olhe na volta contemple a criança, o nascer do sol, a lua... quem sabe ela brote dentro do teu peito deixando raízes no coração.
Porto Alegre, nova de outubro.
Tenho nos últimos dias pensado bastante sobre o futuro, principalmente o meu futuro e o de minha Florecita. E mesmo sendo translúcido o horizonte que miro conservo a esperança, não aquela sega que torna os homens visionários, mas a sadia que consegue, mesmo sem ter os pés no chão, sentir segurança. É como o guri que pela vez primeira arruma os avios de pesca e sai faceiro já pensando na volta, nos peixes, nos causos para os amigos. Ou que tateia no horizonte estrelas sonhando com um mundo encantado. A esperança é de muitas formas, de muitas cores e sentidos contudo, é uma em intensidade de espera: cautelosa e sorridente. Aos que desesperançados vivem sugiro um esforço, principalmente agora quando a pampa renasce, olhe na volta contemple a criança, o nascer do sol, a lua... quem sabe ela brote dentro do teu peito deixando raízes no coração.
quarta-feira, outubro 13, 2004
"E a melodia de tua voz, meiga e serena...."
Pra falar das prendas yo soy bueno unas quantas vezes....
Uma pergunta pertinente seria o que é do xirú pampeano quando retorna de uma tropeada e não encontra a guaina amada e santinha, limpando os peçuelos no costado do ranchito?
E quando a guria é campeira, uma barbaridade, e acompanha o taludo de à cavalo pelas invernadas...
Mas tche, felizes são Dom Tiago e Régis, por que já acharam duas flores do rincão véio bagual. E yo e Dom Josué, estamos campereando solito, por enquanto.... Mas gurias se preparem que tamôs chegando, porque em matéria de mulher bonita nós somo que nem alpargata, servimo tanto para um pé como pro outro....Mas tche...
Quebra-costela....
Uma pergunta pertinente seria o que é do xirú pampeano quando retorna de uma tropeada e não encontra a guaina amada e santinha, limpando os peçuelos no costado do ranchito?
E quando a guria é campeira, uma barbaridade, e acompanha o taludo de à cavalo pelas invernadas...
Mas tche, felizes são Dom Tiago e Régis, por que já acharam duas flores do rincão véio bagual. E yo e Dom Josué, estamos campereando solito, por enquanto.... Mas gurias se preparem que tamôs chegando, porque em matéria de mulher bonita nós somo que nem alpargata, servimo tanto para um pé como pro outro....Mas tche...
Quebra-costela....
segunda-feira, outubro 11, 2004
Buenos Dias
Buenas indiada nossa primeira postagem no tal do blogi.
Pra começar os apresentamento, yo soy o marcador.
Diretamente da capital de todos os gauchos para o interior mais bagual e campeiro, tamo chegando para marcar a ferro as paletas de qualquer tubiano que se enveredava defronte os óio. Enfim, chegamô pra se instalar...bueno tamô mais facero que mosca em tampa de xarope...
Muchas gracias
sexta-feira, outubro 08, 2004
"Maria enche a caneca de leite "proquê" o carreteiro de meio-dia tava salgado." Maria foi até o balde de leite, tirado pela manhã da vaca salina que dava uns bons dez litros. Alcançou a caneta loçada para Nicácio que num gole tomou-a toda. "a la pucha que a sede não mermou". Deu um olhada na volta e rumou para o catre: "pode ser que despois da sesteada o mal-estar diminua". Maria as voltas com a frangaiada, remoía a desfeita que Nicácio lhe fizera na noite passada. "Precisava chegar borracho!? Precisava ter me batido!? Por acaso sou china de regimento!?" e o milho triturado ia bater no chão enquanto Maria pensava as galinhas e galos comiam e cacarejavam.
Nicácio ainda dormia quanto Maria fez a trouxa, roupa mesmo não tinha apenas alguns trapos que o Nicácio lhe dera, e sem bombear para trás seguiu pelo trilho que ia dar no lajeado. Caminhando sentiu-se tão distante de seu rancho, como se estivesse a léguas dali, nem uma lembrança mais restara daquele lugar... ilusão, pura e simples ilusão. De repente o que vem a sua mente são seus dezesseis anos quando Nicácio fora buscá-la na casa de seu pai, depois os filhos o aborto... Lembranças, e a cada passo a frente parecia que voltava dois para trás. Só voltou a si quando pisou na água fria do lajeado.
Nicácio acordou suado, esgualepado por causa da borracheira, lavou o rosto e no pátio foi entrar Maria que dava comida para as galinhas e os galos que cacarejavam.
Nicácio ainda dormia quanto Maria fez a trouxa, roupa mesmo não tinha apenas alguns trapos que o Nicácio lhe dera, e sem bombear para trás seguiu pelo trilho que ia dar no lajeado. Caminhando sentiu-se tão distante de seu rancho, como se estivesse a léguas dali, nem uma lembrança mais restara daquele lugar... ilusão, pura e simples ilusão. De repente o que vem a sua mente são seus dezesseis anos quando Nicácio fora buscá-la na casa de seu pai, depois os filhos o aborto... Lembranças, e a cada passo a frente parecia que voltava dois para trás. Só voltou a si quando pisou na água fria do lajeado.
Nicácio acordou suado, esgualepado por causa da borracheira, lavou o rosto e no pátio foi entrar Maria que dava comida para as galinhas e os galos que cacarejavam.
Porto Alegre, minguante de outubro.
quinta-feira, outubro 07, 2004
Matutando
De volta à capital a maioria das coisas tornaram a sua rotina, esta já condenada por mim a algum tempo. Pois bem, não empecei este a fim de escrever sobre ela novamente. Na verdade quando liguei o computador tinha uma idéia, bem diversa da que tenho agora ou da que tive a um segundo atrás. Essa é a grande tarefa de quem escreve algo: transformar em frases e orações todo aquilo que pensa. E nem sempre o que pensamos é concebível em forma escrita, ora por incapacidade, ora por pudor.
A tarefa torna-se mais árdua quando se escreve sobre coisas que se gosta muito. Pois temos a tendência de idealizar o que gostamos, e não poderia ser diferente quando escrevo este post ou outro qualquer que já tenha escrito. Na verdade este são reflexos do que imagino ser a realidade, que não é nem real nem i-real, apenas única e especial para mim. Comunica apenas na minha existência pois, é concebida a partir de mim. Não quero que pensem, patrícios, que estou sendo buliçoso apenas falo que experiências são únicas para cada indivíduo, e comunicativas e perceptíveis de forma única também. Bueno, mas essa não era a intenção deste post... o pior é quem nem me lembro do que ia escrever por primeiro. Sendo assim, me despeço ainda procurando o que queria escrever antes de começar, quem sabe amanhã saí.
A tarefa torna-se mais árdua quando se escreve sobre coisas que se gosta muito. Pois temos a tendência de idealizar o que gostamos, e não poderia ser diferente quando escrevo este post ou outro qualquer que já tenha escrito. Na verdade este são reflexos do que imagino ser a realidade, que não é nem real nem i-real, apenas única e especial para mim. Comunica apenas na minha existência pois, é concebida a partir de mim. Não quero que pensem, patrícios, que estou sendo buliçoso apenas falo que experiências são únicas para cada indivíduo, e comunicativas e perceptíveis de forma única também. Bueno, mas essa não era a intenção deste post... o pior é quem nem me lembro do que ia escrever por primeiro. Sendo assim, me despeço ainda procurando o que queria escrever antes de começar, quem sabe amanhã saí.
Porto Alegre, minguante de outubro.
terça-feira, outubro 05, 2004
Barreiro
Enquanto o barreiro colocava o pouco de barro que tinha no bico junto do resto que já havia colocado, sua companheira ia até a sanga beber água e se refrescar. Puxa-barro-coloca-barro, puxa-barro-coloca-barro, puxa-barro-coloca-barro... E assim, no final da primavera, estava pronto o ranchinho daqueles dois apaixonados. Sem dúvida estavam faceiro cheios de esperança e sonhos. Tudo estava como um dia claro, como primavera na campanha. Depois da casa pronta vieram os filhotes e veio também o trabalho para alimentá-los. Tudo seguia ao passo tranqüilo do trote manso da sanga.
Mas a paz se foi e a tristeza veio tomar conta daquele ranchinho e o barreiro não mais cantava soluçando solito. Sua prenda numa noite em que saíra para caçar minhocas, fora levada por uma coruja e os filhotes sozinhos acabaram por cair do ninho e não tiveram sorte diferente da mãe.
Sem família, sem a amada, sem os filhos. Ficou parado a mirar o ranchinho, e a lua bem cheia no céu parecia com ele chorar bem mansinho. E a vida, que tinha lhe dado um pealo, deixara-lhe tristonho sem ter rumo, nem norte. Apenas a dura sorte de ser solito e gaudério.
Mas a paz se foi e a tristeza veio tomar conta daquele ranchinho e o barreiro não mais cantava soluçando solito. Sua prenda numa noite em que saíra para caçar minhocas, fora levada por uma coruja e os filhotes sozinhos acabaram por cair do ninho e não tiveram sorte diferente da mãe.
Sem família, sem a amada, sem os filhos. Ficou parado a mirar o ranchinho, e a lua bem cheia no céu parecia com ele chorar bem mansinho. E a vida, que tinha lhe dado um pealo, deixara-lhe tristonho sem ter rumo, nem norte. Apenas a dura sorte de ser solito e gaudério.
Porto Alegre, cheia de outubro.
sábado, outubro 02, 2004
Eleições 2004
Estou em Três de Maio desde sexta e aqui não poderia ser diferente dos outros lugares. Carros de som, troca de acusações, aquelas músicas de campanha que são horríveis... e eu que vim para cá em busca de silêncio e tranqüilidade. Não sou contra processos democráticos e eleitorais, contudo sou a favor do equilíbrio em todas as coisas. Tchê, exatamente agora cruzaram três carros de som, de diferentes partidos, todos com o som lacrado e eu que não tenho nada a ver com a pendega tenho que ficar escutando.
Patrícios, desta vez o descanso foi pouco e o pior é a crise de renite que me pealo. No mais amanhã me largo para Giruá, rever a família, e no mesmo dia a noite me mando de volta para POA. Eu que tencionava por minutos de sossego e tranqüidade dei com os burros n'agua. Quem sabe a,anhã cedito eu ouça pelo menos o cantar dos galos, sem que, um vote eu Fulano atrapalhe.
PS: Não fiz nenhum comentário de cunho político pois faz parte das normas para o bom funcionamento do blog.
Três de Maio, cheia de outubro.
quarta-feira, setembro 29, 2004
Chuva Miúda
Primeira noite de lua cheia e a chuva empeçou para não parar tão cedo. Noite boa para pescar, namorar e caçar tatu. Mas para aqueles que não podem abrir mão de nenhuma dessas opções é uma noite mui buena para ler um livro ou simplesmente dormir. Friosito, o compasso marcado pelo gotejar miúdo da chuva... e o sono vem pra pealar. Pena é que não dá para se ouvir somente o barulho da chuva, dos grilos, dos sapitos. É pena que esses aviões insistam em passar fazendo essa barulheira, e os carros tenham que buzinar. Se não fosse assim, muito mais bela seria esta noite. Bela como uma milonguita assobiada de manso ao pé do fogo de chão.
É patrícios teimo em ser nostálgico, principalmente nestes dias de garoa miúda. Quem sabe um dia devolta ao meu interior sinta completa essa alegria que anseio. E nas noites de chuva sinta o cheiro do campo molhado por ela. Enquanto isso meus olhos é que molham, de saudade, meu interior.
É patrícios teimo em ser nostálgico, principalmente nestes dias de garoa miúda. Quem sabe um dia devolta ao meu interior sinta completa essa alegria que anseio. E nas noites de chuva sinta o cheiro do campo molhado por ela. Enquanto isso meus olhos é que molham, de saudade, meu interior.
Porto Alegre, lua cheia de setembro.
terça-feira, setembro 28, 2004
Prece Sinuela
Ao Deus Menino faço uma prece sinuela
Pedindo que repontes amadrinhando
Os gaúchos do meu estado
Pra que o olhar do piazito tenha mais esperança
E a madre que segue com as crias na ilharga
Possa olhá-los e ver futuro certo
Que o peão no campo cuidando do gado
Possa sentir-se ajudado na lida bruta do dia
Certos que não foram largados a la cria nos fundões do meu estado
Peço menino Jesus que transformes do meu peito, rancho tapera
Em bela morada pra ti habitar
Que meus dias prolongues junto de ti
Pra que eu viva guri de novo a brincar
Correndo contigo nas asas do bem-te-vi
E durma sorrindo, por certo sonhando
Menino Jesus
Com um mundo tão lindo e tão puro que
Enquanto durmo não queira acordar.
Porto Alegre, crescente de setembro.
Pedindo que repontes amadrinhando
Os gaúchos do meu estado
Pra que o olhar do piazito tenha mais esperança
E a madre que segue com as crias na ilharga
Possa olhá-los e ver futuro certo
Que o peão no campo cuidando do gado
Possa sentir-se ajudado na lida bruta do dia
Certos que não foram largados a la cria nos fundões do meu estado
Peço menino Jesus que transformes do meu peito, rancho tapera
Em bela morada pra ti habitar
Que meus dias prolongues junto de ti
Pra que eu viva guri de novo a brincar
Correndo contigo nas asas do bem-te-vi
E durma sorrindo, por certo sonhando
Menino Jesus
Com um mundo tão lindo e tão puro que
Enquanto durmo não queira acordar.
Porto Alegre, crescente de setembro.
sábado, setembro 25, 2004
É companheiro a vida anda braba!
Tardezita, sabiás e bem-te-vis pulam de galho em galho cantado faceiros. Na porta do rancho, sentado na soleira um gaúcho, bombacha remangada traz numa mão a cuia na outra um palheiro. É o fim de mais um dia de lida. Sobre a face ainda tem o sal do suor que se mistura vez por outra ao amargo do mate. Se estica para alcançar a cambona e servir mais um amargo e num pequeno assobio chama para perto o cusco ovelheiro, amigo e confidente. O cusco se vem manhoso, orelhas baixas e cola erguida, se senta aos pés do qüera e fica a lhe olhar. "É companheiro a vida anda braba" foi só o que disse. Mas o cusco conhecia bem aquele jeito de dizer sentido e murchou ainda mais as orelhas. E o céu que em matizes colorados dava lugar para a noite, parecia simplesmente ser um reflexo dos olhos daquele que, sentado, teima em sentir saudades. E o mate já frio e lavado deixava na boca um gosto de angústia. Deitou a cuia no pé da cambona, calçou as alpargatas e se foi para o rumo do lajeado. Tencionava que lavando o suor do dia lavaria sua alma e a água que correia entre suas mãos levaria para longe essa angústia matreira. No costado do lajeado tirou as alpargatas, a camisa e remangou as bombachas. Já se ia longe o sol e o último rubor escassiara, ficara ele e o cusco sob a lua clara que vinha repontada pela boieira. Deixou-se ficar por um tempo ouvindo o murmúrio da sanga, que num compasso marcado cantava serena para ele escutar. O cusco sestroso olhou bem no seus olhos e devarito foi se chegando para junto da sanga querendo a sede matar. E o silêncio infinito embalado pela aguada e os grilos, seguia insistindo que era preciso pensar. Desistiu do seu primeiro plano e despido se atirou na sanga com gana, queria lavar a alma, os pensamentos...
Bem cedo Nicácio cruzando no passo bombeou um cusco sentadito do lado de um corpo nu, que o mirava sentido como dizendo: "é companheiro a vida anda braba!".
Bem cedo Nicácio cruzando no passo bombeou um cusco sentadito do lado de um corpo nu, que o mirava sentido como dizendo: "é companheiro a vida anda braba!".
quinta-feira, setembro 23, 2004
Felicidades Florecita
Hoje está de aniversário a flor mais linda deste rincão. É a minha Florecita que completa mais um ano de vida e de forma alguma eu poderia deixar de fazer esta homenagem. Pois se este gaúcho é faceiro é porque tem uma prenda mui especial do seu lado para fazer costado. Para a minha bem-amada os meus mais sinceros parabéns e o desejo de que sejas muito feliz - ao meu lado - por longos anos. E que o Patrão de nossotros todos continue a te proteger e abençoar.
"Permita, morena, que eu sonhe contigo
Num rancho onde abrigo meus dias de frio
Permita, morena, que eu veja teus olhos
Buscando os meus alhos nas águas do rio".
Felicidades Florecita, morena linda que é o meu bem-querer.
Porto Alegre, crescente de setembro.
"Permita, morena, que eu sonhe contigo
Num rancho onde abrigo meus dias de frio
Permita, morena, que eu veja teus olhos
Buscando os meus alhos nas águas do rio".
Felicidades Florecita, morena linda que é o meu bem-querer.
terça-feira, setembro 21, 2004
Privilegiados
Falam muito em privilegiados nesses dias de gaúchos de bombacha estreita, e o que antes era um termo honrado, que nada denotava sobre o caráter do vivente dito priveligiado, a não ser a sua sorte, acaba se tornando pejorativo. Quem têm privilégio, boa gente não é, afinal, se eu não tenho privilégios, ele não pode ter também. E no fim das contas, o que é um privilégio? É aquilo que o próximo tem que eu não tenho.
Bueno, nem por isso me sinto menos faceiro por considerar a mim, e aos hermanos do Capando, um bando de privilegiados, vejam bem, quantas pessoas que moram na zona metropolitana de Porto Alegre podem dispor de um Galpão de chão batido, um fogo de Chão para esquentar a água do chimarrão e assar o churrasco na melhor moda campeira? E ainda uma roda de amigos para tratar de assuntos nativos, cantar musicas campeiras e declamar payadas até altas horas da noite? Enquanto a magrinhagem se mete nos buracos escuros da cidade para encher as guampas com os tais dos tóchicos ao embalo de músicas frias dos sintetizadores eletrônicos, me reuno com os amigos do Capando para cevar a amizade firmada em valores mais antigos que os torrões deste chão.
Me contento com pouco, um naco de carne bem gorda, uma mate amargo, as estrelas do céu sobre a cabeça e vozes rústicas que entoam cânticos, poesias e confidências.
É muito pouco para se invejar? -- penso cá solito, serei mesmo um privilegiado ou apenas um loco que valoriza demais o pouco que tem?
E quando penso na simplicidade das minhas exigências, vejo que na verdade não sou nada comedido, pois peço para as minhas noites de sábado o maior dos tesouros que percorre esse rincão debaixo do céu. Porque essas coisas, por serem por demais simples para a alma irrequieta do homem moderno, são por isso mesmo, as mais raras e difíceis de se achar além de ser as mais necessárias.
segunda-feira, setembro 20, 2004
Ao Rio Grande, o meu abraço
O gaúcho se define como tipo ainda na primeira metade do século XVIII. Não é um tipo racial, fruto de mestiçagem étnica, mas a resultante natural de uma necessidade econômica - o aparecimento do homem capaz de se aventurar nas vacarias, para caçar o gado chimarrão (selvagem, como o mate e o cachorro do campo).
De lá pra cá se vão dois séculos. Não há mais gado solto sem dono e nem teatinos para dar-lhes um alce. Aliás, durante longos anos a identidade cultural do gaúcho sofreu grande depreciação fruto, principalmente, dos estrangeirismos que influenciaram toda a nação brasileira.
Contudo, a chama tradicionalista nunca se apagou nos galpões gaúchos. E lá por meados de 47 uma gurizada se juntou, para que tudo aquilo que era crioulo - nativo - não fosse esquecido. Destes que iniciaram o processo de estruturação e normatização das ditas tradições gaúchas podemos destacar: Ciro Martins, Ciro Gavião, Barbosa Lessa, Paixão Cortes, entre outros. É muito interessante se pensarmos que nesta época todos eles não contavam com mais de vinte anos de idade.
E a roda da carreta do tempo continuou ringindo e chegamos até nossos dias, com o movimento gaúcho organizado e institucionalizado, que se espalhou pelo mundo todo. Existem CTGs na China, no Japão, na Rússia... Contudo, muitos gaúchos vivem "alheios" a este movimento. Gaúchos de nascimento não cultivam nem prezam por suas tradições. Mas sentem, com certeza, uma pontinha de orgulho por terem vingado aqui neste torrão.
É uma época de celebrar nossa história, nosso gauchismo e seus ideais. Mais do que isso, é época também de recolutar o que temos feito por este pampa sulino, de bombear o passado com os olhos no futuro para que a nossa terra bravia possa ser um lugar muito mais macanudo do que já é hoje, para que nossa herança não seja só de palavras mas, como nos dizem as Escrituras de atos de justiça.
"Rio Grande véio que hoje eu canto emocionado na semana farroupilha". Por ti vai minha oração e meu agradecimento por teres feito tanto pela pátria verde-amarela.
sábado, setembro 18, 2004
Ala Mira!
Bueno patrícios, ontem a coisa foi braba. Tocamos mais ou menos umas três horas sem parar, chego tá com os dedo inchado. Acho que ainda não havia contado para usted que nós iamos tocar em Novo Hamburgo. Pois é, ontem eu, mais o Maneador e o Marcador se toquemo pra lá. Animemo a bailanta até as quinze pra meia-noite foi loco de bueno.
Pro patrício Castrador que não pode ir vai o recado: "Ah seu tocador de rádio eu queria tanto mandar este recado para o meu cumpadre Castrador que está aquerenciado na alma do meu violão" .
Hoje tem ensaio as sete, churrasqueada e amanhã já tocamos de novo. Não é fácil a vida de gaiteiro.
Porto Alegre, nova de setembro.
Pro patrício Castrador que não pode ir vai o recado: "Ah seu tocador de rádio eu queria tanto mandar este recado para o meu cumpadre Castrador que está aquerenciado na alma do meu violão" .
Hoje tem ensaio as sete, churrasqueada e amanhã já tocamos de novo. Não é fácil a vida de gaiteiro.
Porto Alegre, nova de setembro.
quinta-feira, setembro 16, 2004
Desde guri
Na sexta-feira estarei dando uma palestra em uma escola sobre tradicionalismo e a semana farroupilha. Fico mui honrado de poder levar a esta gurizada um pouco da nossa história e da nossa tradição. Quando do convite me lembrei de quando era criança. A faceirice que sentia por botar a pilcha gaúcha. Do nó que meu avô dava no lenço vermelho, que era dele, e para mim emprestava com muito orgulho. Da bombacha e da guaica. Me lembro também do pezinho dançado com as gurias, da correria atrás das prendinhas para mais uma dança. Me lembro garboso de como meu avô me chamava: aí vai meu gauchão!
Simples são essas lembranças mas que marcaram minha vida de forma indelével. E isso que se faz no colégio nessa época é uma das atitudes mais louváveis. Pois, dá a essas crianças uma identidade, uma pátria, uma raiz. Mais do que uma simples festa como as outras, a semana farroupilha nos colégios rio-grandeses é um marco na vida de muitas crianças. Só tem uma coisa que me tapa de nojo. É quando nossas escolas suprimem datas como esta e função de hallowins da vida.
Mas para aqueles que ainda insistem em preservar o que temos de nosso, nossas raízes culturais, vai meu mais sincero cumprimento e agradecimento. Já que, sem as crianças a tradição não tem futuro. Mil gracias meus patrícios, mil gracias meus ermãos!
Porto Alegre, nova de setembro.
Simples são essas lembranças mas que marcaram minha vida de forma indelével. E isso que se faz no colégio nessa época é uma das atitudes mais louváveis. Pois, dá a essas crianças uma identidade, uma pátria, uma raiz. Mais do que uma simples festa como as outras, a semana farroupilha nos colégios rio-grandeses é um marco na vida de muitas crianças. Só tem uma coisa que me tapa de nojo. É quando nossas escolas suprimem datas como esta e função de hallowins da vida.
Mas para aqueles que ainda insistem em preservar o que temos de nosso, nossas raízes culturais, vai meu mais sincero cumprimento e agradecimento. Já que, sem as crianças a tradição não tem futuro. Mil gracias meus patrícios, mil gracias meus ermãos!
quarta-feira, setembro 15, 2004
Mas que troço bem gaúcho
Bueno patrícios, é só ficar alguns dias sem postar que os assuntos acumulam. O melhor é empeçar: no sábado - dia de ajuntamento no galpão do Capando - fizemo um churrasco véio bem campeiro estavam presentes: don Gustavo (Marcador), Maneador, Castrador e o Irineu. Uma reunião pra lá de especial, com charla amiga e muita carne gorda. Depois se larguemo para o Harmonia pra ver o show do Borges. Cosa linda de se vê.
No domingo voltei para o Harmonia pra guitarrear com os irmãos Abadie: Juliano e Gustavo, lá no Piquete Negrinho do Pastoreio, foi um negócio da mas pura cepa crioula. No mais dê-lhe fandango e dê-lhe baile.
Ontem e hoje estive a mercê do tempo, quer dizer, nublado. Não sei porque cargas d'água estive bastante encimesmado. Mas são coisas da vida, nem sempre se esta a preceito e de vez enquando uma rusguinha consigo mesmo é loco de especial.
Não poderia deixar de registrar meu abraço aos patrícios Gustavo e Juliano Abadie pela parceriada que nós fizemos no domingo.
Porto Alegre, nova de setembro.
No domingo voltei para o Harmonia pra guitarrear com os irmãos Abadie: Juliano e Gustavo, lá no Piquete Negrinho do Pastoreio, foi um negócio da mas pura cepa crioula. No mais dê-lhe fandango e dê-lhe baile.
Ontem e hoje estive a mercê do tempo, quer dizer, nublado. Não sei porque cargas d'água estive bastante encimesmado. Mas são coisas da vida, nem sempre se esta a preceito e de vez enquando uma rusguinha consigo mesmo é loco de especial.
Não poderia deixar de registrar meu abraço aos patrícios Gustavo e Juliano Abadie pela parceriada que nós fizemos no domingo.
Porto Alegre, nova de setembro.
sábado, setembro 11, 2004
Tic-tac
"Ao toque do meio dia, todas as pessoas desta cidade deverão encontrar-se na câmara dos vereadores para tratar assunto de suma importância. " Era o que dizia o anúncio da rádio e, também, aqueles que foram espalhados por toda a pequena cidade. Sem mais especificações nem diretrizes. O que causou grande alvoroço e inquietação nos munícipes. Enquanto as fofoqueiras de plantão tentavam encontrar qual a razão da convocação, o prefeito, doutor Siqueira, tentava colocar no papel a pauta da reunião. A qual, nem ele sabia bem como abordar: "como falarei... serei capaz de ..." sabia ele que quando as dúvidas são tamanhas a alma fica como que num abismo indissolúvel, escuro e frio impenetrável pela razão, devido as sombra de que a emoção as cobria. O pior era que o relógio insistia em um tic-tac muito mais veloz do que o habitual. Como queria não ter que passar por tudo aquilo, nunca deveria ter saído da estância do pai, Coronel Siqueira, onde o gado e as ovelhas não pediam explicações de suas atitudes por mais insanas que fossem, ou parecessem ser. Mas o tempo real em nada parece-se com o virtual, queria que tudo fosse como os filmes que o filho volte e meia trazia da capital - as partes que não gostava, pulava e as de seu apresso via e revia à reviria.
Menos de uma hora para a tão esperada reunião, menos de uma hora para a desgraça total de sua carreira política. Carreira que nunca almejara, lembrava muito bem do dia que disse para o coronel Siqueira, seu pai, que preferia a música as reuniões cheias de bajulações e discussões infindáveis. Apanhara tanto que desse dia em diante nunca mais tocara na guitarra. Quantas e quantas vezes quis tê-la novamente junto do peito fazendo tinir as seis cordas bordoniando solito alguma copla mui mansa, estas simples e singelas lembranças trouxeram-lhe algum alento mas nada tirava o tic-tac do relógio da mente.
Menos de uma hora para a tão esperada reunião, menos de uma hora para a desgraça total de sua carreira política. Carreira que nunca almejara, lembrava muito bem do dia que disse para o coronel Siqueira, seu pai, que preferia a música as reuniões cheias de bajulações e discussões infindáveis. Apanhara tanto que desse dia em diante nunca mais tocara na guitarra. Quantas e quantas vezes quis tê-la novamente junto do peito fazendo tinir as seis cordas bordoniando solito alguma copla mui mansa, estas simples e singelas lembranças trouxeram-lhe algum alento mas nada tirava o tic-tac do relógio da mente.
Como ficariam sua mulher e seus filhos ao saberem que seu pai?imaginava Isabel a chorar e o pequeno Ramon a tentar consolar a mãe e Esteves, com certeza esbravejaria quebraria alguma coisa da casa. Os que mais amamos são as vezes os que mais nos magoam e ferem, como Caim a seu irmão... pensar na vida e nas conseqüências de nossos atos, sempre trazem alguma maldita chaga que tempo algum apaga. Feridas são sempre feridas e embora, saradas deixam cicatrizes como sinal de que nunca nos esqueceremos de que os atos nossos ou de outros não são ações jogadas ao vazio, pelo contrário, têm destino certo: o coração daqueles que insistem que a vida é mais pensada do que vivida.
Ninguém poderia imaginar o que passava-se na mente do prefeito a não ser ele próprio. Nem o padre, nem o juiz de direito poderiam ajudá-lo. Era ele e o destino feroz que lhe batia na porta.
Quem acredita em justiça!? Gritava para as quatro paredes do gabinete. E pensar que quando saíra da estância bombeava um futuro melhor. Agora com ganas de touro alçado tinha que engolir o guisado que lhe preparava o destino. E das coplas e das esperança nada ficou. Somente a honra, sua e de seus ancestrais poderia ser preservada num último ato de valentia.
Na escrivaninha de mogno primeira gaveta à direita pegou a bereta que fora do seu avô. um estampido seco, o golpe no chão e mais um bravo que foge da vida por não ter forças para lutar.
sexta-feira, setembro 10, 2004
Como figueira
Uma das imagens que mais me chama atenção na campanha é a da figueira, plantada no meio da imensidão do campo pela mão do Criador. De como ela se ergue imponente e solitária entre o capim e os trevais. Me impressiona não só porque sua presença solitária casa tão bem com a paisagem, ou porque sirva de ponto de referência, ou abrigo para gaudérios e gado. Mas porque, suscita em mim um pensamento: como a figueira solita no campo - imponente, perene, forte e solitária - me faz lembrar ideais. É como se a figueira fosse uma espécie de arquétipo das esperanças idealizadas que tenho. Só, durante a maioria do tempo e balançada pelo minuano, pelas tormentas. Contudo, firme e singular. Analogia possível para aqueles que lutam por alguma nobre causa. Pois, na maioria das vezes, sentem-se sozinhos peleando contra tudo e todos. Enquanto a maioria cresce rasteira alguns insistem em ir mais alto. O porquê!? As explicações são diversas e não importam agora. O que importa realmente é que poucas são as figueiras plantadas nesta planície grande, que alguns chamam de Terra. Poucos são aqueles que insistem em ver além do que os outros vêem, ou sentem. E quando a figueira é arrancada por alguma ventania, ou queimada por algum raio sempre rebrota. E esse renascer é também chamado de esperança. Como bem disse Aparício da Silva Rillo: "Quem nasce lutando busca a morte por liberdade!" Talvez nossa figueira morra junto conosco, mas como as figueiras "reais" ainda servirão de referência ou vais me dizer que nunca ouviste: "E lá no passo do lageado perto donde ficava a figueira grande."
Porto Alegre, minguante de setembro.
Porto Alegre, minguante de setembro.
quinta-feira, setembro 09, 2004
Retorno
Depois do bueno feriadão que tive as energias estão renovadas. Foi loco de macanudo a geuderiada por vários motivos: primeiro porque pude estar junto da minha Florecita, segundo por causa dos amigos e do truco jogado com estes, terceiro porque pode visitar lugares lindaços onde, pode se ver que o Patrão de nossotros todos é mesmo mui buenaço. Enchi meus olhos de campo, e solamente isso para mim já é grande coisa. Estar onde a civilização ainda não botou a mão é uma cosa mui linda, onde só hay o verde plano da pampa. Quando boto o pé na rodoviária de Porto Alegre, sinto que meu mundo é outro. Não trocaria jamais o berro de um touro, um tinir de arreios ou um murmúrio de uma sanga por estas buzinas e sirenes que ouço aqui. Mas, como diria o poeta: "a vida é a arte do encontro, embora tantos desencontros há nesta vida." e assim vou cumprindo minha sina, por enquanto meu lugar é aqui, ainda bem que é por enquanto.
Bueno, patrícios se aportarem por Rio Grande não deixem de visitar a Ilha dos Marinheiros além de uma linda paisagem vão encontrar gente mui amiga.
Bueno, patrícios se aportarem por Rio Grande não deixem de visitar a Ilha dos Marinheiros além de uma linda paisagem vão encontrar gente mui amiga.
Porto Alegre, minguante de setembro.
segunda-feira, setembro 06, 2004
De férias
Aqueles que visitam o Capando todos os dias devem ter sentido falta dos meus post quase que diários. Indiada, saí de férias no feriadão. Pois é estou em Rio Grande. Ontem estive na regional do ENART, algo que será motivo de um post futuro, e pude ver toda a glória e prtofissionalismo com que os CTGs tem encarado estes festivais.
Amanhã é dia de churrasqueada e charla buena junto com os patrícios daqui.
Rio Grande, cheia de setembrto.
Amanhã é dia de churrasqueada e charla buena junto com os patrícios daqui.
Rio Grande, cheia de setembrto.
sexta-feira, setembro 03, 2004
Guitarra
Depois de um dia corrido, a noite foi mui buena. Pode fazer algo que não praticava a tempos: tocar minhas partituras do tempo de estudante de violão.
Desde quando aprendi com meu avô os primeiros acordes nunca mais larguei o violão. Já cruzou muita água por debaixo da ponte e continuo apaixonado pela guitarra. Lamento muito por estar um pouco enferrujado e lembro com galhardia os meus tempos áureos de violeiro. É pena que agora a tenho apenas como regalo nos momentos de solitude. Contudo, consigo me emocionar e encher de garbo quando aquela peça mui querida sai a contento.
Por fim, como regalo para ustedes deixo estas estrofes do poema Guitarra, do ilustre Dom Jaime:
Velha guitarra pampeana
Que meus penares acordas,
Neste alambrado de cordas,
Espichado na coxilha
Boto na forma a tropilha
De antigas evocações,
Desde as velhas reduções
Aos combates farroupilhas
E bem junto do meu peito
Eu sinto quando ponteio
Que vou parando rodeio
No invernadão da saudade
Quando guascas de outra idade
Nos entreveros de guerra
Fizeram da nossa terra
O templo da liberdade!
[...]
Ó velho traste andarengo
Que ninguém sabe a querência
Porque és a mesma na essência
Inglesa, Russa, Espanhola
Guitarra, violão ou viola
Tenhas o nome que for,
Para este guasca cantor
A ti não faltam virtudes
E mesmo em linguagem rude
Balbuciada, enrouquecida,
Velha guitarra querida
Permite que eu te saúde!!!
Porto Alegre, cheia de setembro.
Desde quando aprendi com meu avô os primeiros acordes nunca mais larguei o violão. Já cruzou muita água por debaixo da ponte e continuo apaixonado pela guitarra. Lamento muito por estar um pouco enferrujado e lembro com galhardia os meus tempos áureos de violeiro. É pena que agora a tenho apenas como regalo nos momentos de solitude. Contudo, consigo me emocionar e encher de garbo quando aquela peça mui querida sai a contento.
Por fim, como regalo para ustedes deixo estas estrofes do poema Guitarra, do ilustre Dom Jaime:
Velha guitarra pampeana
Que meus penares acordas,
Neste alambrado de cordas,
Espichado na coxilha
Boto na forma a tropilha
De antigas evocações,
Desde as velhas reduções
Aos combates farroupilhas
E bem junto do meu peito
Eu sinto quando ponteio
Que vou parando rodeio
No invernadão da saudade
Quando guascas de outra idade
Nos entreveros de guerra
Fizeram da nossa terra
O templo da liberdade!
[...]
Ó velho traste andarengo
Que ninguém sabe a querência
Porque és a mesma na essência
Inglesa, Russa, Espanhola
Guitarra, violão ou viola
Tenhas o nome que for,
Para este guasca cantor
A ti não faltam virtudes
E mesmo em linguagem rude
Balbuciada, enrouquecida,
Velha guitarra querida
Permite que eu te saúde!!!
Porto Alegre, cheia de setembro.
quinta-feira, setembro 02, 2004
Aos mestres
Não são poucas as vezes que tenho ficado impressionado com a capacidade dos compositores gaúchos. De vez em quando penso que o tema gauchismo está mermando, vem uma nova composição, um novo festival e digo pra mim: "Como eu nunca pensei nisto antes!?". Falar de cavalos, de prendas e gauchadas com poesia e originalidade não é para qualquer um, ainda mais, quando o tema é explorado por tantos. E há tanta coisa já escrita, e de grande qualidade, que parece que a nascente de tudo isso pode secar de uma hora para outra. Contudo, ao mesmo tempo que estes temas tão "estáticos" parecem poucos; se assemelham muito a um olho d?água que nunca seca. Encho o peito de garbo para falar que nossa música e nossa poesia nunca findarão, pois reinventam ela a cada dia, reiterpretam ela em cada milonga, transformando em palavras o que existe de mais sublime e genuíno em nossa cultura.
Para aqueles que buscam a cada dia um novo acorde, uma nova rima fica meus mais sinceros agradecimentos, já que é por elas que passa a alma e a essência do povo gaúcho.
Porto Alegre, cheia de setembro.
Para aqueles que buscam a cada dia um novo acorde, uma nova rima fica meus mais sinceros agradecimentos, já que é por elas que passa a alma e a essência do povo gaúcho.
Porto Alegre, cheia de setembro.
quarta-feira, setembro 01, 2004
A lua que me lembro
Durante algum tempo a lua foi um tema constante em meus escritos. Pensando novamente sobre o tema descubro que a lua que bombeio hoje não é mais a mesma de outrora. Por quê? Não é porque ela perdeu sua poesia, simplesmente, não é mais a mesma que via antes. Não que ela tenha cambiado de forma ou de lugar, é que agora na cidade parece pra mim menos encantadora. Antes ela descobria silhuetas campexanas e agora as únicas que vejo são as dos prédios de apartamentos, que não trazem poesia alguma ao luar.
Mas ao mesmo tempo me lembro das noites enluaradas na campanha, quando as coxilhas, o umbu, a gadaria eram os vultos que ela destapava. Ali é onde os luares são mais verdadeiros. Só quem cruzou coxilhas em noite de lua cheia sabe do que falo. Só quem viu seu reflexo no lagoão entende o que digo. E é desta lua que sinto saudade. Saudade das pescarias sob sua luz difusa, saudade da barriga branca dos jundiás, reveladas por ela, ferrados na sanga rasa. Quantas e quantas vez me deixei ficar na beira do fogo, só mirando aquela que ao longe parceriada pelas estrelas compunha milongas sem precisar cantar. Quanto mais a saudade se aquerencia em meu peito, mais distante ela fica de minha morada.
Um dia quem sabe de volta ao campo, que é meu lugar, não sinta mais saudade da lua que sempre teimei em mirar.
Mas ao mesmo tempo me lembro das noites enluaradas na campanha, quando as coxilhas, o umbu, a gadaria eram os vultos que ela destapava. Ali é onde os luares são mais verdadeiros. Só quem cruzou coxilhas em noite de lua cheia sabe do que falo. Só quem viu seu reflexo no lagoão entende o que digo. E é desta lua que sinto saudade. Saudade das pescarias sob sua luz difusa, saudade da barriga branca dos jundiás, reveladas por ela, ferrados na sanga rasa. Quantas e quantas vez me deixei ficar na beira do fogo, só mirando aquela que ao longe parceriada pelas estrelas compunha milongas sem precisar cantar. Quanto mais a saudade se aquerencia em meu peito, mais distante ela fica de minha morada.
Um dia quem sabe de volta ao campo, que é meu lugar, não sinta mais saudade da lua que sempre teimei em mirar.
Porto Alegre, cheia de setembro.
Assinar:
Postagens (Atom)